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Política

Rio de Janeiro

Sou alvo de perseguição da Globo, diz Garotinho

por Marsílea Gombata publicado 22/09/2014 09h31, última modificação 24/09/2014 18h03
Líder na disputa pelo governo do Rio, o candidato do PR, Anthony Garotinho, atribui sua alta taxa de rejeição à emissora, e não à conduta como governador
Inácio Teixeira/ Coperphoto
anthony garotinho

Anthony Garotinho em carreata em Sepetiba, zona oeste do Rio de Janeiro

Botão Eleições 2014Do Rio de Janeiro

Líder nas pesquisas na disputa pelo governo do Rio de Janeiro, com cerca de 25% das intenções de voto, Anthony Garotinho retomava a campanha eleitoral depois de três dias acamado e mais de sete agendas canceladas. Ainda abatido pela virose que o enfermou, Garotinho falou com CartaCapital ao sair da TV Globo, na quinta-feira 18, onde foi entrevistado na primeira edição do local RJTV. Transeuntes que passavam pela van do candidato na Rua Lopes Quintas, Jardim Botânico, não se faziam de rogados ao exclamar em alto e bom som: “Garotinho? Outra vez?!” ou “Garotinho de novo? Ninguém merece...”

Na entrevista ao vivo, o ex-governador (1999-2003) fez críticas à maior rede de televisão do País. Dentre as mais pesadas, o suposto desvio de verba para paraísos fiscais, assim como sonegação de impostos e o fato de a empresa ter apoiado a ditadura e ter feito mea culpa depois.

As críticas ao monopólio televisivo da Globo continuaram do lado de fora da sede da emissora. O candidato foi contundente e afirmou ser alvo de uma campanha de perseguição por parte da Globo. “Acho que isso se deve pela minha luta de enfrentamento contra o monopólio exercido pelas Organizações Globo. E também pelo fim de alguns privilégios que eles tinham no estado do Rio de Janeiro”, explicou o político de Campos dos Goytacazes. “No segundo turno vamos ter 10 minutos de televisão. Será tempo o suficiente para desmentir a campanha que eu sofri nos últimos anos.”

CartaCapital: Na disputa pelo governo do Rio, apesar de estar na frente, segundo as pesquisas, o senhor também tem uma alta taxa de rejeição, de cerca de 35%. A que o senhor atribui isso e como fará para reverter esse quadro a pouco mais de 15 dias do primeiro turno?
AG: Olha, cada eleição é uma eleição. Então, no primeiro turno nós temos de passar para o segundo. No segundo turno, nós vamos ter 10 minutos de televisão. Será tempo o suficiente para desmentir a campanha que eu sofri nos últimos anos, de violência e perseguição, especialmente das Organizações Globo.

CC: Qual seria o motivo dessa campanha?
AG: Deve-se à minha luta de enfrentamento contra o monopólio exercido pelas Organizações Globo. E também pelo fim de alguns privilégios que eles tinham no estado do Rio de Janeiro. A Globo aqui sempre comandou telecursos de segundo grau através de empresas de fachada sem licitação, como o VivaRio, por exemplo.

CC: E em relação à taxa de rejeição que o senhor apresenta hoje?
AG: Atribuo à perseguição, especialmente das Organizações Globo, e às mentiras.

CC: Nada especificamente relacionado a alguma conduta do senhor ou de algum secretário durante a sua gestão?
AG: Olha, eu terminei meu governo com mais de 80% de aprovação, minha sucessora, a Rosinha, foi eleita no primeiro turno...

CC: Recentemente, a inteligência da Secretaria de Segurança do estado divulgou um relatório no qual aponta algo em torno de 41 territórios sob influência do tráfico e das milícias no processo eleitoral. Desses, dez estão em zonas de UPP. Como o senhor vê as UPPs como política de segurança pública?
AG: A UPP é um projeto importante, ninguém pretende acabar com isso. Só que ele precisa ser corrigido. É necessário que tenha programas sociais, uma parte muito importante, para fazer com que a polícia de proximidade, que é essa que a UPP tenta trazer, funcione de fato. E também é preciso que os criminosos sejam investigados e presos. E quando falo criminosos falo de milicianos e traficantes que precisam ser presos. Como não se prende, eles mudam de lugar. Então o que ocorre é uma migração do crime.

CC: Por falar em miliciano, recentemente o senhor fez uma declaração na qual avaliava que miliciano é menos pior do que deputado corrupto. Foi uma frase polêmica, alvo de críticas. Como o senhor explicaria essa posição?
AG: Não. O que eu disse é que o governador ficava se preocupando tanto com milicianos dirigindo as vans, quando existiam milicianos pertinho dele, dentro do Palácio Guanabara. Queria aproveitar para lhe mostrar esta foto e perguntar se conhece algumas das figuras aqui (o candidato para e mostra fotos antigas). Quem é esse aqui? (O ex-governador) Sérgio Cabral (PMDB) com Francisco Dornelles, vice na chapa de Pezão, do PP. E esses dois aqui? Os dois maiores milicianos da turma do Batman, da Liga da Justiça, da zona oeste do Rio: o deputado Natalino José Guimarães (DEM) e o vereador Jerominho (PMDB). Isso em um comício organizado por eles, em 2010.

CC: Recentemente, saiu na imprensa que Álvaro Lins, ex-chefe da Polícia Civil no seu governo, condenado a 28 anos de prisão por ter chefiado uma quadrilha, vem pedindo votos para o senhor via WhatsApp? Como o senhor vê isso?
AG: Olha, isso é problema dele, eu não posso fazer nada. A possibilidade de ele participar de um governo meu futuramente é nenhuma.

CC: A presidenta Dilma Rousseff tem feito algumas agendas no Rio de Janeiro, não apenas com o senhor, mas também com outros candidatos. Como acredita que isso ressoe aos ouvidos do eleitor? E quem é, afinal, a candidata do senhor: Dilma, que o apoia formalmente, ou Marina, que também é evangélica como o senhor?
AG:
Eu voto na Dilma. Sempre declarei e nunca escondi isso de ninguém. E eu nunca tive dois candidatos, como o Pezão.

CC: Dos três candidatos mais bem posicionados na disputa, o senhor e Marcelo Crivella são evangélicos. Existe um tipo específico de campanha para esse eleitorado?
AG: Não, não existe nenhuma ação especial. Às vezes, algum documento no qual a gente passa, reafirmando nossas convicções para eles nas igrejas.

CC: O senhor concorda com a tese de que “irmão vota em irmão”? Isso realmente existe dentre os eleitores evangélicos?
AG: Uma parte deles eu acredito que sim. Mas há uma parte evangélica bem crítica também, que está mais voltada para as propostas dos candidatos em si.

CC: Como o senhor vê essa relação entre política e religião no Brasil, que é um Estado laico?
AG: Bem, eu defendo um Estado laico. Essa é a posição histórica dos protestantes. O Brasil nunca foi um Estado laico até a reforma da Constituição, que fez com que o País deixasse de ser oficialmente católico. Eu defendo o Estado laico, essa é nossa bandeira.

CC: Então o senhor não vê com bons olhos as tentativas de se misturar política e religião?
AG: É, isso não serve à democracia. Atrapalha muito, aliás.

CC: O senhor e Crivella são evangélicos e falam, de certo modo, para um mesmo público. Como o senhor pretende abocanhar os eleitores de Crivella para o seu lado?
AG: Ah, se eu contar para você fica sem graça, né?