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Crise financeira

Os loucos do mercado

por Sergio Lirio publicado 27/09/2011 16h47, última modificação 28/09/2011 12h40
Estudo suíço diz que os operadores do mercado financeiro são mais 'temerários' do que os psicopatas

Um estudo bem apropriado para os tempos atuais acaba de ser lançado pela University of St. Gallen, da Suíça. Segundo os pesquisadores, os traders, ou operadores do mercado, são mais “temerários e manipuladores” do que os psicopatas. Os experts suíços cruzaram os testes de 28 operadores com aqueles de reconhecidos psicopatas. Thomas Noll, um dos estudiosos, afirmou: “Naturalmente não se pode caracterizar os traders como dementes. Mas eles se comportaram de forma mais egoísta e estavam mais dispostos a assumir riscos do que o grupo de psicopatas que fez o mesmo teste”. Curiosidade: Noll administra uma penitenciária ao Norte de Zurique.

Não se pode negar que o mundo das finanças endoidou, com ou sem os testes suíços a confirmar. Os líderes da União Europeia continuam a bater cabeça, a Alemanha resiste ao óbvio, enquanto a Grécia parece cada vez mais perto de um calote. No Oriente Médio, o ortodoxo Stanley Fischer, diretor do FMI nos inesquecíveis anos 1990 do frenesi neoliberal e hoje presidente do Banco Central israelense, mandou às favas os sagrados mandamentos das metas de inflação. Quem diria. O índice oficial de preços de Israel está acima do teto definido. Ainda assim, Fischer optou por reduzir os juros. Se Israel tiver sua Míriam Leitão, ela deve ter se afogado no rio Jordão.

E os trópicos?

O Brasil parece viver sob a ameaça apontada por Daniela Prates e Marcos Antônio Cintra na edição 642 de CartaCapital, de 20 de abril passado. Daniela é professora da Unicamp, Cintra trabalha no Ipea. No artigo, a dupla apontou os riscos de um duplo choque: uma reversão nas expectativas que provocasse uma desvalorização do real e uma recessão mundial que derrubasse o preço das commodities.

O primeiro choque parece em curso neste momento, com efeitos ainda imprevisíveis. O segundo, quando acontecer, derrubará o saldo da balança comercial e aprofundará o déficit nas contas externas. “A experiência histórica mostra que, em algum momento, o boom (de capitais) é sucedido por uma parada súbita e pela reversão”, vaticinaram. Os resultados costumam ser desastrosos.

Alguns jornais falam na “preocupação” do governo brasileiro com a nova fase da crise internacional. É preciso coragem para agir, sem ceder às pressões de quem vende interesses privados como se fossem públicos. Se até o Stanley Fischer se rendeu ao pragmatismo, é realmente hora de trancar na gaveta os velhos manuais.

Brazil-zil-zil-zil

Dia de sol e promoções na Oscar Freire. As vitrines gritam: sale, off, vendita promozionale. Falta uma velha e simples palavra: liquidação. Mas ninguém parece reparar. Três senhoras tomam café na Cristallo. Uma conhecida se aproxima. Beijos, abraços efusivos, a amiga conta às senhoras sobre sua última viagem a Nova Iorque. Mostra umas bugigangas tecnológicas, diz que os preços lá estão menores do que em São Paulo. As senhoras concordam. E, a amiga, feliz, comunica: “Não tem jeito. Cheguei faz dois dias. Mas tenho de vir à Oscar Freire para me sentir no Brasil”.

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