Você está aqui: Página Inicial / Política / PF prende nº 2 do Turismo

Política

Operação Voucher

PF prende nº 2 do Turismo

por Redação Carta Capital — publicado 09/08/2011 19h54, última modificação 10/08/2011 09h46
O secretário-executivo do ministério, Frederico Silva da Costa, e outras 37 pessoas foram detidas por supostas fraudes
PF prende número 2 do Turismo

Funcionários do Ministério do Turismo presos pela Operação Voucher, da Policia Federal, são transferidos transferidos para o estado do Amapá

O secretário-executivo do Ministério do Turismo, Frederico Silva da Costa, e outras 37 pessoas foram presas nesta terça-feira 9 durante uma operação da Polícia Federal realizada em conjunto com o Tribunal de Contas da União e com o apoio do Ministério Público Federal.

A ação, batizada como Operação Voucher, investiga supostos desvios de recursos públicos destinados ao ministério por meio de emendas parlamentares ao Orçamento da União.

Ao todo, 200 policiais federais participaram da ação. Eles cumpriram 19 mandados de prisão preventiva e 19 de prisão temporária, além de sete mandados de busca e apreensão nos estados do Amapá e São Paulo, além do Distrito Federal. Além do secretário-executivo, foram detidos servidores públicos, diretores e funcionários do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento de Infraestrutura Sustentável – Ibrasi; o secretário nacional de Programas de Desenvolvimento do Turismo, Colbert Martins; o ex-presidente do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), Mário Moisés; e empresários.

De acordo com nota divulgada pela PF, as investigações indicam fortes indícios de desvios de recursos públicos na execução de convênios feitos pelo ministério para capacitação profissional.

As pessoas envolvidas no esquema criminoso serão indiciadas, de acordo com as devidas participações, pelos crimes de formação de quadrilha, peculato e fraudes em licitação. As penas para tais crimes podem chegar a doze anos de reclusão.

Durante a ação, os agentes apreenderam 610 mil reais em espécie na sede do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento de Infraestrutura Sustentável (Ibrasi), em São Paulo. De acordo com o delegado Paulo de Tarso Teixeira, a investigação começou em abril, depois de um levantamento do TCU encontrar irregularidades no contrato firmado entre o Ministério do Turismo e o Ibrasi. “O dinheiro era repassado ao Ibrasi. Havia fraude de licitações e a participação de várias empresas, algumas fictícias [que integram o esquema criminoso]”.

O convênio, no valor de 4,4 milhões de reais, foi assinado em dezembro de 2009 e tem vigência até o dia 24 de setembro de 2011. Teixeira estima que dois terços dos recursos foram desviados pela quadrilha.

As 19 pessoas presas preventivamente serão levadas para a Superintendência da Polícia Federal de Macapá, onde serão interrogadas.

“A investigação está tramitando em segredo de Justiça. A operação foi voltada para reprimir o desvio de verbas públicas e a prática de corrupção. É um trabalho feito em conjunto com o Ministério Público Federal e o Tribunal de Contas da União”, disse o delegado.

Repercussão

No governo, as prisões e as supostas irregularidades no ministério foram relatadas como motivo de surpresa. “Nós fomos surpreendidas hoje pela manhã, quando na reunião que teríamos com ela [a presidenta Dilma Ropusseff] para preparar o ato e o acordo do Supersimples, que seria apresentado”, disse a ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti.

A ministra isentou o ministro do Turismo, Pedro Novaes, de possíveis acusações de que teria conhecimento do esquema desmontado pela PF. Segundo Ideli, Novaes ainda não ocupava o cargo quando o convênio para qualificações profissionais, que motivou as investigações, foi firmado. “O convênio base desta operação é de 2009. O ministro não tem portanto qualquer relação”, declarou.

Apesar disso, Ideli Salvatti disse que os que tiverem sua participação no esquema comprovada devem ser punidos. Segundo ela, o governo aguarda o fim do inquérito da polícia para se posicionar. “Nós estamos aguardando o desenrolar das investigações. Operação da Polícia Federal é igual decisão judicial, você acompanha e cumpre”, disse.

Apesar da operação da PF, ministra disse que o foco do governo está na crise econômica internacional. Segundo Ideli, que esteve no Senado na tarde de hoje, é importante acompanhar as denúncias de corrupção que têm surgido, mas as forças do governo estão concentradas na área econômica.

“A nossa principal preocupação neste momento é tomar as medidas para que o Brasil continue blindado. Por mais grave ou sério que seja outro problema, é claro que vamos acompanhar, mas em hipótese alguma podemos desviar o foco principal”, declarou.

Com informações da Agência Brasil

registrado em: