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Política

Aniversário do PT

Há 35 anos, a luta popular entrou em cena

por Rogério Sottili* — publicado 12/02/2015 17h09
A trajetória do partido trouxe as mudanças mais significativas que a classe popular pôde ter, sentir e vivenciar. Mudou a relação do brasileiro com seu cotidiano e seu futuro

Da organização de um partido que lutasse por uma relação justa entre homem e terra em Nova Prata (RS), passando pela militância com os movimentos sociais de base pela Reforma Agrária, no Congresso Nacional à época da Constituinte, na constituição da Secretaria Agrária do PT, trabalhei no governo federal durante dez anos, na Casa Civil, na Secretaria de Direitos Humanos da Presidência e mais recentemente pela Secretaria-Geral da Presidência, até ser convidado a compor a gestão municipal do prefeito Fernando Haddad.

Sei que minha trajetória é similar à de muitos companheiros e companheiras que assim como eu ajudaram a fundar o Partido dos Trabalhadores e desde então militam, no movimento social, na sociedade civil organizada ou nos governos e mandatos que o PT conquistou em prol de um projeto democrático e popular.

Ao sairmos vitoriosos das eleições de 2002, pela primeira vez, experienciamos o que era governar este País. Elencamos áreas prioritárias e estratégicas para o nosso projeto como o combate à fome, o fortalecimento e a expansão dos programas sociais como o Bolsa-Família, criamos o PAC, o Pronatec, o ProUni, o Mais-Médicos, o Ciências sem Fronteiras, o Minha Casa Minha Vida.

Aprovamos o PNDH-3, implementamos os mecanismos de combate à tortura, criamos a Política Nacional de Participação Social, o sistema de monitoramento de demandas sociais, entregamos o relatório da Comissão Nacional da Verdade, promovemos uma política de valorização real do salário mínimo, erradicamos o subregistro civil de nascimento, promovemos a reparação histórica dos hansenianos, instalamos o sistema de cotas na universidade pública, entre muitas outras conquistas para tantos brasileiros e brasileiras.

Também tivemos que lidar com a construção de uma governabilidade a duras penas, já que as elites brasileiras nunca aceitaram o fato de que um partido popular estivesse governando  ̶  especialmente em prol dos menos favorecidos. E o processo de governar também nos mostrou que é necessário entender que há tarefas do partido e há tarefas de governo – são compromissos distintos, mas complementares.

Por isso mesmo, nossa responsabilidade foi e é do tamanho do desafio que enfrentamos nesses anos todos e que continuaremos a enfrentar: o de fazer com que fortaleçamos, cada vez mais, nossos compromissos como partido e governo com a justiça social e a paz, com os direitos humanos e o espírito de promoção de uma cidadania inclusiva e diversa que carrega consigo, com trazer à tona nossa verdadeira memória histórica encoberta pelos anos da ditadura civil-militar, para continuar levando adiante um projeto de País cujo desenvolvimento social e humano esteja permanentemente em seu centro e em que a democracia em sua forma mais radical seja seu horizonte.

A história do PT é a história não de um partido vitorioso, mas de um povo vitorioso. Alcançamos, nesses anos, as mudanças mais significativas que a classe popular pôde ter, sentir e vivenciar. O diploma universitário e o carro não são mais exclusividades dos abastados e nem as viagens de férias. Ser médico, advogado ou engenheiro, morar em outro país, aprender outra língua, ser dono de um apartamento não são mais utopias da classe trabalhadora. Mudamos a relação do brasileiro com seu cotidiano e também com seu futuro.

A trajetória do Partido dos Trabalhadores, de seu surgimento aos dias de hoje, é algo único. Orgulho-me dos 35 anos do Partido dos Trabalhadores porque o PT se construiu como um patrimônio de toda a sociedade brasileira, dos movimentos sociais e de tantos outros batalhadores e batalhadoras que nessas últimas três décadas e meia lutaram por uma sociedade mais justa e igual.

À nossa frente agora temos dois grandes desafios. Pode ser que tenha chegado o momento onde precisaremos repensar nossas práticas, repactuar compromissos, fortalecer nossos ideais. Mas que esse processo nunca esteja descolado da reflexão a respeito do fato de que a tentativa de desconstrução do projeto de superação da desigualdade no País é algo permanente porque temos um setor da sociedade brasileira que não esteve, não está e não estará disposto a abrir mão de nenhum “privilégio”, e o conservadorismo não nos dará descanso.

E também precisamos entender que temos responsabilidade quanto à defesa desse projeto popular, que é ao mesmo tempo a defesa do nosso legado e do nosso futuro. E só o PT tem a capacidade de se repensar o quanto for necessário para renovar a confiança que o povo brasileiro sempre lhe depositou para cumprir essas tarefas históricas.

*Rogério Sottili é secretário-adjunto de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo.

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