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Política

Greve dos Professores

Professores param SP e Alckmin reconhece greve

por Wanderley Preite Sobrinho — publicado 27/03/2015 21h01, última modificação 27/03/2015 21h39
Após marcha de 60 mil pessoas, segundo a Apeoesp, secretário de Educação pediu encontro
Ana Chiavegatti/CartaCapital
Manifestação, greve dos professores

Embora tenha parado o centro expandido, PM estimou 10 mil pessoas. Grevistas falam em 60 mil

Depois de levar 30 mil pessoas para as ruas na semana passada, os professores grevistas do ensino público do estado de São Paulo pararam o centro expandido da capital nesta sexta-feira 27 com 60 mil grevistas, segundo o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp).  A Policia Militar estima 10 mil pessoas.

Os professores pedem um aumento de 75,33%, percentual necessário para equiparar a margem salarial da categoria com a de outras profissões com nível superior e mesma jornada de 20 horas semanais.

A concentração para o ato iniciou-se às 13h no vão do Masp, na avenida Paulista. Uma assembleia decidiria se a greve acabaria naquela tarde ou prosseguiria até a próxima semana. Em pouco tempo, os arredores do museu estavam tomados.

Por volta das 15h, a presidenta da Apeoesp, Maria Izabel Noronha, subiu em um carro de som, tomou o microfone e abriu a decisão para os grevistas, que preferiram estender a paralisação até a próxima quinta-feira 2, quando uma nova assembleia decidirá os rumos da greve na praça da República, onde fica a sede da Secretaria Estadual de Educação.

O carro de som também serviu para mandar um recado. Segundo Maria Izabel, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) finalmente admitira a existência da greve ao pedir que o secretário da pasta, Herman Cornelis Voorwald, receba em seu gabinete a Apeoesp na próxima segunda-feira às 11h. “Não iremos negociar sozinhos, queremos os professores protestando em frente ao prédio”, convocou a presidenta.

Animada com a quantidade de gente, a professora aposentada Maria Eleuza Nascimento, 72 anos, saiu de casa para engrossar o protesto, que em pouco tempo seguiria em marcha até a Secretaria. “Quando eu estava na ativa, participava das greves. Agora que está muito maior, eu não iria deixar de dar apoio. Participo porque não quero que os professores do futuro sofram o que eu sofro com a baixa remuneração.”

Com 18 anos de profissão e mestrado, a professora Cassiana de Souza Perez, 40 anos, lamenta o salário de pouco mais de 3 mil reais que recebe. “Ganho isso porque fiz mestrado. Sabe quanto meu salário valorizou com o diploma? 200 reais.”

Cassiana diz, no entanto, que sua motivação maior é chamar a atenção da população para a necessidade de uma reforma no ensino público. É a mesma intenção da professora Daniela Cappucci, 41 anos, que paga do bolso a impressão das provas que aplica a seus alunos. “As portas não fecham, as paredes têm buracos e falta papel higiênico. Se o aluno precisar usar o banheiro, ele traz papel de casa.”

Às 16h10, um dos carros de som anunciou o início da caminhada. Uma multidão saiu em passeata. As avenidas do entorno ficaram congestionadas a ponto de alguns motoristas desligarem seus carros. Foram necessárias quase duas horas para que todos os manifestantes chegassem à Secretaria. “Ainda tem gente no meio da rua Consolação”, anunciava o caminhão de som estacionado na praça da República.

Marchando na rua com os outros manifestantes, a presidenta do sindicato parou para conversar com a reportagem. Disse que aproximadamente 130 mil professores em todo o estado estão de braços cruzados, o que representa 75% de adesão, número 28 vezes maior do que informava o governador em entrevista coletiva na última quarta-feira 25: "Não está tendo greve, a verdade é essa. Você tem 2,6% [de adesão], é falta normal”.

De acordo com Maria Izabel, a única proposta do governo do estado foi a concessão de um bônus de 10,5% para 10 mil professores com bom rendimento em uma prova específica. Os outros 220 mil profissionais da rede estadual permaneceriam sem reajuste.

A dirigente ironizou o silêncio do governo e a ausência das manifestações na televisão. “Não adianta a Globo fazer matéria sobre a educação ideal se não mostrar como ela é agora.”

Por volta das 18h30 a dispersão começou. “Será temporário”, previu a professora Jacqueline dos Santos, de 42 anos e 20 de profissão. “Segunda-feira estarei aqui para a reunião com o secretário e na assembleia de quinta-feira seremos 100 mil.”