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Política

Quebra de sigilo

Quebra do sigilo fiscal: Ribeiro Jr. agia em nome do jornal Estado de Minas

por Sergio Lirio publicado 22/10/2010 08h35, última modificação 22/10/2010 08h53
Depois que o jornalista Amaury Ribeiro Jr. confessou à PF que trabalhava para jornal mineiro, surge agora a versão que estava de férias

Depois que o jornalista Amaury Ribeiro Jr. confessou à PF que trabalhava para jornal mineiro, surge agora a versão que estava de férias.

Parte da mídia precisa conferir alguma lógica a sua narrativa sobre o caso da quebra de sigilo fiscal de integrantes do PSDB e familiares do candidato José Serra. Eles se recusam a aceitar o resultado do inquérito da Polícia Federal segundo o qual o jornalista Amaury Ribeiro Jr. agia em nome do Estado de Minas – interessado em produzir uma reportagem contra José Serra, que, por seu lado, havia colocado o deputado federal Marcelo Itagiba no encalço de Aécio Neves. À época, os dois tucanos disputavam a indicação do partido à candidatura presidencial.

Na quinta-feira 21, correu a versão de que Ribeiro Jr. veio a São Paulo buscar os dados obtidos de forma criminosa durante suas férias. Portanto, não agia em nome do jornal mineiro onde trabalhava, mas por conta própria. O objetivo, claro, é insinuar que naquele momento o repórter já trabalhava para o PT. O problema é que a mídia toma como verdade ou não os trechos da confissão de Ribeiro Jr. que lhe são mais convenientes. Rejeitam, portanto, as declarações que ligam a quebra de sigilo ao Estado de Minas e tomam como fatos absolutamente inquestionáveis aquelas que se referem à chamada pré-campanha de Dilma Rousseff.

Mas isso provoca furos na narrativa. Nesta sexta-feira 22, por exemplo, os jornais estampam a declaração do repórter de que os dados foram roubados de seu computador pelo deputado estadual petista Rui Falcão. Alguém pode se perguntar: se Ribeiro Jr. já trabalhava para o PT, por qual motivo Falcão seria obrigado a roubar as informações do computador do jornalista?

A história só faz sentido no contexto geral dos fatos. Ribeiro Jr. havia recolhido diversas informações sobre Serra e sua turma e preparava um livro que denomina de “Os porões da privataria”. Conhecido de Luiz Lanzetta, que mantinha um pré-contrato com a pré-campanha petista por indicação do ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel, Ribeiro Jr. foi chamado a Brasília. Lanzetta procurava um araponga que o pudesse ajudar a localizar supostos espiões que estariam a vazar informações do comitê. O jornalista apresentou ao assessor de imprensa o ex-delegado Onézimo de Souza. Os três se encontraram em um restaurante de Brasília. O resultado todo mundo conhece.

Ribeiro Jr. atribui a uma briga por poder e dinheiro o desenrolar dessa história. Diz que Falcão, no intuito de derrubar Lanzetta, teria invadido seu computador e roubado os dados violados do tucano. Em seguida, o deputado petista teria procurado a revista Veja com o discurso de que teria impedido o surgimento da versão 2010 dos aloprados. Falcão nega “terminantemente”. À PF, o delegado Souza confirmou, porém, que o repórter Policarpo Júnior, de Veja, havia lhe dito que soubera do encontro no restaurante por intermédio de Falcão.  O caso então explodiu e levou ao afastamento de Lanzetta da pré-campanha de Dilma Rousseff.

São histórias da campanha eleitoral. Mas um fato continua inegável: Ribeiro Jr. trabalhava para o Estado de Minas, que custeou a maior parte das investigações contra Serra. É essa a fonte da violação de sigilo.

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