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O papel das redes sociais

por Brasilianas.org — publicado 29/03/2011 09h58, última modificação 29/03/2011 09h58
Nos próximos anos, à medida que as redes sociais especializadas se fortaleçam, haverá uma mudança fundamental no conceito de democracia. Por Luis Nassif

Por Luis Nassif

Ontem participei de um debate sobre redes sociais na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Trata-se do fenômeno da década, a possibilidade dos internautas se comunicarem através de sistemas de relacionamento, usando ferramentas como chats, trocas de arquivos, fotos, vídeos.

Esse modelo já se delineava em meados dos anos 90. Naquela época, um desenvolvedor norte-americano criou o que seria o modelo atual de rede social. Conseguiu investidores brasileiros para o projeto. Mas não havia um modelo de negócio definido.

O projeto acabou abortado e o desenvolvedor se tornou funcionário da Microsoft.

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Apenas nos últimos anos o fenômeno ganhou força, através de modelos como o My Space, visando a comunidade de artistas, Orkut e, agora, Facebook, e sistemas de discussão, como no Yahoo e Google

Hoje em dia, as comunidades estão espalhadas por todas as áreas, de redes sociais de especialistas, ativistas políticos, movimentos sociais etc. E tende a crescer cada vez mais, trazendo mudanças significativas para a político, economia e sociedade.

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Para a economia, as influências se dão no campo do consumo e da política econômica. No consumo, por juntar pessoas com hábitos comuns. No caso da política e da economia, por permitir uma nova forma de ativismo.

As últimas eleições mostraram, pela primeira vez, o papel dos ativistas políticos, personagens que surgem nesse novo mundo, com atuações específicas na vida digital.

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Nos próximos anos, à medida que as redes sociais especializadas se fortaleçam, haverá uma mudança fundamental no conceito de democracia.

Na democracia formal, há três poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário – e o chamado quarto poder, a mídia de opinião, expressando em tese os anseios e opiniões da chamada opinião pública.

Enquanto as novas ideias se propagam com lentidão pelo Legislativo e Judiciário, um pouco menos lentamente pelo Executivo, na opinião pública o processo é rápido, porque as ideias não ficam amarradas à burocracia, à hierarquia dos demais poderes.

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Ocorre que historicamente, o papel da chamada mídia de opinião foi a de intérprete de interesses de grandes grupos – embora sua força residisse na capacidade de interagir com o público mais amplo.

Com as redes sociais, o jogo se amplia substancialmente. Todos os grupos políticos – de associações empresariais e movimentos sociais – podem estar representados na mesma plataforma tecnológica. Cessa o papel de mediação da mídia de opinião e os grupos passam a atuar diretamente nesse mercado de opinião.

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O avanço das redes, sua universalização, com o tempo levará a formas de democracia direta, com alguns temas passando por plebiscitos online, antes de serem referendados pelos demais poderes. Haverá modelos de captação das expectativas de todos os agentes políticos online.

Haverá mudanças radicais, também, na representação dos partidos. Nenhum partido, sozinho, conseguirá representar o conjunto de expectativas de eleitorados amplos. Entre seus correligionários, haverá opiniões diversas sobre política econômica, políticas sociais, aborto, célula tronco.

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