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O dia em que os Hells Angels brasileiros invadiram Caracas

por Luis Nassif publicado 19/06/2015 11h40, última modificação 24/06/2015 16h39
A tentativa de transformar um episódio banal em incidente diplomático é indigna para o parlamento brasileiro
Facebook / Aécio Neves
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Os senadores de oposição que foram a Caracas, no aeroporto antes do embarque

El Universal é um jornal de oposição na Venezuela que cobriu a visita dos senadores brasileiros a Caracas. Entrevistou a ex-deputada Maria Corina Machado - que acompanhava a comitiva - que explicou que a viagem foi frustrada devido a um congestionamento provocado pela manutenção de um túnel e protestos de um grupo de funcionários da empresa de manutenção.

Diz ela que "en menos de 3 horas los Senadores brasileros ya saben lo que significa vivir en dictadura hoy en Venezuela", luego de publicar "totalmente trancada la autopista Caracas - La Guaira porque están limpiando los túneles y por protesta carretera vieja".

O que ocorreu com a comitiva é simples de entender.

A van que a conduzia foi acompanhada por batedores da polícia venezuelana. A comitiva parou no congestionamento. A presença de batedores despertou a curiosidade de populares. Alguns cercaram o ônibus e deram murros na lataria. Em nenhum momento houve ameaças à sua integridade física, porque os batedores estavam lá protegendo a comitiva.

É um episódio da mesma dimensão dos ataques de populares na Paulista a pessoas que vestiam camisas vermelhas. E menos grave do que os tais Revoltados Online atiçando a malta contra repórteres de uma revista tida como de esquerda. Onde existe malta ocorrem problemas típicos de ajuntamento de malta. Simples assim.

Esta é a história real.

A tentativa de transformar um episódio banal em incidente diplomático é indigna para o parlamento brasileiro. Que o governo da Venezuela pague o desgaste da prisão de oposicionistas. Pretender responsabilizá-lo por problemas de trânsito em Caracas é desmoralizante para o parlamento brasileiro.

Valeram-se do mesmo estratagema de José Serra no episódio da bolinha de papel. Seleciona-se uma região claramente hostil ao candidato, já que agrupando ex-funcionários da Funasa demitidos por ele quando Ministro. A comitiva entra provocando e a reação serve de pretexto para a farsa da bolinha.

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Após retornar ao Brasil, Aécio Neves narra sua incursão frustrada aos jornalistas

Desde o início os parlamentares pretenderam "causar". A começar do fato de terem sido acompanhados por repórteres da Globo, prontos a registrar qualquer incidente e da denúncia canhestra de que o voo tinha sido proibido pelas autoridades venezuelanas. Só faltava! Depois de um estadista de dimensão internacional, como Felipe Gonzales, ter visitado os prisioneiros políticos, a troco de quê proibir uma comitiva liderada por um ex-candidato à presidência do Brasil que tem uma imagem internacional de playboy, acompanhado de um conjunto de brucutus que, pela idade e aspecto vociferante, mais se assemelham a um bando de Hell´s Angels que acabaram de chegar de Woodstock.

Admitia-se esse jogo de "causar" na mídia.

Mas nessa manipulação, foi-se longe demais. Valendo-se da perda de dimensão do Congresso - como as eleições do inacreditável Eduardo Cunha e do repaginado Renan Calheiros - levaram esse factoide ridículo para a casa, provocaram o Itamarati e até exigiram rompimento de relações diplomáticas com a Venezuela.

Onde se pretende chegar com essa fabricação irresponsável de factoides?