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Satiagraha

Protógenes é condenado por vazar informações da Satiagraha

por Rede Brasil Atual — publicado 10/11/2010 16h52, última modificação 10/11/2010 17h18
Ex-delegado só deve se pronunciar após conversar com advogados; pena impede exercício de cargo público

Protógenes Queiroz, ex-delegado da Polícia Federal e deputado federal eleito pelo PCdoB-SP, foi condenado a três anos e quatro meses de prisão. Ele é acusado de violação de sigilo funcional e fraude processual durante a Operação Satiagraha. O juiz da 7.ª Vara Criminal Federal em São Paulo, Ali Mazloum, aceitou substituir a pena por serviços à comunidade, "preferencialmente de atendimento a queimados".

Protógenes pretende recorrer. Em viagem à Espanha, a trabalho como consultor da Federação Internacional de Futebol (Fifa), o ex-delegado só deve se pronunciar após falar com seus advogados. As informações foram concedidas à Rede Brasil Atual pelos assessores do deputado eleito.

Com a decisão, ele não poderia assumir o mandato de deputado, cargos eletivos, nem função ou atividades públicas. O advogado de defesa Adib Abdouni vê possibilidades de reverter a sentença. "Vamos recorrer para que ele seja absolvido. A Satiagraha foi um trabalho de repercussão nacional porque a investigação foi muito bem feita", disse à Agência Estado.

A Satiagraha investigou um esquema de evasão de divisas e lavagem de dinheiro envolvendo grandes empresários. A operação ganhou notoriedade porque, em julho de 2008, Daniel Dantas, do grupo Opportuniry, e Naji Nahas, investidor do mercado financeiro, foram presos junto de outras 15 pessoas. O episódio teve repercussão nacional.

A conduta de Protógenes foi questionada em investigação interna da própria Polícia Federal. O inquérito sustenta que foram empregados 80 integrantes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) na investigação. Embora defendida pelo ex-delegado, o procedimento é classificado como "arapongagem" e ações "típicas de regimes totalitários" pelo juiz Mazloum.
Livro e eleição

Críticas ao relatório de Protógenes e suas relações com a imprensa renderam até livro. O jornalista Raimundo Pereira, da Retrato do Brasil, lançou o livro "O escândalo Daniel Dantas, duas investigações", em que usa termos como "besteirol" e "rol de disparates" para qualificar o trabalho investigativo. O volume foi lançado em setembro deste ano.

Protógenes conseguiu 94,9 mil votos para deputado, o que lhe garantiu uma vaga, em função da conquista de mais cadeiras pela coligação a que pertencia. Na campanha, a prisão de Dantas e de figuras públicas como o ex-prefeito Paulo Maluf (PP-SP).

*Matéria publicada originalmente na Rede Brasil Atual

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