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Política

Lixo hospitalar

Panos para manga

por Edgard Catoira — publicado 20/10/2011 08h56, última modificação 20/10/2011 10h25
Dos EUA, da Espanha, de hospitais ou sabe-se lá de onde, por preços baixos, tecidos estão entrando ilegalmente no País

A Vigilância Sanitária de Pernambuco (Apevisa) flagrou tecidos importados – em meio a lixo hospitalar vindo dos Estados Unidos – reciclados por indústrias locais para serem usados na fabricação de bolsos para calças em confecções brasileiras. A descoberta foi feita a partir de marcas de hospitais norte-americanos e manchas que, por parecerem de sangue, estão sendo analisadas pelo Insituto de Criminalística do Recife.

A partir da divulgação dessa notícia começam a pipocar outras em diferentes regiões do Nordeste.

No fim de semana, a Secretaria de Saúde também apreendeu, em Caruaru, cerca de 15 toneladas de material têxtil suspeito de ser lixo hospitalar. Já foram encontradas muitas peças com marcas de diferentes casas de saúde americanas.

Não bastassem esses problemas, e, alertado pela notícia de roupas feitas a partir de lençóis hospitalares, o pernambucano Fábio José da Silva, que mora em São Paulo, lança um novo alerta. Ele diz que, cismado com a notícia, foi verificar um lençol feito de retalhos, comprado por uma tia há dois anos numa feira livre de Cupira, no Agreste pernambucano. O que ele temia estava realmente no lençol – a marca do Hospital Navarra, Espanha.

O “Jornal do Commércio”, de Recife, recebeu a foto do retalho, passou-a à Apevisa.  E seus técnicos não descartam a possibilidade de essa peça, pelo menos a que tem a marca do hospital, ter entrado ilegalmente no país.

Os personagens infantis até em selos

Repercutindo a notícia, o leitor Silvio Gomes dos Santos escreveu ao site do jornal – NE 10 – contando que encontrou em bolsos de uma calça comprada no Centro de Recife, imagens de personagens infantis, Los Lunnis, muito populares na Espanha.

Ou seja, que “las hay, las hay”.  Dos Estados Unidos, da Espanha, de hospitais ou sabe-se lá de onde, por preços fora de concorrência, tecidos estão entrando ilegalmente no País.

Seja lixo, arma, tóxico, tudo é vergonhoso, tudo passa pela nossa frente e nada é feito para acabar com a bandalha de alfândegas e autoridades.

Sem levar em conta o problema de Saúde, ou o de contrabando, além de receita para a União, a indústria também sofre.

No caso da tecelagem, uma consequência sócio econômica grave e concreta: a publicação eletrônica Textile Industry denuncia em seu site que a Companhia Têxtil de Castanhal, no Pará, teve que demitir cerca de 400 funcionários entre setembro e outubro porque não tem condições de competir com preços de sacos de juta fabricados em Bangladesh e Índia que são importados ilegalmente. A indústria ainda tem 1.500 funcionários que poderão ser demitidos até fevereiro, caso as autoridades não tomem providências. No caso de Castanhal, o tecido usado serve, basicamente, para embalar café.

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