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Política

Há 1 dia sem degola

Pedro Novais, o 5º ex-ministro

por Matheus Pichonelli publicado 14/09/2011 20h38, última modificação 15/09/2011 10h31
Uso de funcionários da Câmara dos Deputados para serviços pessoais derruba o titular do Ministério do Turismo

A degola no primeiro escalão do governo Dilma Rousseff ficou exatos 27 dias em desuso. Nesta quarta-feira 14, após a revelação de que um servidor da Câmara trabalhava como chofer para sua mulher, Pedro Novais, o ministro do Turismo que destinou recursos a cidades sem apelo turístico e que, quando deputado, usou verba do gabinete para pagar faxina e motel, tornou-se o quinto membro do primeiro escalão a deixar a Esplanada dos Ministérios em pouco mais de oito meses. Fará companhia a Antonio Palocci, Nelson Jobim, Wagner Rossi e Alfredo Nascimento na galeria de ex-ministros do governo Dilma.

O substituto do ministro será o também deputado peemedebista Gastão Vieira, maranhense de 65 anos que foi eleito pela primeira vez para a Câmara dos Deputados em 1995. Por duas vezes foi secretário de estado no Maranhão, ocupando o comando da Secretaria de Educação, de 1995 a 1998, e da Secretaria de Planejamento e Orçamento.

A situação de Novais, que havia sobrevivido à enxurrada da Operação Voucher, da Polícia Federal – que prendeu o número 2 da pasta e outras 29 pessoas – ficou insustentável com a divulgação da vida pregressa do ministro de 81 anos quando era deputado federal. O que não foi levado em conta pelo seu partido, o PMDB, na hora da indicação de sua parte do bolo da coalizão, acabou se tornando um prato cheio para o noticiário em Brasília. Novais já assumiu sob desconfiança. Antes de tomar posse, foi revelado que ele havia apresentado, em junho de 2010, uma nota fiscal de 2.156 reais de um motel de São Luís (MA), seu berço político, na prestação de contas da verba indenizatória de junho de 2010.

Em agosto, estourou a operação da Polícia Federal, que investigou supostas fraudes em convênios com o ministério. Apesar das denuncias, Novais apoiou as apurações e safou-se. Pouco mais de um mês depois, veio à tona o uso privado de funcionários públicos. Na segunda-feira 13, o jornal Folha de S.Paulo noticiou que uma assessora parlamentar trabalhava como governante em sua casa em Brasília durante sete anos. O Ministério do Turismo justificou a situação dizendo que a funcionária dava “apoio administrativo ao deputado e aos outros funcionários”.

No dia seguinte, o mesmo jornal revelou que um funcionário da Câmara (lotado no gabinete do deputado Francisco Escórcio, também do PMDB do Maranhão) levava a mulher do ministro, Maria Helena de Melo, para passeios e compras por Brasília. Numa das ocasiões, dona Maria foi fotografada com o chofer saindo de uma loja de chocolates finos na capital. Foi a gota d’água.

O episódio fez com que pouca gente no partido e no governo saísse em público para defender o ministro – salvo o padrinho da indicação, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).

Mesmo quando a queda do ministro já era dada como certa, a presidenta Dilma Rousseff declarou, na manhã de quarta-feira, que ainda esperava explicações de Novais para só depois avaliar a situação.

“Primeiro a gente pede as explicações cabíveis. Eu voltei hoje de São Paulo e hoje vamos encaminhar isso, avaliar qual é a situação, e avaliar as medidas cabíveis de forma muito tranquila”, disse a presidenta.

Durante o dia, a permanência de Novais foi tema de uma reunião no gabinete do vice-presidente Michel Temer. Ao chegar para a reunião, o ministro disse que não sabia qual era o motivo da convocação. "Não sei que reunião é essa. Eu vim conversar com o meu amigo, o vice-presidente Michel Temer."

Participaram da reunião o próprio ministro, Alves e o vice-presidente. O PMDB decidiu aguardar o retorno de Temer, que estava em São Paulo, para decidir sobre a situação de Novais.

Como esperado, o ministro já saiu da reunião demissionário, sem apoio e sem clima para seguir no cargo, um dos mais estratégicos para um governo que pretende receber os jogos da Copa do Mundo em 2014 e as Olimpíadas, em 2016. O teor da carta de demissão demonstra a pressão sofrida pelo ex-ministro no encontro: "Cumpro o dever de pedir-lhe minha exoneração do cargo de Ministro de Estado do Turismo, para o qual fui honrosamente nomeado por Vossa Excelência". "Pedido" feito, "pedido" aceito.

Com a demissão de Novais, o índice de mortalidade na Esplanada dos Ministérios chegou a quase 15% em menos de nove meses. O viés é de alta.

*Com informações da Agência Brasil

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