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Surge contador que teria retirado declaração com dados da filha de Serra

por Celso Marcondes — publicado 01/09/2010 18h36, última modificação 02/09/2010 11h16
Está provado que não foi a empresária Verônica Serra quem pediu seus dados do IR para a Receita Federal de Santo André.
Surge contador que pediu o IR com dados da filha de Serra

Em entrevista exclusiva ao O GLOBO, o contador Antônio Carlos Atella Ferreira assume que apresentou procuração supostamente assinada por Verônica Serra

(atualizado às 18h20)

O caso ficou ainda mais estranho: surgiu o contador Antônio Carlos Atella Ferreira, exatamente aquele que foi apontado pela Corregedoria da Receita Federal como a pessoa que se apresentou à Receita em Santo André com um documento em nome da empresária Verônica Serra solicitando seus dados das delcarações de Imposto de Renda.

Ele afirmou que não pode dizer quem o contratou para solicitar os dados. Disse que foi “terceirizado” e que serviu “para alguém que queria prejudicar o Serra”.

A Receita informou que não lhe cabe investigar se a procuração é falsificada, o caso está nas mãos da Polícia Federal.

Ao GLOBO o contador afirmou que é muito fácil para qualquer pessoa forjar um documento com o objetivo de tirar cópias do IR: “são 15, 20 por dia, Na época, nem tinha como fazer controle”.

A “época” a que alude o novo personagem é 29 de setembro de 2009, quando teriam sido pedidos os dados da filha de Serra. Curiosamente, num momento em que ainda não estavam postas as candidaturas de Dilma e Serra.

Hoje pela manhã, ao Portal Terra, Serra afirmou que a quebra do sigilo fiscal de sua filha, faz parte de uma operação armada em benefício da candidatura de sua adversária Dilma Rousseff (PT). "É espantoso a gente ver o grau de delinquência que envolve a campanha dela, uma candidata inventada, a quem se atribui um monte de coisas que não fez", afirmou.

Para entender o caso, leia também as atualizações anteriores:

Está provado que não foi a empresária Verônica Serra quem pediu seus dados do IR para a Receita Federal de Santo André.

(atualizado às 17h30)

O caso foi encaminhado nesta tarde para o Ministério Público Federal, depois que Otacílio Cartaxo, secretário da Receita Federal confirmou o não reconhecimento por Verônica Serra da assinatura do documento que foi entregue para obter suas declarações de renda, em Santo André, na Grande São Paulo. Tabelião também afirmou que não houve reconhecimento da firma no local e que nem existe no cartório um cartão de assinaturas da filha de Serra.
Presidente Lula afirma que, se houve falsificação, responsável tem que ser preso.

Para entender o caso, leia também:
O mistério da quebra do sigilo da filha de Serra

(atualizado às 16h36)

Documento que supostamente justificou o acesso aos dados fiscais de Verônica foi falsificado, garante o tabelião do cartório. Ela diz que a assinatura não é sua.

Os jornais desta quarta-feira 1 dão com destaque que os dados fiscais da empresária Verônica Serra, filha de José Serra, também teriam sido violados na Receita Federal.

A investigação em curso, sob responsabilidade da Corregedoria da Receita, foi iniciada em junho passado, depois que reportagem da Folha de S.Paulo informou que tiveram quebrados seus sigilos fiscais Edurdo Jorge, Luiz Carlos Mendonça de Barros, Gregório Marin Preciado e Ricardo Sérgio, todos com algum tipo de ligação no passado com o PSDB ou governos do partido.

Noticiado com ares de grande escândalo da campanha presidencial, o assunto tem esquentado a discussão entre os dois principais candidatos ao pleito. A coordenação da campanha de José Serra e o próprio candidato tem acusado o comando da campanha petista pelo ocorrido. Afirmam que se trata de um “novo dossiê”, forjado para servir como arma contra o PSDB. Não relutam em acusar também a própria Dilma Rousseff pelo crime.

Em julho, as investigações levaram ao afastamento do cargo da funcionária da Receita, lotada no município de Mauá, na Grande São Paulo, Antonia Aparecida dos Santos Neves Silva. Teria sido dela a senha utilizada para acessar os dados das declarações de Imposto de Renda dos enunciados. Através de seu advogado ou de delcarações por escrito, a servidora da Receita afirmou que sua senha era utilizada por vários outros funcionários do órgão e que ela não teria acessado diretamente os dados.

A novidade do dia, que envolve a filha de Serra, muda o cenário do crime para o município de Santo André. Teria sido lá, em 30 de setembro do ano passado, que o sigilo fiscal de Verônica foi quebrado. Os jornais divulgam hoje até o nome da funcionária responsavel pelo crime: Lúcia de Fátima Gonçalves Milan. Porém, à Folha de S.Paulo, Lúcia informou que teria sido a própria Verônica quem pediu, através de formulário por escrito, os dados de seu IR e que ela teria o documento para apresentar no momento oportuno.

Nebulosa até aqui, a história ganharia mais névoa no transcorrer desta quarta-feira. Sabemos, através do portal G1, que a suposta assinatura da filha de Serra não consta dos cartões de assinatura do Cartório do 16º Tabelião de Notas de São Paulo. O tabelião afirmou que a assinatura é falsa. Ao mesmo tempo, a empresária veio a público para afirmar que não fez o pedido e que a assinatura não é sua.

Instado a falar sobre o assunto em evento no dia de hoje, o presidente Lula afirmou que mantém sua confiança na Receita Federal e que acredita na capacidade da Polícia Federal para elucidar o caso. A oposição quer ouvir o ministro Guido Mantega, a cujo ministério se submete a Receita, sobre o assunto.

Outra versão que corre pela imprensa nos últimos dias é que existiria em São Paulo um amplo mercado de venda de dados sigilosos do IR, destinado a interessados em obter informações sobre possíveis clientes ou concorrentes. Um camelô foi preso no bairro da Santa Efigênia vendendo um CD com dados de dezenas de contribuintes.

O assunto toma conta do noticiário político do dia e novas informações ainda devem surgir.

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