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Política

Crise da água

Oposição cobra Alckmin sobre instrução para abafar racionamento

por Rede Brasil Atual — publicado 25/10/2014 16h37, última modificação 25/10/2014 16h41
Áudio mostra presidenta da Sabesp se queixando de orientação de 'superiores' para não alertar população
LUIZ ALBERTO FRANÇA/CÂMARA MUNICIPAL DE SÃO PAULO
Dilma Pena

No áudio, a presidenta da Sabesp diz que a empresa "tem estado muito pouco na mídia" mas que tinha que seguir orientação

A presidenta da Sabesp, Dilma Pena, e o diretor da companhia Paulo Massato vão ser convidados, na próxima semana, pela oposição ao governador Geraldo Alckmin (PSDB), a prestar esclarecimentos na Assembleia Legislativa de São Paulo sobre o áudio vazado de uma reunião da diretoria da empresa. A liderança do PT também vai entrar com representação no Ministério Público estadual, com pedido de investigação de possível ato de improbidade administrativa do governador e do secretário de Saneamento e Recursos Hídricos, Mauro Arce.

Na gravação, a presidenta da empresa, Dilma Pena, reconhece que, por ordens “superiores”, a população não foi devidamente informada sobre a gravidade da crise de abastecimento de água. O áudio foi divulgado pelo jornalista Renato Rovai, no Portal Fórum, e pelo jornal Folha de S.Paulo.

“Foram negligenciadas as orientações de fazer os investimentos e racionamento. Vamos chamá-los na Comissão de infraestrutura da Assembleia. Vamos querer saber de quem partiu essas ordens, se do secretário de Assuntos Hídricos ou do governador. Se é do governador, ele prevaricou. A Sabesp foi omissa por não ter repassado a informação. Pode ser caracterizado como improbidade administrativa”, diz o deputado estadual Luiz Claudio Marcolino (PT). “O governo e a Sabesp tinham os recursos para investimentos e não fizeram, mas fizeram lucros para os acionistas da Sabesp.”

No áudio, a presidenta da Sabesp diz que a empresa "tem estado muito pouco na mídia". “Acho que é um erro. Nós tínhamos que estar na mídia, com os superintendes locais, nas rádios comunitárias, Paulo [Massato, diretor] falando, eu falando, o Marcel falando, todos falando, com um tema repetido, um monopólio: ‘Cidadão, economize água’.”

No entanto, por interesses não esclarecidos, as informações não foram repassadas à população. “A gente tem que seguir orientação… A  orientação não tem sido essa, mas é um erro. Tenho consciência absoluta e falo para pessoas com quem converso sobre esse tema, mesmo meus superiores, acho um erro essa administração da comunicação dos funcionários da Sabesp, que são responsáveis por manter o abastecimento, com os clientes”, diz Dilma na gravação.

Apesar da gravidade da situação, o governador não teria informado a população e teria evitado de fazer um racionamento por estar em período eleitoral. Ele foi reeleito no primeiro turno.

Recentemente, durante depoimento na CPI da Câmara Municipal que investiga o caso, Dilma se saiu com a explicação de que a população não foi devidamente alertada devido às restrições impostas pela legislação eleitoral, que não veda, no entanto, a divulgação de mensagens de interesse público por parte de órgãos oficiais.

Para Marcolino, a crise da água é mais um episódio do desmonte do estado que caracteriza o governo tucano em São Paulo. “Não adianta orientar a população para fazer poço artesiano. A responsabilidade passa a ser das pessoas? Desmonta-se a estrutura de gestão da água no estado e o cidadão tem que resolver? Então, para que estado?”, questiona o deputado. “Eles estão desmontando os serviços de saúde, educação, segurança, direitos básicos do cidadão, e agora de fornecimento de água, e jogando para o setor privado.”

Nos últimos dez anos, orientações técnicas do próprio Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee), segundo Marcolino, indicavam a necessidade de se fazer investimentos no sistema de água.

Nota do governo

Após a divulgação do áudio, o governo de Geraldo Alckmin divulgou nota cobrando esclarecimentos da Sabesp, mas se isentando das responsabilidades. "O governo de São Paulo nunca vetou qualquer alerta sobre a srise hídrica. Ao contrário, o próprio governador concedeu mais de uma centena de entrevistas coletivas, desde fevereiro, para salientar a gravidade da maior seca já registrada na história", afirma a nota.

A linha é a mesma adotada pelo governador ao longo do ano, de responsabilizar o clima. A nota diz também que as falas vazadas "seletivamente a dois dias das eleições".