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Papéis e papelões

por Cynara Menezes — publicado 27/10/2010 09h00, última modificação 27/10/2010 15h50
A simulação da agressão a José Serra no Rio de Janeiro é só mais um episódio de uma campanha tomada pela baixaria, a hipocrisia e a má-fé
Papéis e papelões

A simulação da agressão a José Serra no Rio de Janeiro é só mais um episódio de uma campanha tomada pela baixaria, a hipocrisia e a má-fé. Por Cynara Menezes. Matéria publicada na edição impressa de 22 de outubro. Foto: Cesar da Silva/AFP

Esta matéria foi publicada originalmente na edição 619 de 22 de outubro

A simulação da agressão a José Serra no Rio de Janeiro é só mais um episódio de uma campanha tomada pela baixaria, a hipocrisia e a má-fé

São 7 e meia da manhã da segunda-feira 18 em Salvador. Toca o telefone na casa do estudante H. A. Ele atende. Ouve uma voz de mulher, que diz: “Você é eleitor e vai votar na Dilma?” E desfia rapidamente as denúncias contra a ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra. No dia seguinte, às 10 horas, na cidade-satélite de Taguatinga, no Distrito Federal, o telefone toca na casa da advogada Melissa Carvalho. Voz feminina novamente. “Você vai votar em Dilma? Então saiba que ela era favorável ao aborto e depois mudou de opinião. Não dá para confiar em um candidato assim”, e coisas do gênero. Não adianta a pessoa tentar responder: trata-se de uma gravação.

Telefonemas similares têm ocorrido em todo o País. Os relatos se sucedem no Twitter. Em Minas Gerais, há casos distintos, onde a operadora pergunta se a pessoa que atende o aparelho votou em Marina Silva. Em caso positivo, inicia-se um discurso contra o voto no segundo turno em Dilma Rousseff. Quem paga por essas centrais de telemarketing anti-Dilma? Ninguém sabe. O PT pediu investigação à Polícia Federal sobre o caso, uma das muitas denúncias que têm brotado do jogo sujo praticado contra a candidata de Lula. O próprio presidente veio a público reclamar da campanha difamatória, dizendo nunca ter visto em sua vida eleição com tamanho baixo nível.

“O que se fala da Dilma é uma coisa impensável. Eu que fui candidato, que fui difamado, nunca tive coragem de dizer contra meus adversários 10% do que a hipocrisia de uma parte dos tucanos está dizendo da Dilma”, afirmou Lula. Por mais incrível que possa parecer, as críticas do presidente à campanha de difamação contra Dilma foram utilizadas por comentaristas, no mesmo dia, para justificar o tumulto ocorrido entre militantes petistas e tucanos no Rio de Janeiro, durante uma caminhada do candidato do PSDB José Serra na quarta-feira 20. Como se Lula, ao mencionar as baixezas sofridas por sua candidata, incitasse os militantes à violência, e não a campanha sórdida, em si, é que acirrasse os ânimos.

A história da agressão a Serra é um caso para entrar no anedotário da política nacional. Houve, obviamente, desrespeito por parte de simpatizantes do PT ao candidato durante a caminhada. Serra foi chamado de “assassino” por ex-agentes do combate à dengue, conhecidos como­ “mata-­mosquitos”, demitidos por ele quando­ era ministro e que se tornaram desde então ferrenhos adversários do tucano. É uma terminologia inaceitável, comparável em sua vilania apenas à frase da mulher do tucano, Mônica Serra, que acusou a petista de ser a favor da “morte de criancinhas”.

Na confusão, o presidenciável foi atingido por um objeto na calva, a princípio descrito como um rolo de fita adesiva, que se transformou, ao longo do dia, em pedra, depois em mastro de bandeira e, por último, de acordo com reportagem do SBT, numa mísera bolinha de papel.

O episódio, é claro, foi parar nas primeiras páginas dos jornais no dia seguinte, transformado em agressão grave contra o tucano – o site da revista Veja falou que a van do presidenciável havia sido apedrejada, coisa que ninguém viu. Serra chegou a ser submetido a uma tomografia e ­aconselhado a repousar por 24 horas. Violência é algo condenável numa campanha, mas o que ocorreu diante das câmeras do SBT foi igualmente condenável: o tucano protagonizou uma encenação para se fazer de vítima da truculência “nazista” do PT, como declarou à saída do tumulto.

As imagens mostram o candidato sendo atingido por um pequeno objeto branco que não lhe causa nenhum ferimento aparente – o que foi confirmado pelo médico que o atendeu, Jacob Klingerman, seu amigo desde 1964 e secretário municipal de Saúde durante a administração de Cesar Maia, aliado de Serra, na prefeitura do Rio. Klingerman declarou que havia apenas um “inchaço” no local, o que ainda assim parece exagerado diante do tamanho do objeto arremessado, possivelmente não um rolo de adesivos, mas uma bola feita com adesivos. Na descrição feita pelo vice de Serra, Índio da Costa, era, porém, um “pacote de uns 2 quilos”.

O episódio virou uma guerra de versões na tevê. O Jornal Nacional, da Rede Globo, disse que o tucano foi atingido em duas ocasiões. Primeiro por uma bola de papel e, 15 minutos mais tarde, por um bolo de fita crepe. Mas o SBT manteve sua história. Disse que filmou todo o percurso e desafiou outras emissoras a exibirem imagens do segundo objeto. E insistiu: Serra só foi atingido uma única vez.

O que mais chama a atenção nas cenas levadas ao ar pelo SBT é que Serra só leva a mão à cabeça 20 minutos depois de ser atingido e após receber um telefonema. Na saída do hospital, disse ter se sentido grogue com a pancada. “Achei que fosse desmaiar, mas deu para segurar”. A dramaticidade com que a old media tupinquim tratou o episódio contrastou com o tom de piada na internet. Na rede mundial de computadores, Serra foi comparado ao goleiro chileno Roberto Rojas, aquele que fingiu ter sido atingido por um rojão durante um jogo no Maracanã em 1989, pelas eliminatórias da Copa do Mundo, e que acabou banido do futebol durante alguns anos.

O presidente Lula também recorreu a Rojas para criticar o adversário político pelo episódio, que qualificou como “farsa” e “mentira descarada”. Já o candidato tucano fez coro com os articulistas da mídia e colocou a culpa pelo episódio em Lula. “O fato de o presidente da República se jogar de corpo e alma no processo eleitoral, ao invés de se dedicar ao País, e incitar que os adversários sejam destruídos, como ele tem feito, e tem vários exemplos nesse sentido, só contribui para esse clima de violência”, disse Serra em evento em Maringá, no Paraná, onde pediu desculpas pelas duas horas de atraso habituais, dizendo ter ficado até tarde da noite gravando seu programa eleitoral. Mas e as 24 horas de repouso recomendadas pelo médico?

À parte o ridículo da história, o que fica de lição é que a campanha não pode descambar para a violência ou agressões verbais virulentas, com o uso do termo “assassino” para atingir o adversário. Desta vez foi Serra, mas tem sido Dilma Rousseff a maior vítima, desde antes de ser candidata, do xingamento, em e-mails apócrifos que lhe atribuem até assassinatos durante a ditadura. Dilma, como se sabe, não participou de ações armadas. O PT, que antes de a disputa chegar ao segundo turno, não havia se dado conta da extensão da boataria, montou agora uma central telefônica contra as calúnias e sites para propagar desmentidos de falsidades disseminadas pela internet.

Só o site sejaditaverdade (www.sejaditaverdade.net) compilou mais de 40 boatos espalhados na internet contra a petista, que vão desde a ficha falsa do Dops veiculada em primeira página pela Folha de S.Paulo até ser lésbica e fumar charuto. O novo truque, para utilizar a onda carola deflagrada pela oposição é insuflar a briga religiosa com um e-mail em que um site falsamente atribuído ao partido conclama a combater a Igreja, “caminho já traçado pelo companheiro Hugo Chávez na Venezuela”. A ex-VJ da MTV e ex-vereadora Soninha Francine, coordenadora de internet de Serra, chegou a propagandear o site como sendo de “dilmistas e petistas”, copiando a imprensa de direita na rede, mas acabou pedindo desculpas ao ser informada de que se tratava de um fake.

Por se tratar de um blog, a página não tem registro. Ou seja, qualquer um pode tê-la aberto. Mesmo assim, o PT pediu investigação à PF. Na quinta-feira 21, o site continuava no ar, com uma mensagem a atribuir aos petistas preconceito contra os paulistas, como fez Serra no último debate dos presidenciáveis, na RedeTV!, no domingo 17. Sob o título “O Brasil não é Só São Paulo”, o texto fomenta a briga entre nordestinos e paulistas, clamando contra “a hegemonia” do estado na política. Os “comentários” do blog têm sentido idêntico: “Vocês não valem nada, odeiam São Paulo e os paulistas, fascistas vermelhos”, diz um suposto leitor. Para acreditar que isso partiu do PT, como Soninha, só por ingenuidade ou má-fé.

O PSDB tem se eximido de participação na divulgação de ofensas contra a candidata petista, mas uma gráfica de São Paulo foi flagrada, no sábado 15, imprimindo 2 milhões de panfletos religiosos contra a candidatura petista. Metade foi apreendida. Trata-se da mesma carta assinada pela regional Sul I da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em São Paulo, distribuída por algumas igrejas nas duas semanas que antecederam o primeiro turno. A gráfica Pana, localizada no bairro do Cambuci, pertence a Arlety Kobayashi, filiada ao PSDB e irmã do coordenador de infraestrutura da campanha de Serra, Sérgio Kobayashi. O candidato tucano disse que a conexão era “irrelevante”.

Fato é que, como um dos sócios declarou a jornalistas durante o flagrante, a encomenda inicial era de 20 milhões de panfletos, que a gráfica recusou por não ter o porte necessário à montanha de material. O responsável pelo contato com a gráfica, Kelmon Luís de Souza, um fanático simpatizante da monarquia, atribuiu o pedido à diocese de Guarulhos, cujo bispo, dom Luiz Gonzaga Bergonzini, capitaneou a campanha de parte da Igreja contra Dilma e o PT no primeiro turno. O secretário-­geral do partido, José Eduardo Cardozo, declarou ser “indiscutível” a relação dos panfletos com a campanha peessedebista.

A CNBB, que havia distribuído nota sobre o tema, voltou a se manifestar na quinta-feira 21 e demonstrou não ser de todo contrária à atuação dos bispos. Em entrevista coletiva, o presidente da entidade, dom Geraldo Lyrio Rocha, praticamente­ deu o aval para que padres e bispos façam campanha contra o PT se desejarem. Segundo dom Geraldo, a atuação de Bergonzini está dentro da normalidade. “Ele tem o direito e até o dever de, de acordo com a sua consciência, orientar os fiéis do modo que julga mais eficaz, mais conveniente.” O presidente da CNBB esclareceu que a entidade não dá orientação de votos em partidos ou candidatos, mas que as dioceses têm autonomia e que não lhe cabe “censurar”.

Dom Geraldo ainda considerou “positiva” a polêmica introdução do problema do aborto durante a campanha eleitoral. “O tema foi colocado em pauta e não se podia entrar em um processo eleitoral sem trazer à tona temas de máxima relevância.” Segundo o presidente da CNBB, o fato de o Brasil ser um Estado laico não impede que se discutam questões religiosas nas eleições. “Estado laico não é sinônimo de Estado ateu, antirreligioso ou arreligioso. O Estado brasileiro é laico, mas a sociedade brasileira não é laica, é profundamente religiosa. Não estou dizendo só católica, mas evangélica, afro, dos cultos indígenas.”

É possível que as declarações deem novo fôlego à utilização do tema do aborto na reta final, posto de lado, ao menos oficialmente, pelos tucanos desde que uma ex-aluna de Mônica Serra revelou ter ouvido dela própria a confissão de ter feito um aborto. O caso começou a circular na internet até ir para na coluna social de Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo. A declaração partiu de Sheila Canevacci Ribeiro, eleitora de Plínio de Arruda Sampaio no primeiro turno. Segundo ela, Mônica queixara-se a um grupo de alunas do trauma que sofrera em ter de abortar um filho no exílio, nos Estados Unidos, porque o então jovem casal não teria condições de criá-lo naquele momento. Outra aluna de Mônica, que não quis se identificar, confirmou o relato.

Para quem acusara Dilma de “gostar de matar criancinhas”, a atuação de Mônica Serra à frente de uma campanha antiaborto, tendo feito um, foi vista no mínimo como hipócrita. Embora a assessoria do PSDB tenha negado o procedimento, as buscas na rede mundial de computadores para as palavras Monica/aborto e Serra/aborto superaram as menções relacionando Dilma ao termo, e o uso da temática diminuiu. Desde então, a candidata a primeira-dama, que tinha ido ao Chile entregar uma imagem de Nossa Senhora Aparecida aos mineiros resgatados, não mais foi vista em eventos de campanha.
O que não significa que a estratégia de criar atrito entre o PT e os cristãos tenha sido abandonada. Chama a atenção a dobradinha escancarada entre Serra e os que distribuem panfletos nas igrejas.

Durante a celebração do Dia de Nossa Senhora Aparecida, mais uma vez a carta da CNBB regional Sul I foi entregue em missas em Contagem, em Minas, e na basílica de Aparecida, em São Paulo. Recém-eleito deputado federal, o delegado da PF Protógenes Queiroz esteve na basílica no mesmo dia 12 em que o contrito Serra comungou sem haver se confessado, e conta ter visto os distribuidores de panfletos entrarem junto com a comitiva do candidato. “Eram pessoas de terno escuro que chegaram ao local com Serra”, afirma Queiroz.

A cena se repetiria em Canindé, no Cea­rá, quatro dias depois. Ao lado do senador tucano Tasso Jereissati, Serra foi assistir à missa em homenagem a São Francisco de Assis. O fato de ter chegado quando a cerimônia havia começado irritou o frei Francisco Gonçalves, que reclamou, em princípio, do barulho. Depois novamente queixou-se, desta vez das câmeras de televisão. Por último, o frei atacou diretamente a distribuição de panfletos pelo grupo que acompanhava Serra, em que Dilma Rousseff era acusada de ser a favor do aborto e de estar envolvida com grupos terroristas como as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

“Gostaria de chamar a atenção de todos para este papel que estão distribuindo. Acusam a candidata do PT de coisas em nome da Igreja e não é verdade”, disse o frei, criticando os tucanos pela “profanação” do templo. Os fiéis aplaudiam. Jereissati exaltou-se e teve de ser contido pela mulher para não agredir fisicamente o padre, a quem acusou de “petista”, do tipo que está “causando problemas à Igreja”. O sacerdote saiu escoltado por seguranças.

Do lado evangélico, a artilharia serrista é comandada pelo bispo Silas Malafaia, um dos líderes da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, que tem utilizado o programa que mantém pela manhã na TV Bandeirantes para criticar Dilma e o PT. Malafaia, que anunciou apoio a Marina no primeiro turno e depois se bandeou para o lado de Serra, chegou a aparecer no programa eleitoral do tucano. “Quem é que tem liderança, que está acima de partidos políticos, que está preparado, que tem experiência? Serra, 45. Deus abençoe o Brasil, Deus abençoe você”, disse.

Por trás do apoio dos evangélicos a Serra estão benesses prometidas pelo tucano, segundo relatos jornalísticos. O pastor Alcides Cantoia Jr., da Assembleia de Deus, em São Paulo, responsável pela “coordenadoria de evangélicos”, telefona para igrejas e entidades a elas ligadas e oferece benefícios em troca do apoio ao PSDB. Entre as vantagens, o candidato tucano promete, se eleito, parcerias governamentais com as entidades. Não se sabe, porém, se esse tipo de ação terá efeitos no segundo turno como teve no primeiro. Ao contrário, a última pesquisa do Ibope mostrou que a contraofensiva de Dilma nesse segmento funcionou. A petista subiu entre católicos e evangélicos, e Serra caiu.

Com as pesquisas a indicar a recuperação de Dilma Rousseff nas intenções de voto, a expectativa é que cresçam, às vésperas da eleição, os golpes abaixo da linha da cintura. Um aspecto interessante é que esse tipo de boataria parece ter como pano de fundo o preconceito de gênero, porque costuma aparecer todas as vezes que uma mulher é candidata a cargos majoritários. Foi assim com a petista Marta Suplicy, em São Paulo, quando se candidatou à prefeitura e ao governo, e com Jandira Feghali,­ do PCdoB, ao se lançar ao Senado, em 2006, e à prefeitura do Rio, em 2008.

Não à toa, os programas eleitorais de Serra costumam soltar frases sobre Dilma do tipo “ela não vai dar conta” ou “sem chefe ela não funciona”. No rádio, um dos esquetes veiculados no Nordeste mostra dois homens conversando, um deles dizendo ter sido “arrasado” por uma mulher chamada Wilma. O outro responde: “Mulher é assim mesmo. Não fica assim, essa mulher tem várias caras”. A novelinha mistura em seguida a fictícia “Wilma” com a real Dilma, apresentada como alguém que também “tem várias caras”.

“Toda vez que uma mulher se destaca numa campanha majoritária, a tendência é desqualificá-la fora do debate político. Falam do cabelo, da roupa, das plásticas, do marido ou da falta dele”, diz Jandira Feghali, que até hoje espera a conclusão de uma investigação da PF sobre os torpedos telefônicos disparados no dia da eleição, favorita ao Senado, e perdeu para Francisco Dornelles. Exatamente o mesmo aconteceu com Dilma agora: quem não se lembra quanto se falou da plástica, das roupas e até da peruca da candidata, quando se tratava do câncer que sofreu? “O que me incomoda é o paternalismo do Serra, principalmente nos debates. Ele nunca agiria assim se fosse Lula ou Ciro Gomes o adversário”, opina Marta Suplicy.

“Lula tem toda razão. Assim como houve preconceito com ele por ser operário tem-se agora com Dilma por ser mulher”, diz Rose Marie Muraro, uma das precursoras do feminismo no Brasil – e eleitora da petista. O mais curioso é que esse preconceito de gênero é bem frequente entre as próprias mulheres. Em termos de intenção de voto, Dilma ainda é mais votada pelos homens do que pelas mulheres. Mas isso parece estar diminuindo: de acordo com a última pesquisa Ibope, a petista abriu 7 pontos de vantagem (48% a 41%) no segmento feminino em relação a Serra. “Mulher que discrimina Dilma é machista, submissa ao homem”, dispara Muraro. “Sem falar na inveja, que é muita.”

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