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Política

Crônica

Tiririca: deputado e celebridade

por Redação Carta Capital — publicado 17/12/2010 09h13, última modificação 17/12/2010 10h04
Como toda celebridade, Francisco Everaldo Oliveira Silva já tem assessoria de imprensa - que mandou avisar a primeira visita oficial ao Parlamento. Impávido, nem parecia um palhaço

Como toda celebridade, Francisco Everaldo Oliveira Silva, o Tiririca, já tem assessoria de imprensa. Que logo mandou avisar sobre a primeira visita oficial ao Parlamento do deputado federal eleito, o mais votado do Brasil – 1,3 milhão de votos. Foi aquela correria. Mal pisou na entrada principal do Congresso, na quarta-feira 15, e Tiririca tinha uma multidão de fotógrafos, repórteres e cinegrafistas em seu encalço. Um jornalista, esbaforido, até perdeu o sapato.

Tiririca, impávido, nem parecia um palhaço. De terno e gravata e sem peruca, o neopolítico foi contido nas declarações aos jornalistas. Conheceu as dependências da casa acompanhado do líder de seu partido, o PR, Sandro Mabel, e teve a primeira reunião a portas fechadas de sua carreira política no gabinete do segundo secretário, Inocêncio Oliveira. Inocêncio, aliás, prometeu atuar como um professor para Tiririca, introduzindo-o nas artes da vida parlamentar, que o palhaço disse desconhecer na campanha. Elegeu-se com o seguinte slogan: “O que faz um deputado federal? Na realidade, não sei. Mas vote em mim que eu te conto”.

No Congresso, perguntado se já descobrira, Tiririca apenas sorriu. “Isso era só estratégia de campanha”, disse Inocêncio, contando que todos os anos faz palestras para os recém-chegados. “Mas ele sabe que deputados fazem as leis, que somos a casa do povo”, explicou o mestre ao pupilo, que só balançava a cabeça dizendo: “Com certeza”. Sobre a possibilidade de Tiririca ser alvo de preconceitos, Inocêncio tratou de tranquilizá-lo: “Aqui não temos hostilidades. O debate é das ideias”.

Com os cabelos mais escuros e um tanto ralos, Tiririca disse que não pretende usar a peruca amarelada do comediante no exercício do mandato, embora tenha sido informado que um deputado usa chapéu de cangaceiro. “Peruca só em shows.” Enquanto o ex-palhaço causava furor pelos corredores, um espetáculo sem graça acontecia no plenário: a aprovação pelos parlamentares de um aumento de quase 62% a si próprios. Com isso, deputados e senadores passam a ganhar 26,7 mil reais, ou 50 salários mínimos. Quando soube do reajuste, Tiririca comemorou: “Cheguei em um bom dia, dei sorte”. O Congresso é mesmo pândego.

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