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Política

Andante Mosso

Notas sobre o STF, a Copa do Mundo e outros fatos

por Mauricio Dias publicado 06/05/2011 10h12, última modificação 06/05/2011 12h37
Em sua coluna Andante Mosso, nosso editor especial Maurício Dias comenta principais fatos políticos da semana, da Copa do Mundo a encaminhamentos da justiça

Utopia socialista

A decisão do Supremo Tribunal Federal pelo reconhecimento legal da união gay coroa a luta dos homossexuais contra o preconceito. À esquerda e à direita.

No fim do século XIX, o socialista inglês Edward Carpenter argumentava que a aceitação cultural e jurídica da homossexualidade seria parte de um processo mais amplo de “emancipação socialista”.

Provocava urticária em Friedrich Engels.

À parte a valiosa contribuição teórica de Engels para o socialismo, ele era um homofóbico radical.

Nesse sentido Engels atrairia até mesmo a simpatia do deputado ultradireitista Jair Bolsonaro, caso os dois personagens fossem contemporâneos.

Assim na terra...

O que justifica o preço cobrado pelo consórcio para levar o metrô do Rio de Janeiro à Barra da Tijuca?

Inicialmente, a obra seria feita à custa do consórcio vencedor do leilão de concessão realizado em 1999, no apagar das luzes do governo Marcello Alencar (PSDB).

Numa só canetada, o mesmo consórcio vencedor passou, agora, à condição de contratado sem licitação. Assim, vai trabalhar por preços superiores, quase três vezes, aos praticados em obras similares.

Ou seja, 320 dólares por metro cúbico de escavação, carga e transporte de rocha, em vez de 110 dólares praticados internacionalmente.

...como no céu

O açodamento tomou conta da privatização de aeroportos sob o pretexto da realização da Copa do Mundo (2014) e das Olimpíadas (2016).

Descartam o fato de que o crescimento da demanda nos últimos anos é resultado do acesso popular ao transporte aéreo, que, na imaginação dos preconceituosos, transformou os aeroportos em rodoviárias.

Até aqui os interessados na privatização só miram os aeroportos brasileiros lucrativos.

Não seria o caso de o Brasil puxar o freio de arrumação e ver como o assunto é tratado, por exemplo, nos EUA e no Canadá?

Ex-entulho

Ganha força, na reforma política, a ideia de resgatar a proibição de coligações partidárias nas eleições proporcionais.

O veto às coligações foi uma criação de “juristas de plantão” que atendiam ao regime militar. Estava embutido na Constituição de 1967, no artigo 149, parágrafo 8º.

Foi extirpado na limpeza feita durante o movimento de retirada do “entulho autoritário” deixado pela ditadura.

Neste caso, a reforma política não cria. Copia.

Ranking macabro

Se não há exagero do Sindicato dos Policiais Civis de Alagoas, o número de assassinatos naquele estado nos últimos cinco anos foi de 9 mil e 815 pessoas.

Esse número de mortos é superior ao de habitantes de 26 municípios alagoanos.

As vítimas são, na maioria, jovens pobres que tinham alguma relação com o tráfico e o consumo de drogas, com o crack em destaque.

“Pelusômetro”

O criminalista Délio Lins e Silva, sobrinho do falecido jurista Evandro Lins e Silva, batizou de “pelusadas” o rol de propostas recentes do ministro Cezar Peluso.

A última delas, a de aumento das custas judiciais para reduzir o número de processos e dar agilidade à Justiça. A anterior, uma emenda constitucional para reduzir o número de recursos nos tribunais superiores.

Lins e Silva, do Conselho Federal da OAB, proporá na próxima sessão plenária a criação do “pelusômetro”, para medir o que chama de “propostas disparatadas” do presidente do STF.

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