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Os excessos do lobby

por Cynara Menezes — publicado 07/10/2011 09h00, última modificação 07/10/2011 11h45
A Anvisa alega riscos aos pacientes e proíbe vários tipos de emagrecedores. Médicos protestam

O mercado multimilionário do emagrecimento acaba de sofrer um duro golpe no Brasil. Na terça-feira 4, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou a decisão de proibir em todo o território nacional a comercialização de três substâncias anorexígenas (anfepramona, mazindol e femproporex) e de aumentar o controle sobre um quarto produto, a sibutramina, por considerar que oferecem mais riscos do que benefícios à saúde. No caso dos inibidores de apetite, a Anvisa alegou, inclusive, a falta de estudos clínicos a comprovar sua real eficácia.

Com a proibição, a agência espera coibir os abusos nas prescrições de remédios para emagrecer no País. De acordo com dados divulgados em março pela Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (Jife), o Brasil é hoje o terceiro maior consumidor de anorexígenos do mundo: com seis doses diárias a cada mil habitantes, só perde para os EUA, com 11 doses diárias, e para a Argentina, com nove. Uma denúncia chegou a ser feita pela Anvisa ao Conselho Federal de Medicina (CFM) há cerca de dois anos, com uma lista de médicos, em todos os estados do País, suspeitos de exagerar nas prescrições de inibidores de apetite.

Havia médicos, segundo a denúncia da Anvisa, que chegavam a prescrever até 8 mil receitas por ano. O campeão, por incrível que pareça, seria um pediatra. Uma sindicância foi aberta pelo conselho para averiguar a denúncia, mas até agora não foi concluída e não tem prazo para chegar ao fim. Já a proibição dos anorexígenos resultou em reação imediata do CFM, que anunciou a intenção de recorrer à Justiça para reverter a decisão da agência. O conselho também está, ao lado de outra entidade ligada aos médicos, a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), fazendo circular um abaixo-assinado na internet contra a decisão.*

*Leia a íntegra da matéria na edição 667 de CartaCapital, nas bancas nesta sexta-feira 7

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