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Política

Aumento salarial

Plínio Arruda Sampaio: A farsa do Salário Mínimo

por Plínio Arruda Sampaio — publicado 03/09/2010 10h49, última modificação 03/09/2010 11h37
"Em uma campanha eleitoral com candidados censurados pela grande mídia, não há espaço para dizer a verdade ao povo"

Em uma campanha eleitoral com candidados censurados pela grande mídia, não há espaço para dizer a verdade ao povo

Entre vivas e boas, o governo anunciou o novo salário mínimo de 538 reais – “o maior dos últimos tempos”. Segundo o Dieese, para equivaler ao salário mínimo decretado por Getulio Vargas, em 1941, o valor teria que ser de 2.130 reais. Como nesse país não se preserva a memória histórica, o que é uma vergonha passa a ser visto como uma façanha.

O salário mínimo estabelecido por Vargas foi calculado com base nos preços de uma cesta básica considerada, na época, indispensável à manutenção da família do trabalhador- um padrão de vida digno.

Alega-se, na defesa do indefensável, que a economia não resistiria a reajuste superior porque, dada a vinculação do valor das aposentadorias ao salário mínimo, um reajuste maior do que os miseráveis 28 reais provocaria a inadimplência dos governos estaduais e municipais.

Trata-se de evidente sofisma e desrespeito às pessoas idosas.

Salário mínimo maior significa aumento da demanda. Como a economia em recessão dispõe de capacidade produtiva ociosa, o aumento da demanda não terá efeito inflacionário e provocará aumento da receita tributária de estados e municípios.

Jogar a culpa da impossibilidade de aumentar o valor do salário mínimo nas pessoas idosas, além de uma ignorância é uma deslavada mentira, que serve apenas para ocultar a verdadeira razão do arrocho: a necessidade de criar superávits fiscais enormes, a fim de pagar elevados juros aos credores do Estado.

A farsa precisa ser denunciada para que a impostura não possa prevalecer.

Pena é que, numa campanha eleitoral formatada para impedir o debate, os candidatos populares, censurados pela grande mídia, não têm espaços para dizer a verdade ao povo.

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