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Eleições 2010

O debate na Globo para governador de SP

por Celso Marcondes — publicado 29/09/2010 18h26, última modificação 30/09/2010 11h13
Muitas regras prejudicam a discussão. Geraldo Alckmin foi alvo preferencial
O debate na Globo para governador de SP

Muitas regras prejudicam a discussão. Geraldo Alckmin foi alvo preferencial. Foto: Cesar Ogata

Uma “festa da democracia”, foi assim que a âncora do “Jornal da Globo”, Cristiane Pelajo, definiu os 10 debates para governadores de Estado que a emissora tinha acabado de transmitir na noite desta terça-feira 28.

Iniciados às 22h45 e encerrados às 0h44, a “festa” foi restrita aos eleitores que podiam ir para a cama tão tarde. E em São Paulo, também aos que resistiram a um encontro tão “engessado” por regras que limitavam a espontaneidade dos candidatos e embates mais livres entre eles.

Um exemplo: pelo regulamento, aprovado com os assessores dos seis candidatos presentes, era obrigatório um rodízio de perguntas e respostas entre eles, de forma que cada um só tivesse tempo para responder a uma pergunta e fazer outra para um dos oponentes em cada bloco do programa. Resultado, não houve durante o debate qualquer embate entre os dois lideres nas pesquisas de intenção de votos.

Geraldo Alckmin, do PSDB, teve quatro oportunidades para inquirir Aloizio Mercadante (PT) e não o fez. O petista, em função dos sorteios que determinavam o rodízio, não teve nenhuma chance de fazer perguntas para o tucano. Foi obrigado a se contentar com três protestos, quando debatia com outros candidatos: “o Alckmin me critica o tempo todo no programa de TV dele, mas quando fica frente a frente foge do debate”, afirmou.

Na verdade, o tucano foi fiel à sua tática pré-programada. Líder folgado nas pesquisas tem visto um crescimento do petista, que já coloca em risco sua vitória em primeiro turno. Nestas condições, optou por evitar o confronto direto com o oponente, tarefa que lhe foi facilitada pelas regras do evento.

Alckmin, porém, não escapou de ser o alvo preferido da artilharia adversária. Mercadante e Celso Russomano (PP) fizeram uma “dobradinha” explícita contra o tucano. Pedágios, segurança e educação foram os temas selecionados para atingir o governo do PSDB. Paulo SKaf, do PSB, transformou a dupla em trio por vários momentos, mas sem deixar de dar estocadas esparsas no petista.

Paulo Bufalo, do PSOL, fez a versão jovem, e igualmente tranquila, de Plínio de Arruda Sampaio, candidato do partido à presidência. Colocou todos os demais candidatos “no mesmo saco” e se apresentou como a única alternativa ao status quo.

Coube ao candidato do PV, Fábio Feldmann, servir como único ponto de apoio de Alckmin, como já aconteceu em outros debates. Entre os dois, apenas gentilezas e “levantamento de bolas” para cortar.

Feldmann também fez bem o papel de divulgador da candidatura de Marina Silva à presidência, exaltando sua crença numa “onda verde” que a leve para o segundo turno da disputa.

Neste quesito, Mercadante também seguiu bem seu script, ao enaltecer, como era de se esperar, sua ligação com o governo Lula e Dilma Rousseff. Com menos veemência, Alckmin também se lembrou de José Serra.

No frigir dos ovos, cada qual defendeu suas posições, sem derrapadas, nem cenas de nervosismo explícito, mas ficou evidente o encurralamento do candidato do PSDB. Louve-se a ele a capacidade de manter a linha e responder - e se esquivar -, na medida de suas possibilidades.

De resto, vale salientar que o debate marcou, mais uma vez, o fim da discussão ideológica. Tudo se resume a discutir quem fez mais e quem promete mais. Com uma diferença em relação aos debates presidenciais: a discussão sobre ética e corrupção não existe em São Paulo.

Ao final fica a dúvida: será que debates fora do “horário nobre”, cheio de regras e com candidatos enquadrados por seus marqueteiros ajuda ao eleitor na definição de seu voto? E no seu estado, como foi o debate?

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