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Quem crê tem na Bíblia uma referência, diz Marina

por Redação — publicado 02/09/2014 09h51, última modificação 02/09/2014 11h50
“Estão tentando construir uma imagem de que sou uma pessoa fundamentalista”, disse a candidata em entrevista ao Jornal da Globo
Reprodução

A candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, afirmou na noite de segunda-feira 1º que "muita gente de má fé" está tentando transformar sua espiritualidade em fundamentalismo. Durante entrevista no Jornal da Globo, a ex-senadora foi questionada sobre o fato de recorrer a trechos da Bíblia para tomar decisões importantes. "Todos nós agimos com base na relação realista dos fatos, mas os seres humanos têm uma subjetividade", disse. "Uma pessoa que crê, obviamente que tem na Bíblia uma referência. Assim como tem na referência à arte, à literatura. Às vezes você pode ter um 'insight' assistindo um filme", afirmou.

De acordo com Marina, a ênfase em sua religião é "uma forma que as pessoas foram construindo, ou estão construindo, para tentar passar uma imagem" de que ela é fundamentalista. Segundo a candidata, a Bíblia é "uma fonte de inspiração para qualquer pessoa que é cristã".

Marina ainda falou sobre a polêmica envolvendo seu programa de governo no fim de semana, que passou por modificações nos trechos referentes aos direitos LGBTs. A candidata afirmou que não chegou a interferir no projeto. Segundo ela, o programa havia divulgado a íntegra as reivindicações dos movimentos sociais e não o resultado da discussão realizada dentro da campanha. "Vários setores mandaram contribuições e obviamente que nenhum setor colocou 100% das propostas. Eu mesma que sou ambientalista não iria ter a pretensão de que todas as propostas que eu apresentei iriam ficar ipsis litteris", disse ela. "Então o que aconteceu foi uma correção, porque houve uma mediação no debate."

Marina reforçou que o governo da Rede e do PSB irá apoiar o que já está definido na Constituição brasileira: é permitida a união civil entre pessoas do mesmo sexo, o casamento só está garantido para pessoas de sexos diferentes. O debate em torno da questão foi intenso entre candidata e jornalistas.

"Se eu fizer uma manchete dizendo: a candidata Marina Silva é a favor do casamento gay. Eu estou errado?", questionou Waack. "A manchete seria: Marina Silva é a favor da união civil entre pessoas do mesmo sexo", respondeu Marina.

A candidata ainda criticou o PL 122, que criminaliza a homofobia. O apoio ao projeto também saiu de seu programa. Segundo Marina, o texto do projeto não é claro. "A lei não faz a diferenciação adequada em vários aspectos. Por exemplo, ninguém pode defender a homofobia, qualquer forma de preconceito, discriminação. Por outro lado, você tem os aspectos ligados à convicção ou à manifestação de uma opinião. Você tem de separar isso", disse.

O debate também abordou a participação popular em um futuro governo da candidata. Segundo o jornalista, "uma herança do bolivarianismo que tem causado enormes prejuízos à América Latina". "Isso não tem nada a ver com bolivarianismo. Tem a ver com melhorar a qualidade das instituições”, rebateu a fundadora da Rede. “Eu sou a favor das duas coisas [participação do cidadão e manutenção das instituições democráticas]”.

Marina ainda reforçou seu compromisso em manter o tripé econômico, não aumentar impostos, mas dar eficiência aos gastos públicos e em não concorrer a uma possível reeleição em 2018.

A entrevista teve duração de 23 minutos e foi conduzida pelos jornalistas William Waack e Chistiane Pelajo. O próximo candidato a ser entrevistado será Aécio Neves, nesta quarta-feira. Dilma Rousseff decidiu não participar do ciclo de entrevistas do Jornal da Globo.