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Política

Operação Lava Jato

Quem é André Esteves, o banqueiro preso pela PF

por Redação — publicado 25/11/2015 11h25, última modificação 26/11/2015 10h33
Dono do BTG Pactual é o 13º mais rico do Brasil, com fortuna estimada em US$ 2,5 bilhões
Raquel Cunha/Folhapress (04/05/2015)
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O banqueiro André Esteves durante festa de 15 anos do jornal Valor Econômico, em maio passado

André Esteves, preso nesta quarta-feira 25 pela Polícia Federal, sob acusação de atrapalhar as investigações da Operação Lava Jato ao lado do senador Delcídio do Amaral, é um dos executivos do mercado financeiro mais influentes do Brasil.

Dono de uma fortuna estimada em 2,5 bilhões de dólares, Esteves é o 628º homem mais rico do mundo e 13º do Brasil segundo a revista Forbes. Sua carreira teve início no então banco Pactual, em 1989. Quatro anos depois ele já era sócio do banco e, em 2002, assumiu a presidência da instituição financeira.

Em 2006, Esteves, que detinha cerca de um terço do Pactual, coordenou a venda do banco para o suíço UBS. No ano seguinte, Esteves assumiu a chefia da divisão global de fundos de renda fixa do UBS, mas em 2008 deixou a instituição suíça para fundar a BTG, uma firma de investimentos. Em 2009, anunciou a recompra do Pactual e a fusão das duas companhias, dando origem ao BTG Pactual.

Durante a formação da instituição financeira que comanda, considerada um investimento audacioso e brilhante, Esteves ganhou destaque na imprensa brasileira por seu perfil considerado arrojado. Foi capa de revistas como Época, ExameÉpoca Negócios e IstoÉ Dinheiro, que em dezembro passado o descreveu como “defensor ferrenho da meritocracia” e o escolheu “empreendedor do ano nas finanças”. Em 2011 e 2012, em eleição organizada por CartaCapital na qual votam empresários brasileiros, figurou na lista de executivos mais admirados do País.

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O banqueiro foi capa das principais revistas de economia do Brasil

Em 2013, Esteves se viu envolvido em uma polêmica relacionada ao senador Aécio Neves (PSDB-MG). Após o casamento com a ex-modelo Letícia Weber, em outubro daquele ano, o tucano fez sua viagem de lua de mel para Nova York. As passagens aéreas e a reserva de três noites no mundialmente famoso Waldorf Astoria, hotel cinco estrelas da metrópole norte-americana, foram pagas pelo BTG Pactual.

Segundo o jornal O Globo, que noticiou o fato, as passagens e estadia eram cortesia por um convite feito pelo BTG Pactual para Aécio fazer uma palestra nos Estados Unidos.

Esteves é, também, próximo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem costumava visitar no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, quando este esteve doente. 

Nos governos do PT, Esteves fez ao menos dois importantes negócios com a Petrobras. Em 2011, o BTG liderou a formação da Sete Brasil, que tem participação do Santander e de diversos fundos de pensão públicos, como Petros, Funcef e Previ. A empresa, dedicada a negócios na área de petróleo e gás, em especial na área do pré-sal, está envolvida em diversos dos desvios investigados na Operação Lava Jato.

Em 2013, Esteves se tornou sócio da Petrobras por meio do BTG em um outro empreendimento. Seu banco comprou metade das operações da Petrobras Oil & Gas na África por 1,5 bilhão de dólares.

No início de 2015, Esteves apareceu na Lava Jato, que investiga a estatal petrolífera brasileira. Em sua delação premiada, o doleiro Alberto Youssef disse ter intermediado e pagado propina em um negócio entre a Derivados do Brasil e a BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras. A Derivados do Brasil teria participação de Esteves, que negou ter contato com Youssef ou ter participado de qualquer irregularidades.

Essa era a operação que, temia Esteves, Cerveró podia delatar. Por isso, segundo a tese do Ministério Público Federal, o banqueiro teria se unido a Delcídio do Amaral (PT-MS) para tentar comprar o silêncio do delator.