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Política

Eleições 2010

O crime da Receita: qual a motivação? Hipótese 2

por Celso Marcondes — publicado 08/09/2010 18h49, última modificação 08/09/2010 18h49
A direção do PT sugere que os sigilos fiscais das pessoas ligadas ao PSDB foram quebrados por um jornalista

A direção do PT sugere que os sigilos fiscais das pessoas ligadas ao PSDB foram quebrados por um jornalista

Em nossa pequena mas combativa Redação, continuamos a investigar o caso e a estudar hipóteses, convencidos que estamos de que houve um crime e que são conhecidas as armas utilizadas. Sem convencimento, porém, sobre as motivações e os nome dos autores do crime.

Aqui no site, na enquete que publicamos a respeito da origem do escândalo (veja ao lado desta home page), a maioria dos leitores se manifestou pela alterantiva “é uma armação para prejudicar a candidata do PT”, com 44% dos votos. A minoria votou “a campanha de Dilma é responsável pelo crime”, com 8%. Em , avaliei esta última hipótese, que apesar de minoritária neste espaço é majoritária na grande imprensa e a tese da campanha tucana.

Hoje discuto um outro caminho, plausível com as informações que dispomos até o momento e antes que nossos solertes repórteres investigativos tragam novidades. O caso seria “um esquema de compra e venda de informações para políticos e jornalistas”? Até aqui, apenas 14% dos leitores que votaram na enquete optaram por esta alternativa. Vamos à ela.

É sabido que os jornalistas e os órgãos de imprensa são ávidos por informações exclusivas, faz parte da nossa natureza. É sabido também que em cada escândalo, uma das palavras chaves das matérias exclusivas é “vazamento”. Informações que chegam por fontes raramente reveladas da Polícia Federal, do Ministério Público, dos diversos ministérios, do Pode Judiciário. Nunca falta quem, pelos motivos mais diversos, esteja disposto a passar “notícias quentes”. De posse delas, é dever de ofício do profissional do jornalismo apurar os fatos e conferir credibilidade à sua fonte e relevância à informação.

Deve ser também do conhecimento de parte dos leitores que existem fontes, jornalistas e órgãos de imprensa que não primam pelo respeito à ética. Há quem pague por informações, há quem só as passe por dinheiro ou favores. Munidos de dados que poucos ou ninguém mais tem, é possível se produzir matérias bombásticas, denúncias demolidoras que vão para capas de revistas ou simplesmente resultam em artigos exclusivos (os que chamamos de “furos”) que dão prestígio para quem escreve, pelo menos diante de seus chefes.

Em epócas eleitorais esse mercado subterrâneo cresce. Políticos, candidatos e seus assessores também entram no “sistema”. Escarafunchar vidas alheias para obter armas a serem usadas contra adversários chega a ser tarefa de grupos organizados pelas coordenações das campanhas, por vezes até alheios ao conhecimento dos candidatos e das direções partidárias.

Militantes de grupos divergentes que atuam nos sindicatos que têm base nos órgãos públicos, militantes de partidos políticos nestes órgãos ou singelos servidores descontentes com os chefes são fontes permanentes de conteúdos relevantes e também de meras intrigas.

Ai, se encontram os dois lados: gente interessada em “passar” ou vender informações, gente interessada em comprar. Surgem deste encontro supostos ou verídicos “dossiês” detonando autoridades do momento ou do passado. O caso das eleições presidenciais de 2006, popularizado como o dos “aloprados” é um exemplo.

O escândalo atual da Receita, pela leitura da direção nacional do PT divulgada em coletiva do presidente José Eduardo Dutra nesta segunda 6, não seria semelhante ao de 2006. O de hoje não tem como personagens as figuras carimbadas daquele, mas filiados ao PT (e também ao PMDB e ao PV) sem expressão no partido e servidores públicos até então anônimos.

Ao jurar que não há envolvimento da direção partidária, Dutra pediu que a Polícia Federal aprofunde investigações a respeito do levantamento que estaria sendo feito pelo jornalista Amauri Ribeiro quando trabalhava para o jornal O Estado de Minas. As informações obtidas – sabe-se lá como – pelo jornalista a respeito de um grupo de pessoas ligadas ao PSDB iriam fazer parte de um livro que ele lançaria antes das eleições.

Em , assinada por Sergio Lirio, este caminho é lembrado. Seria uma hipótese plausível?

A mancha que ficaria para o PT se restringiria ao encontro que Amauri Ribeiro teve em junho passado com o jornalista Luiz Lanzetta, que na ocasião trabalhava na assessoria da área de comunicação da campanha de Dilma e buscava trazer Ribeiro para a campanha petista. Um preço a pagar pelos petistas, mas sairia barato. Lula encerraria o mandato com a imagem da Receita mais que arranhada e com Dilma eleita para corrigir o estrago.

Parece ser essa a aposta da direção do PT.