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Política

Liberdade de expressão

Criticar também pode

por Sergio Lirio publicado 29/09/2011 13h40, última modificação 29/09/2011 18h39
Se o politicamente correto limita a 'criatividade', o politicamente incorreto virou um disfarce para a burrice e a preguiça mental

O site de CartaCapital a um comercial da Hope com . Foi o suficiente para que se abrisse a caixa de ofensas contra nós. É preciso explicar alguns pontos:

1. O site reproduziu críticas ao comercial, de inegável tom sexista (o que, em princípio, não o desqualifica). Choveram reclamações a nossa “postura politicamente correta” ou a nossa verve “stalinista”. Não é a primeira vez que propagandas são criticadas e, como um veículo de comunicação, nos limitamos a reproduzir as observações ou demos espaços a quem não gostou da peça publicitária. Tentar impedir essas críticas não seria, portanto, um ato de censura que aqueles que nos atacam tanto dizem abominar? A liberdade de expressão não é universal? Não se funda em três pilares: é permitido a qualquer indivíduo falar o que quer, estar pronto para ouvir o que não quer e buscar a Justiça quando se considerar ofendido? Ou só vale para quem pensa como a gente?

2. Não defendemos em nenhum momento que o comercial fosse retirado do ar. Se uma secretaria ligada ao governo federal decidiu interpelar o Conar a respeito, isso não nos diz respeito. E se o Conar decidir proibir sua veiculação, igualmente. Noticiaremos os fatos.

3. Fazer piadas “politicamente incorretas” ou valer-se de “tiradas fáceis” não é necessariamente um sinal de criatividade. Antes é um demonstração de preguiça, pois a maioria esmagadora delas já foi feita nos últimos séculos (em geral com mais brilhantismo). Os publicitários – e alguns que se consideram humoristas - acham que seu trabalho tem sido tolhido pela falta de humor e de “inteligência” de uma porção “soviética” dos receptores das mensagens. Talvez o problema seja outro: a criatividade anda em falta, a se tomar como base certas propagandas e certos programas ditos humorísticos. Qualquer chimpanzé seria capaz de produzir algo melhor do que tem sido vendido, a peso de ouro, como fruto da genialidade dos “criativos”. Nem se fale naqueles que acham divertido reanimar preconceitos contra minorias (estes, quase geralmente, lambem as botas dos poderosos. Parece um traço de personalidade: o sujeito pisa nos de baixo enquanto se segura nas bolas de quem está acima). E não estamos falando aqui do comercial da Hope, antes que alguém resolva tomar o todo pela parte.

4. Se uma empresa quer pagar uma fortuna e ligar sua imagem a uma bobagem pretensamente engraçada, o problema é dela. Corre o risco de ser criticada ou, no mínimo, de não ser entendida. Faz parte dos ruídos da complexa comunicação entre os seres humanos – aliás, empresas pagam uma fortuna para, inclusive, serem amplamente aceitas. Mas às vezes não funciona, não é mesmo?

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