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Escândalo derruba ministro dos Transportes

por Redação Carta Capital — publicado 07/07/2011 09h21, última modificação 07/07/2011 10h17
Novas acusações elevam pressão sobre Alfredo Nascimento, que vê cúpula da pasta ser afastada, perde apoio do PR e cai
Nascimento

O agora ex-ministro Alfredo Nascimento

A suspeita sobre desvios em obras públicas para engordar o caixa do Partido da República, sigla da base de apoio do governo federal, derrubou nesta quarta-feira 6 o ministro dos Transportes Alfredo Nascimento. O ministro, que já ocupava o cargo durante o governo Lula – ele deixou o posto para disputar o governo do Amazonas, sua base eleitoral – não suportou a pressão após ver a cúpula da pasta ser afastada diante das acusações.

De acordo com nota divulgada pelo ministério, Nascimento decidiu pedir demissão, em caráter irrevogável, para poder esclarecer as denúncias. “O ministro de Estado dos Transportes, senador Alfredo Nascimento, decidiu deixar o governo. Há pouco, ele encaminhou à presidenta Dilma Rousseff seu pedido de demissão em caráter irrevogável", diz a nota.

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Foi a segunda baixa no governo Dilma, que em junho havia demitido Antonio Palocci (Casa Civil) por suposto enriquecimento ilícito, em cerca de um mês. Após o pedido de demissão do ministro, Paulo Sérgio Passos assumirá a pasta como interino. Passos ocupava o cargo de secretário-executivo do ministério, o segundo na hierarquia do órgão.

As suspeitas sobre o esquema nos Transportes foram publicadas na edição da última semana da revista Veja. De acordo com a reportagem, a presidenta Dilma havia se reunido dias antes com o ministro para pedir providências em relação a aditivos sobre obras de infraestrutura geridas pela pasta. A suspeita era que os aumentos dos preços das obras, supostamente combinadas com as empreiteiras, engordassem os bolsos dos madatários do PR, legenda que tem no comando o deputado federal Valdemar da Costa Neto (SP).

Diante das revelações, o governo afastou, no fim de semana, o diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Luís Antônio Pagot, o chefe de gabinete do ministro, Mauro Barbosa da Silva, o assessor do gabinete, Luís Tito Bonvini, e o diretor-presidente da Valec (órgão responsável pelas ferrovias), José Francisco das Neves.

Para estancar a crise, o ministério suspendeu por 30 dias as licitações de projetos, obras e serviços de engenharia em curso e determinou a suspensão de aditivos com impacto financeiro, exceto os que forem inadiáveis e “cuja paralisação possa comprometer a segurança de pessoas e o patrimônio da União”.

Não adiantou. Embora, no Planalto, o temor era que a demissão do ministro causasse uma debandada do apoio da bancada do PR no Congresso, a situação para Alfredo Nascimento ficou complicada após o site da revista Isto É veicular um vídeo em que o agora ex-ministro supostamente libera verbas para um deputado do PDT em troca de sua migração para o PR. O encontro aconteceu em 2009. No mesmo dia, o jornal O Globo havia relevado que uma empresa do filho do agora ex-ministro havia sido crescido vertiginosamente (86.500%) desde 2005 graças a repasses de dinheiro do ministério chefiado pelo Nascimento - o esquema, sob investigação do Ministério Público, contava com uma empresa intermediária, a SC Transportes, contratada pelo ministério.

Horas antes do anúncio da saída do ministro, a bancada do PR no Senado foi chamada pela ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, para uma reunião no Palácio do Planalto. As declarações dos parlamentares antes do início da reunião já indicavam que a manutenção do ministro seria difícil de ser defendida até mesmo pelos colegas do partido.

O senador Magno Malta (PR-ES), líder da legenda na Casa, chegou a se queixar de que a situação do ministro estava causando "desgaste a todo mundo" e defendeu a participação da Polícia Federal no caso.

Com informações da Agência Brasil

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