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Política

Corrupção

Promotor denuncia tesoureiro do PT no caso Bancoop

por Ricardo Carvalho — publicado 20/10/2010 13h48, última modificação 20/10/2010 14h03
João Vaccari Neto é acusado por gestão fraudulenta e formação de quadrilha. Advogados negam e apontam oportunismo eleitoral

João Vaccari Neto é acusado por gestão fraudulenta e formação de quadrilha. Advogados negam e apontam oportunismo eleitoral

Foi formalizada, no início da tarde da terça-feira 19, a acusação contra o tesoureiro do PT João Vaccari Neto, pelo caso Bancoop (Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo). Vaccari Neto, que presidiu a cooperativa até março de 2009, é acusado com mais cinco pessoas de desviar dinheiro da cooperativa e praticar caixa dois. No documento de 81 páginas, o promotor José Carlos Blat, autor da denúncia durante depoimento à CPI na Assembléia Legislativa de São Paulo, afirma que os recursos desviados podem ter tido objetivos eleitorais. “A utilização da empresa fantasma Mizu Gerenciamento serviu para a captação de recursos da Bancoop e destinação para campanhas políticas eleitorais do PT”, afirmou.

O advogado da Bancoop, Pedro Dallari, rechaçou as denúncias feitas por Blat. “O inquérito foi instaurado em 2007. E desde então o promotor nunca ouviu os diretores da cooperativa. Agora, mesmo sem ter ouvido os diretores e faltando 10 dias para o segundo turno, eles fizeram a acusação, o que claramente configura uso para aspectos eleitorais”, disse. O advogado classificou de fantasiosas as denúncias. “Ele (Blat), alega que a cooperativa está endividada já que contraiu empréstimos no valor de 45 milhões de reais. Se tivesse chamado os diretores, ficaria sabendo que a Bancoop tem créditos que ultrapassam 100 milhões de reais”.

O advogado do tesoureiro do PT, Luiz Flávio Borges D’Urso, afirma que a denúncia é infundada. “A gestão Vaccari foi inegavelmente a mais transparente e correta que a cooperativa já teve”. Ele lembra que há anos o promotor vem a público imputar João Vaccari Neto. “Sempre pedimos que o Blat fizesse a denúncia para mostrarmos que a acusação não procede. Agora, vamos mostrar que trata-se de uma denúncia infundada”.

Durante o depoimento, o promotor afirmou que as investigações mostraram a utilização de100 mil reais para custear hospedagem de luxo para a direção da cooperativa assistir ao Grande Prêmio de Fórmula 1, em São Paulo. Ele ainda ressaltou que o rombo nos cofres da Bancoop e os prejuízos causados aos cooperados podem chegar a 170 milhões de reais.

“A cooperativa acabou servindo a um pequeno grupo criminoso, e não aos seus milhares de cooperados. A falta de recursos da Bancoop se deve única e exclusivamente aos desvios fraudulentos”, disse Blat. Ele citou uma empreiteira que recebeu 80 milhões de reais para trabalhos à cooperativa, mas a movimentação financeira da empresa aponta ganhos que não ultrapassam 35 milhões de reais. Segundo ele, isso configura a prática de caixa dois.

Investigada desde 2007, a Bancoop teria como fim facilitar à categoria dos bancários a compra de imóveis a preço de custo. Os cooperados, entretanto, reclamam não ter recebido as chaves, mesmo depois do pagamento. O advogado de João Vaccari Neto questiona a afirmação. Segundo ele, há casos de inadimplência entre os cooperados que atrasam ou até inviabilizam a construção dos edifícios e isso não configura crime. Já Pedro Dallari ressalta que a Bancoop realizou obras para seis mil unidades habitacionais, sendo que apenas 500 faltam ser concluídas.

O tesoureiro João Vaccari Neto é acusado por gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e formação de quadrilha.

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