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Secretária conta como funcionava esquema de propinas no DF

por Redação Carta Capital — publicado 29/10/2010 15h51, última modificação 29/10/2010 15h51
Ex-funcionária da empresa de limpeza urbana acusa Joaquim Roriz, Sérgio Guerra e Agripino Maia. E apresenta provas

Ex-funcionária da empresa de limpeza urbana acusa Joaquim Roriz, Sérgio Guerra e Agripino Maia. E apresenta provas

As investigações em curso sobre o esquema do governo Arruda no Distrito Federal foram esmiuçadas por Leandro Fortes na edição 618 de CartaCapital, que foi às bancas dia 20 de outubro.

Na matéria, nosso repórter afirmava que estavam na mira da Polícia Federal os senadores Sérgio Guerra, do PSDB, e Agripino Maia, do DEM.

Nesta quinta-feira 28 as investigações deram um avanço importante. Foi ouvida na Divisão de Repressão aos Crimes contra a Administração Pública (Decap) da Polícia Civil do Distrito Federal a ex-secretária Domingas Gonçalves Trindade.

Ela trabalhava na Qualix Serviços Ambientais, empresa de coleta de lixo do DF apontada como um dos sorvedouros de dinheiro público do esquema do DEM. Domingas trabalhava para Eduardo Brada, diretor da empresa. Era ela a responsável pela agenda, fazia depósitos bancários e "serviços particulares" na empresa, segundo apurou Leandro Fortes. ()

Em seu depoimento desta quinta-feira, Domingas denunciou o esquema e acusou Joaquim Roriz, Sérgio Guerra, Agripino Maia e Valério Neves, presidente do PSC-DF.

O Jornal de Brasília conta como foi o depoimento:

Ex-secretária devassa esquema Qualix

Por Carlos Carone

A ex-secretária Domingas Gonçalves Trindade, 40 anos, foi ouvida ontem na Divisão de Repressão aos Crimes Contra a Administração Pública (Decap), da Polícia Civil do Distrito Federal, sobre as acusações que faz contra o ex-governador Joaquim Roriz; o presidente do PSC-DF, Valério Neves; os senadores Sérgio Guerra (PSDB-PE) e José Agripino Maia (DEM-RN); o empresário Eduardo Badra; e o ex-diretor da Belacap (estatal responsável pelo serviço de ajardinamento e limpeza urbana do DF), Luís Flores. Todos são acusados de se servirem de um esquema de desvio de

dinheiro envolvendo a Qualix, empresa que faz o recolhimento do lixo no DF.

O depoimento foi acompanhado da apresentação de uma série de provas documentais. Domingas denunciou um esquema que, até então, não tinha o respaldo de tantos elementos. Ela acusa Roriz, Valério, Agripino e Guerra de receberem propina proveniente de contratos firmados entre o GDF e a Qualix.

O Jornal de Brasília obteve um vídeo (cujos trechos estão ao lado) no qual Domingas faz as mesmas acusações que confirmou à polícia e apresenta as mesmas provas documentais. Ela apresentou aos delegados extratos telefônicos que confirmam contatos constantes entre os envolvidos. A ex-secretária fazia o serviço a mando de seu chefe, Eduardo Badra – que, à época, era diretor da Qualix. Domingas tinha como função organizar a agenda do patrão, além de fazer depósitos bancários e o que chamou de "serviços particulares".

Enquanto era ouvida pelos investigadores, Domingas ainda apresentou lacres bancários emitidos pelo Banco Central que tinham a marcação de R$ 50 mil cada – são seis, num total de R$ 300 mil. "Depois de dois, três meses, o doutor Eduardo passou a confiar em mim e fiquei responsável pela chave de um quarto, em uma casa no Lago Sul, onde guardavam o dinheiro. Era tanto dinheiro que ocupava uma cama de casal inteira. Eu cheguei a pegar um dos maços e pensar que ele seria capaz de resolver a minha vida", contou, em certo trecho do vídeo.

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