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Política

Queda de braço

O PT reage à 'Veja'

por Gabriel Bonis publicado 09/09/2011 10h42, última modificação 09/09/2011 10h42
Após sofrer ataques da revista, partido lança campanha contra a publicação e propõe regulação da mídia no País

Cerca de duas semanas após a revista Veja estampar em sua capa uma reportagem acusando o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu de confabular contra a presidenta Dilma Rousseff com ministros, senadores e deputados em um hotel de Brasília, o PT reagiu com uma campanha em seu site Linha Direta, administrado pelo diretório do partido em São Paulo.

No portal, a legenda destaca um banner com as frases: “Você quer um jornalismo de mentira e falta de ética? Não seja manipulado. Não leia a Veja”. No link, há uma nota de convocação para um protesto contra a revista no sábado 17, na Avenida Paulista.

"Essa é uma campanha de blogueiros que pediram a divulgação do partido, então estamos dando espaço. Mas fazemos o mesmo com outros movimentos sociais, justamente por considerar essa ação um movimento social", diz o presidente do PT paulista, Edinho Silva.

A reportagem sobre Dirceu causou polêmica e gerou uma investigação da polícia, pois o repórter da revista teria tentado invadir o quarto do petista no hotel.

A publicação da Editora Abril reservou mais um espaço para o PT na mesma edição. Em outra matéria, apontou que o partido apoiou um projeto de lei do deputado estadual Campos Machado (PTB-SP) para retirar a Corregedoria da Polícia Civil do gabinete do secretário de Segurança Pública de São Paulo, Antônio Ferreira Pinto. O projeto era criticado pela revista, já que,  após a mudança da instituição, em 2009, houve melhora significativa na fiscalização de oficiais corruptos, com mais de dois mil inquéritos abertos e a exoneração de 223 policiais em 2010, contra 67 do ano anterior.

No entanto, o partido apoia a autonomia da Corregedoria e as investigações, explica Silva, mas questionava o fato da mudança ter sido realizada por meio de um decreto do governo. "Isso deveria ter sido feito por um projeto de lei, mas o governo tem usado cada vez mais o decreto e não se governa desta forma", afirma. "Não somos contrários à mudança, mas não se pode passar por cima da Assembleia Legislativa, o Executivo não pode legislar e não podemos impor atos administrativos."

A campanha petista ocorre no momento em que o partido lidera no Congresso uma proposta para regular a mídia. No 4º Congresso Nacional do PT, realizado na última semana, o assunto foi debatido com foco na proibição da propriedade cruzada de meios de comunicação.  Uma medida que deve desagradar a parlamentares donos de rádios, jornais e emissoras de televisão simultaneamente.

No Congresso, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, disse que o domínio midiático “por alguns grupos econômicos tolhe a democracia” e criticou a “parcialidade” dos veículos de comunicação. O ex-presidente Luíz Inácio Lula da Silva e a presidenta Dilma Rousseff mostraram-se a favor de Dirceu no caso e também alfinetaram a imprensa.

O projeto apresentado pelo PT não menciona censura, mas pede a responsabilização da mídia quando houver falseamento ou distorção dos fatos e aponta o domínio midiático de grupos econômicos como "silenciadores de vozes" e "marginalizadores de multidões".

No entanto, a ideia da regulação não foi bem recebida pela oposição, para a qual a medida poderia acabar com a liberdade de imprensa. "Toda vez que algum malfeito petista aparece nas páginas dos jornais e das revistas, a cúpula do PT se apressa em ressuscitar o chamado 'marco regulatório da mídia'", alfinetou o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE).

Contudo, ele recebeu o apoio do presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante.

*Com informações da Agência Brasil.

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