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Quem vai impor limites?

por Socrates — publicado 11/08/2011 10h39, última modificação 11/08/2011 10h39
No vale-tudo da Copa, comandada por um cartola com poder imperial, pode-se até fechar um aeroporto para não prejudicar as transmissões de tevê. E o governo federal se curva aos desmandos do imperador...

O sorteio para definir os grupos para o Mundial de 2014 deu algumas dicas de como poderá ser o evento em nosso imenso País. Fechamos o aeroporto Santos-Dumont para que o movimento das aeronaves não interferisse nas transmissões internacionais. E pensar que nunca tivemos essas frescuras. Por outro lado, pensa-se em fazer ali, na Marina da Glória, o centro de imprensa para o Mundial. Está certo que o objetivo final é viabilizar com dinheiro público, jamais com investimentos privados, a construção de um shopping no local. Mas eu me pergunto: será que durante o megaevento e, principalmente, na final da Copa não teremos de fechar o aeroporto também? Seria uma maravilha para o Brasil e a cidade do Rio, não é mesmo?

Na mesma tarde de sábado, vimos o primeiro sinal de ruptura – assim eu espero – entre o governo federal, que pagará boa parte da conta, e o grupelho que tomou conta de nosso futebol e desta Copa do Mundo. Incluindo aí a família do rei (ou seria imperador?) brasileiro de plantão. Sim, não se assustem. Temos um rei que a todos agride, a todos afugenta e que não respeita a presidenta eleita por nossa nação. Dilma mostrou que não está para sorrisos forçados ou para tapas nas costas dos oportunistas. Só que isso só não basta. É necessário que tenhamos por parte de Brasília uma posição mais dura para preservar o País e evitar que o coloquem em posição de maior inferioridade. Como um dia disse o poeta: quando ficas de quatro, tu estás te apequenando diante dos fortes e mostrando o traseiro para os mais fracos. De que lado será que está o governo brasileiro?

Mudando um pouco de assunto, vejamos o caso de Zé Elias, que, sem motivo e perdão, encontra-se trancafiado com outros parceiros do mesmo infortúnio. Descasar-se passou a ser crime. E muitas vezes nem é preciso que haja uma relação assim formalizada para que as tentativas se repitam. Foi o que ocorreu com uma menina-modelo francesa que disse ter mantido relações íntimas com Ronaldinho Gaúcho na concentração da Seleção Brasileira durante a Copa da Alemanha, em 2006. Ela buscou espaço midiático nos tabloides ingleses. Contestada pelo atleta e levada a um tribunal, não podia receber sentença pior: perdeu a causa e terá de pagar 100 mil euros a Ronaldo. Uma frase que nunca esqueci e que serviria como uma luva para a garota: cuides para que tuas palavras não sejam piores que o teu silêncio.

Rupturas no meio do futebol são mais frequentes que o número de ondas diárias do mar. Trocar o treinador e eventualmente algum atleta, acreditam os clubes, resolvem os problemas que geralmente são provocados por desconhecimento de quem responde pelo departamento de futebol. O São Paulo, até outro dia, era o único que preservava sua equipe de apoio e não aceitava as escolhas dos novos técnicos quanto à preparação física ou à área fisiológica. Desde o ano passado já não é mais assim.

A última vítima foi o preparador físico trazido pelo antigo treinador, dispensado para que assuma em seu lugar um indicado pelo novo. Como se capacidade tivesse relação com afinidade nessas áreas. Na verdade, poucos são os técnicos que entendem do riscado. Portanto, deveriam ser colocados em seu devido lugar, sem direito a exigir esse ou aquele colaborador. E isso deveria servir para todos, sem atingir quem quer que seja.

Mas problemas de verdade nós vemos no andar da carruagem do Mundial de futebol. Não bastassem fechar o Santos-Dumont, percebemos que boa parte das obras, mesmo as dos estádios, encontra-se absolutamente atrasada. Nada de aeroportos ou de meios de acesso aos pontos principais das cidades-sede. Nada de melhorar nossos recursos humanos, nada de investimentos na rede hospitalar. E os responsáveis recusam-se a prestar contas à -sociedade, que é a que vai “pagar o pato”, como se diz numa de nossas gírias regionais. Entretanto, parece que tudo vai às mil maravilhas. Pelo menos na aldeia global, que é quem deveria estar preocupada em realizar seu trabalho de informar com correção a opinião pública. Seria exigir demais?

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