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Raciocinar dialeticamente

por Plínio Arruda Sampaio — publicado 06/12/2010 17h00, última modificação 06/12/2010 16h31
O Brasil tem a maior taxa de juros do mundo. Com isso, o afluxo de dinheiro é enorme e facilita ao Governo a alocação de vultosos recursos em gastos sociais demagógicos

O Brasil tem a maior taxa de juros do mundo. Com isso, o afluxo de dinheiro é enorme e facilita ao Governo a alocação de vultosos recursos em gastos sociais demagógicos

O raciocínio dialético baseia-se no conflito. Onde há diferença, há conflito. Como todas as coisas diferem um das outras, todas as coisas são conflitivas.

O conflito é o que explica o comportamento dela.

Essa explicação é dada pelo principio da unidade dos contrários.

Em toda contradição há o geral e o particular. O geral explica o particular e é por ele explicado.

De acordo com o princípio da unidade dos contrários, um dos pólos da contradição é o dominante, o outro, o pólo dominado.

À medida em que a contradição amadurece, o pólo dominado passa a dominante e vice versa. Não há, contudo, nenhum determinismo nisso. Uma contradição pode ficar congelada indefinidamente. Tudo depende da luta de classes e das condições objetivas da realidade na qual ela é travada. Em outras palavras: o elemento vontade é essencial. Os homens fazem a historia, mas como ensinou Marx, a fazem limitados pelas condições objetivas em que se encontram.

Hoje no Brasil, a dominação da burguesia e do imperialismo é o geral, e o particular são as lutas das organizações populares.

Esta situação é possibilitada pelo impacto da crise econômica mundial na economia brasileira. Na falta de oportunidades de investimento nos países desenvolvidos, dada a recessão que devasta essas economias, os capitais desses países saem pelo mundo em busca de valorização pela via da especulação. Como o Brasil pratica a maior taxa de juros do mundo, o afluxo de dinheiro é enorme e facilita ao Governo a alocação de vultosos recursos em gastos sociais demagógicos, o que torna imenso o prestígio de Lula.

Esta é uma condição objetiva que nenhuma vontade política pode alterar. Mas essa condição não se alterará mecanicamente. Daí a necessidade de pressionar o sistema. Contudo, é preciso fazê-lo com a clara consciência do tipo de atuação política que pode ser eficaz numa conjuntura tão adversa.

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