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Protesto contra Cunha e ajuste fiscal reúne milhares em Brasília

por Rede Brasil Atual — publicado 13/11/2015 21h37
Organizadores calculam que 10 mil pessoas participaram da manifestação, que pediu mudanças na política econômica e reação ao conservadorismo
Lula Marques/Agência PT
Protesto Cunha

"Sem Cunha, sem novos golpes”, gritavam os manifestantes em alusão às articulações do presidente da Câmara

Dez mil pessoas, segundo os organizadores, ocuparam a área principal da Esplanada dos Ministérios entre as 11h e as 14h desta sexta-feira 13, para protestar, principalmente, contra o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A polícia falou em 5 mil. O ato convocado pela Frente Brasil Popular também criticava as tentativas da oposição pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff, ao mesmo tempo em que pedia mudanças na política de ajuste fiscal.

Segundo o presidente da CUT, Vagner Freitas, era uma manifestação pela democracia. "Uma série de ações golpistas vem daqueles que não aceitam o resultado da eleição e que construíram uma crise política, que gera uma crise econômica, porque o país está parando, e os prejudicados são os trabalhadores", afirmou. Ele também criticou o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, dizendo que ele deveria "pegar o boné e ir para casa". "O ajuste fiscal travou o mundo e não queremos que trave o Brasil."

Mas o destaque era mesmo o presidente da Câmara. Faixas e cartazes diversos afirmavam que o país não deve permitir que seja dado "mais um golpe" por Eduardo Cunha, em meio a suas manobras para permanecer no cargo. "Sem Cunha, sem novos golpes”, gritavam os manifestantes, numa clara alusão às articulações feitas pelo deputado nos últimos dias para atrasar o rito das votações do Conselho de Ética, em que corre o processo que investiga o seu caso.

A presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Carina Vitral, disse que a Frente Brasil Popular pretende realizar outros atos nacionais pela democracia. “Nossa luta é ampla. Queremos a melhoria da educação, queremos impedir o retrocesso no país e queremos, principalmente, que a democracia prevaleça. E só com a pressão popular, a força das ruas em manifestações como esta daqui, conseguiremos fazer valer nossos direitos", acentuou.

Embora a manifestação tenha sido pacífica do início até o fim, o Congresso Nacional poucas vezes ficou tão cercado de seguranças legislativos, policiais militares e reforços da tropa de choque da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal. Todo o aparato atendia a pedido da presidência da Câmara. Os policiais ainda fizeram barreira em toda a área que dá acesso à chapelaria do Senado, por onde os manifestantes pretendiam entrar.

Com a passagem barrada, os manifestantes demonstraram não ver problema: os três minitrios elétricos que se preparavam para entrar no local deram a volta e prosseguiram pelo outro lado da Esplanada. "Criar confusão não é o nosso interesse. Nosso interesse é chamar a atenção dos brasileiros para que façam como nós e venham para as ruas. Não que vão para as ruas como a direita faz, para pedir golpe, mas para mostrarmos quem são os que realmente alimentam a corrupção no país", afirmou o economiário Edilson Araújo.

O diretor da Federação Única dos Petroleiros (FUP) João Antônio de Moraes defendeu o fortalecimento da Petrobras. Ele criticou a atual gestão da companhia, ressaltando que o corte de investimentos "compromete a economia brasileira".  "Reduzir investimentos para a Petrobras significa mergulhar o Brasil numa recessão", acrescentou.

A presidente da União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes), Bárbara Melo, acentuou que Eduardo Cunha representa “o que há de mais podre na nossa política” e pediu a saída do deputado do cargo. "Estudantes de todo o país devem sair de casa para reivindicar seus direitos. Não podemos deixar o retrocesso e as atitudes golpistas dominarem o Brasil", frisou.

Conforme informou a coordenação do movimento, as caravanas começaram a chegar à cidade desde a noite de quarta-feira 11, de estados como Amapá, Bahia, Espírito Santo, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Goiás, Tocantins, Minas Gerais, Amazonas e Alagoas. "Ô Cunha, vem, que nós tamos fervendo. Quer desafiar, não tô entendendo. Mexeu com os estudantes vai sair perdendo”, gritava uma das coordenadoras da chamada Primavera das Mulheres Camila Souza, que veio de São Paulo para a manifestação.

Diante do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, Maria das Neves Fonseca,uma representante do Movimento Nacional da Juventude, pediu a palavra para também atacar o deputado. A militante afirmou que Cunha representa os responsáveis pela onda conservadora de ódio, machismo e racismo que tem sido observada os últimos tempos. “Não aceitaremos qualquer retrocesso”, destacou.

Um grupo de São Paulo protestou contra o fechamento de escolas, por parte do governador Geraldo Alckmin (PSDB), e levou faixas de solidariedade aos estudantes.

“Sou da periferia de São Paulo e digo para vocês que não estamos aqui sem discurso, só para pedir a saída do presidente da Câmara. Queremos que haja maior conscientização na votação das matérias legislativas que dizem respeito ao nosso futuro. Posso dizer com conhecimento de causa: a juventude pobre não quer a redução da maioridade penal, o que queremos são mais políticas educacionais, de inclusão social e que levem à redução da violência”, discursou o jovem Pedro Camargo.

"O Brasil precisa de uma resposta da esquerda brasileira que está já há alguns meses empunhando a bandeira #ForaCunha. Essa determinação ficou ainda mais forte depois que o Ministério Público da Suíça mandou para as autoridades brasileiras documentos comprovando que o deputado tem contas secretas naquele país”, disse Vagner Freitas.

Outras manifestações foram organizadas pelo país.