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Eleições 2014

"Nós dois somos possibilidades"

por Redação — publicado 09/10/2013 10h41, última modificação 09/10/2013 11h00
Em entrevista a jornais de SP, Marina Silva diz que a decisão sobre a candidatura do PSB à Presidência não foi debatida com Eduardo Campos
José Cruz/Agência Brasil
Marina Silva e Eduardo Campos

A ex-senadora Marina Silva ao lado do governador Eduardo Campos (PE): quem dos dois será o candidato à Presidência?

Três dias após anunciar a sua filiação ao PSB, a ex-senadora Marina Silva concedeu entrevistas aos dois principais jornais de São Paulo, o maior colégio eleitoral do País, para explicar a mudança - apontada por muitos como "incoerente" com o seu projeto presidencial. Marina, que viu a Justiça eleitoral barrar a criação de seu partido, a Rede Sustentabilidade, foi abrigada na legenda socialista para conseguir concorrer às eleições em 2014. A legenda, porém, é comandada pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos, virtual candidato à Presidência.

Com 16% das intenções de voto na última pesquisa Ibope, contra 4% de Campos, Marina disse à Folha de S.Paulo que não é hora de se discutir quem será o candidato do partido, mas reconheceu: “Nós dois somos possibilidades e sabemos disso. Que possibilidade seremos o processo irá dizer e estamos abertos a esse processo”.

A ex-ministra do Meio Ambiente disse também que não vê “incoerência” em sua adesão ao PSB, partido de base desenvolvimentista, com a lógica da Rede, ambientalista. Segundo ela, “a ferramenta de manejar a diferença é o programa”. “A Rede não está se fundindo com o PSB, não sou uma militante do PSB. É uma filiação democrática transitória. Sou a porta-voz da Rede, militante da Rede. Meu partido é a Rede”.

Marina Silva afirmou que há um acordo entre ela e Eduardo Campos de não debater a candidatura à Presidência neste momento. Ela diz partir do princípio de que a candidatura dele já está posta. “Se a aliança prospera com ele, e a candidatura dele posta, a Rede terá ali o caminho da sua viabilização.”

“A minha possibilidade é de trabalhar para que o programa e a candidatura que o Eduardo Campos hoje representa assuma compromissos com a sustentabilidade política, social, ambiental, cultural, esse é o meu compromisso, essa é a minha cobrança.”

Ao Estado de S.Paulo, a ex-petista, que em 2010 concorreu à Presidência pelo PV e obteve quase 20 milhões de votos, manteve o discurso sobre o ajuste de programas e afirmou não ter se filiado ao PSB por “mágoa ou raiva”. Em uma tentativa de se afastar do governo sem perder de vista o lulismo, ela comparou o seu movimento para criar um novo partido ao do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva quando mobilizou o movimento sindical do ABC. “Quando o Lula fez o movimento no ABC e quis transformar aquele movimento em um partido político foi muito incompreendido, pelo PMDB de luta, que dizia que iria dividir as oposições, pelos partidos marxistas leninistas que tentavam rotulá-lo de ser um partido de direita para fazer o jogo da direita e era rotulado pela direita de ser um partido de esquerda que era um perigo para o Brasil”, disse . “De uma forma diferente, sem a força do Lula, a estrutura sindical, de repente eu me vi numa situação de alguma forma parecida. Uns querendo rotular a Rede Sustentabilidade como um partido frágil e outros entendendo que de fato é um esforço para criar uma instituição que dialoga com esse novo sujeito político que está surgindo e outros dizendo que não é algo diferente, é como todos os partidos. Não é a mesma coisa”.

Na mesma entrevista, ela disse que “o PT não foi capaz de entender que nós que fomos a força criativa, produtiva e livre que produziu um ato de mudança na década de 80 e chegou até aqui não poderíamos nos conformar com a repetição do sucesso, que é estar no poder”. “Eu lutava muito para dizer que a sustentabilidade era a ideia cujo tempo chegou, de que era a atualização da utopia. Mas quando eu dizia isso, as pessoas achavam que eu estava querendo cacifar a minha agenda.”

Sobre as críticas ao governo Dilma Rousseff, chamado por ela de “chavista” por apoiar o projeto de restrição à criação de partidos, ela declarou: “Quando me referi à ideia do chavismo foi no espaço do comportamento político, de que não possa prosperar outra força política”.