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Política

Editorial 2

Novas reflexões sobre Battisti

por Mino Carta publicado 15/09/2011 21h35, última modificação 16/09/2011 11h18
País que descumpre Tratado Internacional não tem condições de aspirar a uma cadeira permanente no Conselho da ONU

Meu pensamento voa na direção do ex-presidente Lula, do ex-ministro da Justiça Tarso Genro, do senador Eduardo Suplicy, dos juízes do STF que votaram contra a extradição de Cesare Battisti, e de todos aqueles que enxergam no ex-meliante do arrabalde romano, no ex-terrorista e assassino contumaz, um ilibado intelectual.

E também toma o rumo de Paris em busca de Fred Vargas, a escritora de policiais dotada de peculiares entendimentos em relação ao crime e aos criminosos, e de juristas brasileiros dotados de vivenda na Cidade Luz, como Dalmo Dallari e Eros Grau, certos de que a Península nos anos ditos de chumbo viveu entregue a um regime de clara extração mussoliniana.

Abre-se neste exato instante a perspectiva de um embate judicial cujo ponto de fuga situa-se em Haia, a cuja Corte Internacional vai recorrer a Itália em relação ao Caso Battisti. Sobram poucos dias para impedir por enquanto que isto ocorra, mas o governo brasileiro não parece inclinado a evitar o confronto, mesmo com o risco de sofrer uma condenação.

É impensável que a Corte de Haia não reconheça que o Tratado de Extradição, assinado com a Itália em 1989, não foi rasgado em nome de insustentável alegação de que, extraditado, Battisti até correria perigo de vida.

A condenação não terá o poder de alterar a negativa brasileira, pesará, porém, e gravemente, sobre a nossa política externa. País que descumpre um Tratado Internacional não tem condições de aspirar a uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da Onu. Meu pensamento voa e se compadece.

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