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Pobre Dilma

por Plínio Arruda Sampaio — publicado 28/12/2010 10h18, última modificação 28/12/2010 10h27
Está em todos os jornais: Lula anuncia sua candidatura a Presidente da República. Confirma-se assim o que temos dito a respeito da “invenção” da Dilma. Por Plínio Arruda Sampaio

Está em todos os jornais: Lula anuncia sua candidatura a Presidente da República. Confirma-se assim o que temos dito a respeito da “invenção” da Dilma.

Temeroso de que a mosca azul morda a Presidenta, e que esta decida pleitear a re-eleição, Lula apressou-se em adverti-la de que, em 2014, ele voltará a disputar a Presidência da República.

Hipocritamente, Lula cita vários companheiros que poderão ser candidatos em 2014, mas todos sabem que ai daquele que acreditar nas suas palavras.

Candidatar-se em 2014 é direito dele, mas um desastre para a nova administração.

Imaginem a Presidenta governando e Lula correndo o país inteiro, em campanha eleitoral, a interferir, fazer críticas, apoiar demandas, indicar candidatos a postos no governo.

Vai ser o caos. Maior ainda se a atual bonança propiciada paradoxalmente pelos efeitos benéficos da crise mundial na economia brasileira se transformarem numa crise de grande porte – coisa perfeitamente previsível, tendo em vista que, se a situação econômica melhorar um pouco na Europa, os capitais que correram para nossas Bolsas de Valores a fim de obter lucros financeiros com os juros elevados que praticamos aqui, evaporem-se do dia para a noite.

Já defendi as criaturas que se rebelam contra o criador. São estes os que tornam a rebelião uma necessidade. Pois a síndrome da rebelião reproduz-se mais uma vez.

Não há nada a fazer. É só esperar.

O que se pode fazer é organizar uma oposição eficaz ao novo governo. Este será obrigado a tomar medidas contra o povo, pois é isso que Lula vai exigir da Presidenta. Aliás, o “saco de maldades” já foi aberto: antes mesmo de tomar posse, Dilma, contrariamente ao que falou durante a campanha eleitoral, anunciou apoio à volta da CPMF e o corte de um bilhão e quatrocentos bilhões do orçamento da educação.

Oposição eficaz consiste em organizar o povo para resistir, nas ruas, a esse tipo de medidas. Na França, Itália, Inglaterra, a massa trabalhadora está nas ruas, enfrentando a polícia, para protestar contra restrições aos seus direitos – restrições, de resto, muito menos graves que as que estão sendo cometidas contra os trabalhadores brasileiros.