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Política

Ministério da Agricultura

Rossi era da cota ministerial de Temer

por Redação Carta Capital — publicado 17/08/2011 21h14, última modificação 18/08/2011 09h36
Dos quatro ministros de Dilma demitidos, Wagner Rossi, Alfredo Nascimento e Nelson Jobim eram de partidos aliados

Nesta quarta-feira 17, a presidenta Dilma Rousseff viu seu quarto ministro cair em apenas oito meses de governo. A bola da vez foi Wagner Rossi, da Agricultura, que por semanas foi alvo de denúncias envolvendo tanto a pasta que comandava quanto seu passado na Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).

Wagner Rossideixa o ministério um ano e quatro meses após assumi-lo. Aos 68 anos, tem quase 50 de amizade com o vice-presidente da República, Michel Temer, que o indicou ao cargo. Rossi era, portanto, da cota do PMDB dos ministérios.

Dos quatro ministros demitidos por escândalos de corrupção, só Antônio Palocci, que caiu por conta de denúncias de conflito de interesses, era do PT. Alfredo Nascimento, dos Transportes, era do PR e caiu por conta dos esquemas de corrupção que dominavam os principais setores de sua pasta. Nelson Jobim, também ligado ao PMDB, foi o único que não caiu por suspeitas de ilegalidades: foi demitido por sua língua ferina contra integrantes do governo do qual fazia parte.

Acuado por denúncias, Wagner Rossi cai de maduro

A denúncia que foi o último capítulo para o expurgo de Rossi, que estava no governo desde abril de 2010, ainda no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, foram viagens a bordo de um jatinho da Ourofino Agronegócios, empresa que têm contrato com o governo para ceder vacinas contra a febre aftosa. A partir do acordo com o Ministério da Agricultura, o faturamento da Ouro Fino aumentou 81%. De acordo com a denúncia da revista Veja, um dos donos da Ouro Fino é Ricard Saud, assessor de Rossi. Definitivamente, pegar um jatinho de uma empresa beneficiada em contrato de seu ministério não pegou nada bem.

As denúncias também dão conta de que havia um lobista chamado Júlio Fróes atuava dentro do Ministério da Agricultura. Fróes analisava processos de licitação de antemão e, acompanhando por Milton Ortolán, assessor "pau para toda obra" de Rossi, dava um jeitinho de conseguir os contratos certos para as empresas certas. Em um desses casos, sempre segundo as denúncias, Fróes conseguiu a assinatura do ministro para contratar sem licitação os serviços da Fundação São Paulo (Fundasp), que controla a PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo. O beneficiário deste contrato teria sido o próprio Júlio Fróes.

Uma terceira denúncia envolve o tempo em que Wagner Rossi era presidente da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), orgão sob o respaldo do Ministério da Agricultura. Em 2007, a empresa doou 100 mil toneladas de feijão para a prefeitura de João Pessoa. O destino deveria ser as famílias de baixa renda da cidade, que à época era comandada por Ricardo Coutinho (PSB). No entanto, como haveria eleições municipais no ano seguinte, a prefeitura, segundo as denúncias, resolveu estocar o feijão até uma data mais próxima da eleição. A partir de uma denúncia, a Polícia Federal iria dar uma batida para caracterizar o flagrante de descaso do poder público. Antes que isso acontecesse, funcionários da prefeitura despejaram as 100 toneladas de feijão no aterro sanitário de João Pessoa.

A estratégia de distribuir alimentos em troca de poder político, segundo as denúncias, era praxe sob a gestão de Wagner Rossi como presidente da Conab. Ele também foi acuso desta prática para conquistar votos para seu filho Baleia Rossi, deputado estadual pelo PMDB.

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