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Política

Operação Lava Jato

"O que acontece na Petrobras acontece no Brasil inteiro"

por Redação — publicado 02/12/2014 18h10, última modificação 02/12/2014 18h23
Na CPI, Paulo Roberto Costa, delator do esquema de corrupção na Petrobras afirma que a maioria das obras públicas são alvo de desvio de verba
Antonio Cruz/ Agência Brasil

O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, preso pela Polícia Federal na Operação Lava Jato, afirmou que o esquema de pagamento de propina descoberto na Petrobras não é exclusividade da estatal. “O que acontece na Petrobras acontece no Brasil inteiro, nas rodovias, ferrovias, nos portos e aeroportos”, afirmou, durante reunião da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Petrobras.

Paulo Roberto Costa denunciou um esquema de propina nas diretorias da estatal para beneficiar partidos políticos com 3% do valor dos contratos com empreiteiras. Ele é apontado pela PF como "operador político" da organização criminosa, enquanto o doleiro Alberto Youssef é tido como o "operador financeiro". Costa disse estar “extremamente arrependido” de ter aceitado a indicação para a diretoria em 2004, segundo ele por meio do PP, um dos partidos que, como o PT e o PMDB, são apontados como beneficiários do esquema.

“Infelizmente aceitei uma indicação política para a diretoria. Estou extremamente arrependido de ter feito isso.” O ex-diretor reforçou que as indicações políticas acontecem desde o governo do ex-presidente José Sarney. Esta é ao menos a segunda vez que Costa faz esse "diagnóstico" sobre a estatal. "Desde que eu me conheço como Petrobras, as diretorias e a presidência da Petrobras foram sempre por indicação política. Eu dava sempre o exemplo (...) ninguém chega a general se não for indicado. Você, dentro (...) das Forças Armadas, [se não tiver indicação], para como coronel e se reforma como coronel", disse Costa.

Nesta terça-feira 2, Costa reafirmou aos parlamentares a veracidade do que disse na delação premiada. “Tudo que eu falei na delação, que eu não posso abrir aqui, eu confirmo. A delação é um instrumento sério e não pode ser usado de artifício, de mentira”, disse. Segundo o ex-diretor, foram 80 depoimentos em mais de duas semanas de delação. Costa ressaltou que, a cada depoimento que deu, apresentou provas para corroborar as informações. "Vários fatos foram apresentados, e os que não foram apresentados eu indiquei quem poderia falar sobre os fatos."

Segundo Costa, a decisão de aceitar a delação foi feita depois de pedidos de sua família. “Paulo, por que só você? E os outros? Você vai pagar sozinho por uma porção de coisas que estão erradas? Fiz a delação por respeito e amor à minha família.”

Nestor Cerveró

Costa participou nesta terça de uma acareação com o ex-diretor da Área Internacional da estatal Nestor Cerveró, apontado pelos delatores como integrante do esquema. Cerveró seria, indica a investigação, responsável por repassar dinheiro para o suposto operador do PMDB no esquema, o lobista Fernando Soares, conhecido como “Fernando Baiano”.

“Eu desconhecia qualquer esquema de ilícito nas diretorias da Petrobras, como um todo”, afirmou Cerveró ao ser questionado pelo deputado Afonso Florence (PT-BA), que atua como relator na comissão em substituição a Marco Maia (PT-RS), afastado para tratamento de saúde. "Ratifico que não recebi propina”, disse Cerveró.

Na condição do diretor responsável, à época, pela compra da refinaria de Pasadena, Cerveró negou que tenha havido pagamento de propina nos contratos referentes a essa transação e em outros da Petrobras. “Eu desconhecia. Pelo fato de desconhecer, para mim não havia [pagamento de propina]”, voltou a afirmar Cerveró. Em seguida, questionado sobre uma carta escrita por ele que propiciou a compra da refinaria, ele disse que não recebeu propina por isso. “Eu não recebi nada, eu fiz um procedimento normal. Eu não recebi nada por essa carta”, disse.

Sobre o assunto, Paulo Roberto Costa se limitou a dizer que reitera o que já disse ao juiz Sérgio Moro, nos depoimentos que prestou em Curitiba. Em setembro, o Jornal Nacional divulgou com exclusividade que Costa havia admitido ao juiz que recebeu, ele próprio, 1,5 milhão de reais de propina pelo contrato da refinaria de Pasadena.

Cerveró contou que sua defesa está sendo paga pela Petrobras por meio de um seguro que é feito pela companhia para custear a defesa de seus funcionários em processos que estejam relacionados à gestão. “Esse seguro só cobre a defesa. No caso de condenação ou dolo comprovado o seguro tem que ser ressarcido pelo responsável”, esclareceu em seguida.

Nestor Cerveró começou a acareação comunicando aos parlamentares que não irá responder perguntas formuladas com base em vazamento de informações do processo à imprensa. “Não vou responder a perguntas que sejam extraídas de possíveis vazamentos ou ilações da mídia. Não vou responder perguntas que eu desconheço e que os senhores também desconhecem”, disse.

Com informações da Agência Câmara e da Agência Brasil