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Política

O Trapalhão

Os últimos momentos de Jobim

por Redação Carta Capital — publicado 05/08/2011 16h02, última modificação 05/08/2011 16h08
Dilma queria deixá-lo na Amazônia, a ministra 'fraquinha' pediu que ele se controlasse e o ex-colega disse: 'é o jeitão dele'
Jobim, o tucano

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, que votou em Serra em 2010 e não durou sete meses no governo Dilma

Se os integrantes do governo federal haviam minimizado em bloco as declarações anteriores de Nelson Jobim contra o governo, a estratégia caiu por terra na última e derradeira crise que culminou na demissão do ministro da Defesa na quinta-feira 4.

Em entrevista à revista Piauí, Nelson Jobim classificou como “fraquinha” sua colega Ideli Salvatti, das Relações Institucionais, e declarou que Gleisi Hoffman, da Casa Civil, “sequer conhece Brasília”.

Desta vez o desconforto foi grande. Primeiro, Ideli Salvatti declarou em uma entrevista para um programa do Grupo Folha que Nelson Jobim deveria “se conter um pouquinho” nas declarações.

Ao saber do teor da entrevista de seu ministro da Defesa, Dilma Rousseff teria declarado, logo pela manhã, em tom de brincadeira - mas sinal inequívoco de insatisfação - que “arrumaria um cargo para o Jobim na Amazônia e deixaria ele por lá”, segundo o portal UOL. A declaração foi dada enquanto Jobim cumpria agenda em Tabatinga, município do Amazonas.

Ex-colega de toga de Nelson Jobim, o ministro do STF (Superior Tribunal Federal) Marco Aurélio Mello tentou dar um ar bonachão para a declaração do ministro da Defesa, mas não deu muito certo. “É o jeitão dele. Quase sempre o gaúcho é incisivo nas colocações. E ele é gaúcho de Santa Maria. Então, é a forma dele atuar, e o faz, ao que tudo indica, sem reserva mental”, declarou ao portal iG.

Outro que trocou os pés pelas mãos foi o senador José Sarney. Ao ser indagado sobre o que achava da frase sobre Ideli Salvatti (“ela é fraquinha”), o presidente do senado declarou: “Eu acho até que esta (declaração) não combina com a ministra Ideli porque a Ideli é até bem gordinha”, disse ao portal UOL.

Três saraivadas de “fogo amigo”

Foram três os episódios que, em conjunto, fizeram Dilma perder a paciência com Jobim. Na primeira delas, o ministro da Defesa citou Nelson Rodrigues em um evento público de comemoração de aniversário do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. “Ele (Rodrigues) dizia que, no seu tempo, os idiotas chegavam devagar e ficavam quietos. O que se percebe hoje, Fernando, é que os idiotas perderam a modéstia. E nós temos de ter tolerância e compreensão também com os idiotas, que são exatamente aqueles que escrevem para o esquecimento”, declarou, olhando para o ex-presidente tucano.

A segunda bateria de fogo amigo perpretada pelo ministro Nelson Jobim foi em entrevista a um programa do portal UOL, no qual declarou ter votado em José Serra nas eleições para a presidência em 2010 por razões “pessoais” - eles inclusive já dividiram um apartamento há muitos anos.

Nesta última, ao criticar diretamente seus colegas de ministério, Nelson Jobim parece ter conseguido o que há muito queria: ser demitido do governo do qual fez parte, mas de cujas ideias nunca compactuou.

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