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Guerra ao Terror

Obama antecipa saída de soldados do Afeganistão

por Redação Carta Capital — publicado 23/06/2011 10h16, última modificação 23/06/2011 10h34
O presidente americano anunciou a retirada de 10 mil soldados até o fim de 2011, adiantando o cronograma esperado por analistas; europeus seguem a tendência
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O presidente americano anunciou a retirada de 10 mil soldados até o fim de 2011, adiantando o cronograma esperado por analistas; europeus seguem a tendência. Foto: Pablo Martinez Monsivais/AFP

Tendo o apoio dos mais diversos setores da sociedade americana, o presidente Barack Obama anunciou nesta quarta-feira 22 retirada de 10 mil soldados do Afeganistão até o fim do ano, adiantando o cronograma para o fim da guerra que já dura quase dez anos.

De acordo com a BBC Brasil, as operações no Afeganistão custam atualmente mais de 2 bilhões de dólares(cerca de 3,1 bilhões de reais) por semana aos cofres americanos. Ao mesmo tempo, os EUA enfrentam déficit recorde de 1,4 trilhão de dólares (cerca de 2,2 trilhões de reais) no Orçamento e o risco de ultrapassar a dívida pública, que atingiu o teto de 14,3 trilhões de dólares (cerca de 22,7 trilhões de reais). A difícil recuperação da crise econômica e a necessidade de cortar gastos levaram até os setores mais conservadores, inicialmente a favor da guerra, a apoiar a decisão de Obama.

Os EUA tem atualmente 100 mil soldados no Afeganistão. Até dezembro de 2012, o presidente pretende retirar 33 mil, que fazem parte de contingente extra enviado em 2009. Apesar de não detalhar o que fará com os outros quase 70 mil soldados, Obama afirmou que até o final de 2014 deseja transferir as ações de segurança para forças afegãs, de maneira gradual.

O fim das ações militares iniciadas na era Bush é cada vez mais um consenso entre as diferentes alas da política americana. Na semana passada, um grupo de 27 senadores de ambos os partidos enviou uma carta a Obama pedindo uma grande retirada, argumentando que os custos superam em muito os benefícios. Na Câmara, a líder da minoria democrata Nacy Pelosi divulgou nota afirmando que muitos no congresso e no país tinham esperança que a retirada ocorresse mais cedo que o estabelecido pelo presidente. A opinião pública também é favorável a saída.

Mesmo assim, não há uma unidade em relação a como essa saída deve ser realizada. Comandantes defendem que a redução das forças americanas seja feita de forma ainda mais gradual, no intuito de evitar um possível retrocesso no combate ao Talibã.

O próprio secretário de Defesa, Robert Gates – que deverá deixar o cargo no fim do mês –, alertou recentemente que o progresso conquistado até agora pode estar ameaçado caso a retirada não ocorra de modo “organizado e coordenado”.

França e Inglaterra também anunciaram a retirada de seus contigentes. O chanceler britânico William Hague afirmou que pretende sair do país até 2015. O premiê David Cameron também aproveitou o discurso de Obama para confirmar que cerca de 450 dos 9.500 soldados britânicos vão deixar o país no curto prazo.

Nicolas Sarkozy disse que a França vai tirar seus 4.000 militares do Afeganistão seguindo o mesmo cronograma dos EUA. O chanceler alemão, Guido Westerwelle, comemorou o anúncio de Obama e disse que o país quer reduzir seu contingente de 4.900 homens no Afeganistão até o fim do ano.

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