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Política

Crise da água

Proposta de Padilha não resolveria problema no Cantareira

por Redação — publicado 09/05/2014 16h16, última modificação 09/05/2014 21h25
Utilizar água da represa Billings para o Cantareira pode comprometer o sistema, diz engenheiro de recursos hídricos
Robson Fernandjes/Estadão Conteúdo

O pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha, destaca em uma propaganda partidária que, enquanto o Sistema Cantareira, responsável pelo abastecimento de água de boa parte da Grande São Paulo, está quase vazio, o reservatório da represa Billings está cheio. A possibilidade de transpor a água da Billings para o Cantareira, entretanto, não é avaliada de forma positiva por especialistas,

"Se você tirar essa água do corpo da represa, rapidamente ela vai se deslocar e como vamos preencher? Com água do Rio Pinheiros? Não pode, porque é altamente contaminada", afirma a CartaCapital o engenheiro de recursos hídricos Marco Palermo, ex-diretor técnico e financeiro da Agência da Bacia do Alto Tietê.

Segundo Marco Palermo, a represa Billings é abastecida por um único braço d'água, proveniente do Rio Grande. "Ele é um reservatório que não tem formação natural predominante. Então não é algo que possa ser entendido como um manancial, como acontece no Sistema Cantareira", diz. A represa Billings foi construída para ser um reservatório de água a ser utilizada para a geração de energia elétrica.

Palermo ainda afirma que, para a medida de emergência ser tomada, um entrave jurídico precisaria ser resolvido: na Constituição Estadual, no Ato das disposições constitucionais transitórias, o artigo 46 proíbe que sejam bombeadas águas contaminadas para a represa Billings, o que seria o caso das águas provenientes do Rio Pinheiros.

A comparação entre os reservatórios foi veiculada pela campanha de Padilha durante propaganda que começou a ser veiculada na quarta-feira 23. O objetivo é atingir o que acredita ser um ponto fraco da administração de Geraldo Alckmin (PSDB): o baixo nível do reservatório do sistema Cantareira, situação que pode provocar racionamento de água na Grande São Paulo, incluindo a capital.

Racionamento?

O governo Alckmin nega que haja uma crise de abastecimento de água em São Paulo, mas a afirmação carece de base na realidade. Uma pesquisa do Data Popular mostrou que 23% dos moradores do Estado tiveram problemas de falta de água nos últimos três meses, e que esse índice é maior entre as populações mais pobres.

O governo tucano de São Paulo também afirma que a situação no Cantareira é ocasionada por uma questão da natureza a falta de chuvas. Reportagem de CartaCapital mostrou, no entanto, que já em 2004, a Sabesp foi informada sobre a necessidade de “projetos que viabilizem a redução de sua dependência” do Cantareira. Dez anos depois do aviso da Agência Nacional de Águas, a Sabesp ainda não concluiu nenhum projeto alternativo para suprir a dependência do Cantareira.

Atualização às 9h20: A assessoria do ex-ministro emitiu nota negando ter feito a proposta. Leia abaixo:

“O ex-ministro Alexandre Padilha e coordenador da caravana Horizonte Paulista reitera que o que falta no Estado de São Paulo não é água e sim planejamento e obras que deveriam ter sido feitas pelo governo do Estado. Diferentemente do que afirma a reportagem "Proposta de Padilha não resolveria problema no Cantareira", veiculada pelo portal da revista Carta Capital em 09 de maio, em nenhum momento Padilha propôs, como solução para o sistema Cantareira, a transposição de água da represa Billings. Para Padilha, o Estado de São Paulo vem enfrentando problemas de abastecimento de água porque obras planejadas e propostas desde o início dos anos 2000 nunca foram implementadas. Em 2004, por exemplo, a Sabesp foi autorizada a manter a captação no sistema por mais dez anos. A condição para a manutenção da outorga à Sabesp era realizar, num prazo de dois anos e meio, um plano de investimentos capaz de diminuir a dependência da região metropolitana de São Paulo em relação ao Cantareira. Esse plano, assim como vários outros, jamais foi executado pelo governo de São Paulo.

Assessoria de Imprensa da caravana Horizonte Paulista

(Paloma Rodrigues)