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Política

Eleições 2014

Pesos-pesados disputam vaga de São Paulo no Senado

por Renan Truffi publicado 15/07/2014 04h47, última modificação 15/07/2014 05h02
Eduardo Suplicy (PT), atual dono do cargo, enfrentará o ex-governador José Serra (PSDB) e o ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD)
Montagem: José Cruz/ABr, Cris Castelo Branco/Governo do Estado de SP, Willian Alves/Campus Party
Suplicy, Serra e Kassab

Três principais candidatos são velhos conhecidos dos paulistas

Uma vaga para dez candidatos. Assim será a disputa para o Senado Federal em São Paulo. Como nestas eleições a Casa vai renovar apenas um terço das suas cadeiras, a disputa deve ser acirrada. E os três principais candidatos são velhos conhecidos dos paulistas: Eduardo Suplicy (PT), que ocupa o cargo desde 1991 e tenta a reeleição para o quarto mandato, José Serra (PSDB), ex-governador de São Paulo, e Gilberto Kassab (PSD), ex-prefeito da capital paulista.

Além do trio, a disputa conta ainda com Marlene Oliveira de Campos Machado (PTB), mulher do deputado estadual Campos Machado, Luis Fernando Amaral Lucas (PHS), Carlos Alberto dos Santos (PV), Ricardo Simon Flaquer (PRTB), Ana Luiza (PSTU), Juraci Baena Garcia (PCO) e Edmilson Silva Costa (PCB). No total, os dez candidatos vão desembolsar juntos mais de 110 milhões de reais com gastos para comunicação das propostas e divulgação da história de cada um.

Se tem alguma vantagem por estar no cargo há 23 anos, Suplicy sai atrás de seus adversários no quesito gastos de campanha. De acordo com os dados divulgados pelo Tribunal Regional Eleitoral, Serra vai investir até 30 milhões de reais, Kassab estima usar outros 28 milhões de reais, enquanto que o petista calcula em no máximo 15 milhões de reais os custos da divulgação da candidatura no Estado. Na opinião do petista, isso não significa necessariamente uma desvantagem, pois se considera bastante conhecido pelo eleitorado.

“[Esse dinheiro] é além do que eu preciso para ter um excelente desempenho”, diz Suplicy. “A minha campanha está sendo realizada desde o primeiro dia do meu mandato, o que faz com que eu tenha tido quatro milhões de votos em 1990, seis milhões em 1998, também decorrente do trabalho de senador, e oito milhões em 2006. É tudo decorrente do dos meus mandatos”, explica.

PT x PSDB?

Suplicy admite que pretende polarizar, justamente, com o candidato que mais vai investir em campanha: José Serra. Por isso, contra o tucano, o discurso já está bem afiado. Não é preciso muito tempo de entrevista para que Suplicy lembre que o ex-governador não cumpriu nenhum de seus últimos mandatos até o final.

“Os eleitores se perguntam como ele não completou qualquer um dos mandatos [prefeito e governador de São Paulo]”, diz. “Já falaram que se o Aécio ganhar, ele será um dos ministros”, cutuca Suplicy sobre a possibilidade de Serra nem assumir o cargo no Senado caso seu companheiro se partido seja eleito presidente. O tucano, inclusive, chegou a anunciar que seria candidato a deputado federal, mas voltou atrás quando Kassab desfez a aliança com o PSDB e abandonou a possibilidade ser vice na chapa do governador do Estado, Geraldo Alckmin.

Kassab tem outra estratégia. Ele planeja correr por fora no debate polarizado. Ao contrário de Suplicy, Kassab tenta evitar comparações ou críticas com Serra ou com o petista. Isso porque o fundador do PSD já foi vice do tucano e atualmente é aliado da presidenta Dilma Rousseff (PT) no plano federal. “Cada um vai mostrar a sua visão, o que defende”, diz Kassab. “Cada um vai ter suas propostas e o eleitor vai ver com qual se identifica. Vou fazer campanha sem olhar para o lado. Vou constituir uma campanha com minha equipe. Não vou olhar para o lado do Serra”, responde quanto questionado sobre como explicar para o eleitor sobre o que o diferencia do tucano.

Suplentes

As críticas de que algum dos candidatos pode não cumprir o mandato até o final acendem o alerta para quem são os suplentes dos principais nomes para a disputa. Como o mandato de senador é de oito anos, é comum que políticos façam acordo com outros partidos, antes mesmo da eleição, para largar o mandato em determinado momento a fim de que aliados ganhem evidência política. Nenhum candidato, entretanto, concorre afirmando que vai deixar o cargo.

O primeiro suplente de Serra é o deputado federal e ex-secretário de Energia do governo Alckmin José Aníbal (PSDB-SP). O aliado, no entanto, teve seu nome citado no esquema do cartel com Siemens e Alstom para superfaturamento de trens da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e do Metrô de São Paulo. O segundo suplente é o vereador Atílio Francisco (PRB), bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus.

Suplicy, por sua vez, colocou como primeiro suplente o Presidente estadual do PR, José Tadeu Candelária, em troca do apoio do partido à candidatura do petista Alexandre Padilha (PT) ao governo de São Paulo. Enquanto que o posto de segundo suplente é de Rozane Maria de Sena, a Zaninha, que compõe a Executiva Estadual do PT em São Paulo.

Já Kassab colocou uma antiga aliada no posto de primeira suplente. Alda Marco Antonio, também do PSD, foi sua vice no mandato à frente da Prefeitura de São Paulo. O segundo suplente é Alfredo Cotait Neto, ex-secretário de Relações Internacionais de Kassab. Neto, inclusive, tem experiência no posto. Ele assumiu o mandato, durante alguns meses, no lugar do senador Romeu Tuma (PTB-SP), quando este morreu em outubro de 2010.

A reportagem de CartaCapital procurou José Serra para entrevistá-lo sobre a disputa e as expectativas em torno da campanha, mas, por meio da assessoria de imprensa, ele avisou que não daria entrevista.