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Política

Operação Lava Jato

Paulo Roberto Costa, o homem-bomba, falou

por Redação — publicado 06/09/2014 06h21, última modificação 06/09/2014 17h37
Em relato, ex-diretor da Petrobras teria acusado parlamentares, governadores e ministro de receberem dinheiro desviado da estatal
Antonio Cruz/Agência Brasil
paulo roberto costa

Segundo Costa, os políticos ficavam com 3% do valor dos contratos da Petrobras

O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa afirmou que 12 senadores, 49 deputados federais e ao menos um governador receberam dinheiro desviado da estatal. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, ao citar informações de investigação da Operação Lava Jato, os políticos ficavam com 3% do valor dos contratos da Petrobras no período em que Costa foi diretor da estatal, entre os anos de 2004 e 2012.

O relato feito por Costa, que decidiu colaborar com as autoridades em agosto, a procuradores e policiais, aponta o envolvimento de políticos de três partidos: PT, PMDB e PP. O ex-diretor foi indicado ao cargo pelo PP, ganhando mais tarde o respaldo do PT e do PMDB.

No entanto, de acordo com a revista Veja ao citar um documento obtido, o ex-diretor fala em ao menos 25 deputados federais, seis senadores, três governadores e um ministro. Entre os envolvidos estariam o ministro Lobão (Minas e Energia), o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, os presidentes da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), os senadores Ciro Nogueira (PP-PI), Romero Jucá (PMDB-RR) e os deputados Cândido Vaccarezza (SP), João Pizzolatti (PP-SC) e o ex-ministro Mário Negromonte (PP). Entre os governadores, o ex-diretor teria citado o ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB), a governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), e o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB), morto no dia 13 de agosto em um acidente aéreo em Santos (SP).

Segundo a Folha, o depoimento de Costa, que foi preso em março pela Polícia Federal, chegou ao Supremo Tribunal Federal no início da semana. O ministro Teori Zavascki deve homologar o acordo de delação premiada feito pelo executivo com os procuradores. Os políticos citados no relato do executivo devem ser investigados apenas com aval e autorização do STF, onde parlamentares têm foro privilegiado.

O ex-diretor fez um acordo de delação premiada no último dia 22, após a PF fazer buscas em empresas de suas filhas e de um amigo. Em uma delas foram encontrados indícios de que Costa tem mais contas no exterior do que as descobertas anteriormente na Suíça. Autoridades suíças enviaram em junho ao Brasil documentos que mostram que Costa e seus familiares tinham 23 milhões de dólares (52 milhões de reais) em contas secretas.

A descoberta levou o juiz federal Sergio Moro a decretar a prisão de Costa pela segunda vez no dia 11 de junho. O executivo havia sido preso pela primeira vez em 20 de março, sob acusação de destruir documentos, mas acabou libertado por decisão do STF.

O ex-diretor da Petrobras é acusado de dirigir um esquema de corrupção que teria desviado recursos da Petrobras em parceria com o doleiro Alberto Youssef, que está preso em Curitiba.

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