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Política

Operação Lava Jato

Quem eram os corruptores da Petrobras

por Fabio Serapião, de Curitiba, e José Antonio Lima — publicado 07/02/2015 09h02
Na lista de operadores está uma pessoa ligada ao “mensalão” e outro que pagava “salário” de 29 mil dólares a ex-gerente da estatal
Fernando Frazão / Agência Brasil
Petrobras

Ato de funcionários da Petrobras por falta de pagamento, em 29 de janeiro. A estatal passa por uma das mais graves crises de sua história

A petição em que o Ministério Público Federal pede ao juiz Sergio Moro a deflagração da nona fase da Operação Lava Jato – batizada de My Way pela Polícia Federal – traz um retrato detalhado sobre o funcionamento de uma das partes do esquema de corrupção envolvendo funcionários públicos, empreiteiras e políticos na Petrobras.

A gênese da Lava Jato é a relação entre Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, e o doleiro Alberto Yousseff, apontado como operador do PP no esquema de corrupção. Na investigação a respeito da diretoria de Abastecimento, PF e MPF descobriram desvios em outras diretorias, entre elas a de Serviços, ocupada por Renato Duque entre 2003 e 2013, na qual Pedro Barusco era o gerente-executivo. A My Way se concentra na atuação desta dupla e suas conexões com o PT.

De acordo com o MPF, “o cartel de enormes proporções, autodenominado ‘Clube’, do qual fizeram parte grandes construtoras do país, tais como OAS Odebrecht, UTC, Camargo Corrêa, Techint, Andrade Gutierrez, Mendes Júnior, Promon, MPE, Skanska, Queiroz Galvão, Iesa, Engevix, Setal, GDK e Galvão Engenharia” pagava propina em contratos com a Petrobras que variava entre 1% e 2% do valor total envolvido. Na diretoria de Serviços, segundo o MPF, a margem era de geralmente de 2%, sendo que 1% era destinado ao PT e o outro 1% à “casa”, designação dos funcionários da Petrobras – Duque, Barusco e Jorge Luiz Zelada e Roberto Gonçalves.

Além de João Vaccari Neto, que teria recebido US$ 50 milhões para proveito próprio e até US$ 200 milhões para repassar ao PT, havia outros dez operadores financeiros do esquema, “autênticos representantes dos interesses das empresas corruptoras nos pagamentos das vantagens indevidas” conforme o MPF. Os detalhes a respeito da atuação deles mostra como funcionava o esquema.

- Mario Frederico Mendonça Goes era, segundo o MPF, o operador de empresas como Andrade Gutierrez, Mendes Júnior, Carioca Engenharia, Bueno Engenharia, MPE/EBE, OAS, Schain, Setal e UTC. Ele usava empresas em paraísos fiscais para transferir o dinheiro desviado, mas também entregava dinheiro vivo a Barusco – mochilas com até 400 mil reais. A dupla também fazia “encontro de contas”, nos quais conferiam, contrato a contrato, o pagamento de propinas.

- Zwi Zcorniky seria, segundo a denúncia, o operador da Keppel Fels e da Floatec. Ele transferia dinheiro para as contas de Barusco e de Vaccari Neto na Suíça e, quando Renato Duque deixou a estatal, foi ele o responsável por um pagamento de 14 milhões de dólares ao ex-diretor.

- Guilherme Esteves de Jesus atuava em nome do Estaleiro Jurong, segundo o MPF. Além de ter um esquema diretor com Vaccari Neto, ele entregava dinheiro aos funcionários da Petrobras, tendo repassado ao menos 8,2 milhões de dólares a eles.

- Milton Pascovich, segundo o MPF, era o operador da Engevix e do Estaleiro Rio Grande, pertencente à empreiteira. Documentos apreendidos mostram transferências feitas por ele para contas de Barusco no exterior.

- Shinko Nakandakari, ex-funcionário da Odebrecht, era o operador da Galvão Engenharia, da EIT Engenharia e da Contreiras, segundo o MPF. Ele usava uma empresa própria, a LSFN Consultoria Engenharia, para transferir dinheiro de propina, mas também fazia isso com dinheiro vivo.

- Luis Eduardo Campos Barbosa da Silva era, segundo o MPF, operador da Alusa, da Rolls Royce e SBM.

- Atan de Azevedo Barbosa aparece na petição do MPF com um caso sui generis. Por mais de quatro anos entre 2008 e 2013, Barbosa pagou, em nome da Iesa Óleo e Gás, um “salário” de 29 mil dólares mensais a Barusco, por conta dos contratos assinados entre a empresa e a Petrobras.

- Bernardo Schiller Freiburghaus surge na lista de citados por Barusco como responsável por abrir e enviar dinheiro para o exterior. Um dos serviços prestados por ele foi, segundo o MPF, enviar à Suíça 2 milhões de dólares pertencentes a Barusco após o estouro da Operação Lava Jato.

- Augusto Amorim Costa era o operador da Queiroz Galvão, conforme afirma o MPF. Documentos apreendidos mostram que ele teria feito diversos depósitos a Barusco em contas no exterior.

- Cesar Roberto Santos Oliveira, dono da GDK, era, segundo o MPF, o operador desta empresa e repassava dinheiro a Barusco. César Oliveira foi uma das “estrelas” do chamado “mensalão”, pois foi o responsável por dar a Silvio Pereira, então secretário-geral do PT, um carro Land Rover. Em 2005, quando estourou o escândalo, os dois afirmaram que o carro era um presente entre amigos. Silvio Pereira se desfiliou ao PT, abandonou a política e não virou réu na Ação Penal 470 pois cumpriu seu acordo com a Justiça.