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Política

Eleições 2014

O que pensa Paulinho da Força?

por Renan Truffi publicado 08/05/2014 03h48, última modificação 08/05/2014 03h49
Ao lado de Aécio Neves (PSDB-MG), deputado chamou Dilma de “maldita” depois de apoiá-la em 2010. Mas esta não é a primeira vez que ele muda de lado...
Orlando Brito/ ObritoNews
Aécio Neves e Paulinho da Força

Nestas eleições, Paulinho decidiu apoiar o tucano Aécio Neves, mas ele já esteve ao lado de Dilma, Lula, Serra, Marta Suplicy e Ciro Gomes

"Já tomei multa na eleição passada por defender a maldita da Dilma”, disse em tom raivoso o presidente licenciado da Força Sindical, o deputado federal Paulo Pereira da Silva (SDD-SP), o Paulinho da Força, em discurso no último 1º de Maio. Ao lado do pré-candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves (PSDB-MG), Paulinho emendou para um público de centenas de trabalhadores: “O governo que deveria dar o exemplo está atolado na corrupção. Se fizer o que a presidente Dilma falou ontem, quem vai parar na Papuda é ela", afirmou ao sugerir que a presidenta da República deveria estar presa com os colegas de partido, condenados no "mensalão".

Difícil seria explicar para um desavisado que o mesmo político definiu a eleição da petista, quatro anos antes, da seguinte forma: “É uma eleição histórica. Finalmente uma mulher passa a comandar o país. (...) Ganhou o projeto melhor para os pobres e para os trabalhadores”, bradou o deputado, na época pelo PDT, assim que foi anunciada a vitória de Dilma nas urnas.

A explicação para a mudança de opinião em relação à presidenta ele já cansou de repetir. Quando é questionado, Paulinho conta que Dilma fez várias promessas à Força Sindical e não “cumpriu nenhuma” nos quatro anos de governo. “O segundo mandato do governo Lula tratou tão bem os sindicalistas que quando ele me perguntou se eu apoiaria a Dilma, eu disse apoio. E ela fez um acordo dentro do prédio dos metalúrgicos de São Paulo, com as seis centrais sindicais, de que ela ia acabar com o fator previdenciário, reduzir a jornada de trabalho para 40 horas semanais, ia fazer uma política salarial para os aposentados, ia fazer uma tabela correta de correção do Imposto de Renda. Mas não cumpriu uma promessa, nenhuma”, criticou o deputado em 2013 em entrevista ao UOL ao chamar a presidenta de “inimiga”.

Mas esta não é a primeira vez que Paulinho da Força surpreende e joga para lados totalmente distintos com extrema facilidade. Na última eleição, em 2012, Paulinho se candidatou à prefeitura de São Paulo e, no segundo turno, declarou apoio a outro tucano. Na ocasião, ele rejeitou Fernando Haddad (PT) para posar ao lado do ex-governador de São Paulo José Serra, que acabou derrotado. Tudo isso apenas dois anos depois de atacar o próprio Serra na campanha presidencial. “Esse é um ano (2010) muito importante. Vamos ter de decidir se vamos continuar com esse projeto do presidente Lula, que começa a desenvolver e fazer o Brasil aparecer no mundo inteiro, ou vamos para outro projeto. [...] Por isso é importante a gente manter o projeto do presidente Lula e eleger a Dilma presidente do Brasil”, pediu antes de ironizar aquele que viria a se tornar seu parceiro. “Minha especialidade agora é bater no Serra. Amanhã à noite vou me distanciar da Força para poder falar mais mal dele”.

Apesar de ter apoiado a sucessora Dilma em 2010, Paulinho tinha outro lado também em 2006. Quando o ex-presidente tentava a reeleição, o deputado resolveu pedir voto para o adversário e governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. "Nunca teve tanta gente desempregada e a renda nunca caiu tanto", disse a alguns veículos de imprensa depois da vitória do petista, e quatro anos antes de mudar de opinião sobre o governo dele.

Vai e vem

A relação com a ministra da Cultura, Marta Suplicy, também é cheia de idas e vindas. Em 2004, quando Marta tentava se reeleger prefeita de São Paulo, Paulinho se candidatou, não foi para o segundo turno e declarou apoio a Serra, que venceu o pleito. “É o melhor para São Paulo e o melhor para o Brasil. É mais fácil trabalhar com o Serra”, resumiu aos jornalistas antes de criticar a gestão da petista. “Numa tentativa de fazer caixa, além de aumentar e criar taxas e impostos, ela (Marta) também deu novo gás à chamada indústria de multas”, explicou.

Mas, em 2008, o deputado confundiu até mesmo os sindicalistas no ato de 1º de Maio ao usar o palanque para pedir votos para Marta, que tentava voltar ao cargo contra Gilberto Kassab (PSD), justamente o indicado por Serra. Ao apresentar a candidata aos sindicalistas, Marta acabou sendo vaiada e o deputado tentou defendê-la. “Companheiros, ela é convidada minha. Vocês têm que receber com muito carinho. Mesmo aqueles que não concordam, têm que receber. Aqui não sobem aqueles que são contra os trabalhadores”, interveio depois de quase três minutos de vaia.

A aliança causou saia justa também para Marta, que explicou não ter ressentimentos pelas mudanças de lado do líder sindicalista. “Estamos contentes de contar com a Força Sindical. O Paulinho esteve na gestão Serra (PSDB) e Kassab (DEM). Por algum motivo, algum desentendimento, está hoje na nossa coligação”, minimizou antes da eleição que terminaria com Kassab como vencedor.

Aécio Neves e FHC

A bola da vez para Paulinho, no entanto, é Aécio Neves, com quem diz ter uma “boa relação” “faz tempo”. Mas o senador mineiro é apadrinhado do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), contra quem o deputado já disparou diversos ataques. Aliás, recentemente, ele comparou FHC justamente com Dilma. “O caminho (que a presidente Dilma Rousseff está tomando é o) do arrocho, de que o mercado decide, de que deve conter gastos, cortar aqui, ali... esse caminho é do outro povo. Esse caminho nós já conhecemos de lá de trás, do governo Fernando Henrique. E foi um caminho que não deu certo, que levou à recessão”, disse ao Terra Magazine em 2011 sobre a gestão tucana.

E, se a maior crítica de Paulinho contra Dilma é a manutenção do fator previdenciário, supõem-se que essa seja uma promessa de campanha de Aécio, certo? Não se sabe. Isso porque o índice aplicado no cálculo das aposentadorias foi criado na gestão de Fernando Henrique Cardoso e o senador tem evitado falar sobre o assunto. Na última segunda-feira 5, Aécio se encontrou com o atual presidente da Força Sindical, Miguel Torres, e quando questionado sobre o assunto, que é considerado “um câncer do governo FHC”, nas palavras do sindicalista, ele desconversou. “O salário mínimo não pode ser peça de campanha eleitoral, como fez a Dilma”, se desvencilhou.

Se as razões para esta aliança não estão claras ainda, o que é certo é que Paulinho da Força não tem dado sorte para seus candidatos nas últimas eleições. De 2002 até agora, ele só ficou ao lado do candidato preferido da maioria da população duas vezes: quando apoiou Serra em 2004, em São Paulo, e Dilma em 2010. Perdeu em 2002, 2006, 2008 e 2012, tanto ao lado de tucanos quanto de petistas.