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No pântano da farsa

por Leandro Fortes — publicado 24/11/2011 10h05, última modificação 25/11/2011 10h10
A Chevron escolheu a pior estratégia: tentar enganar os órgãos de fiscalização e a sociedade brasileira
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A Chevron escolheu a pior estratégia: tentar enganar os órgãos de fiscalização e a sociedade brasileira. Foto: AFP

O presidente da Chevron no Brasil, George Buck, chegou ao Congresso Nacional na quarta-feira 23 ciente de que a credibilidade da empresa sob seu comando tinha ido parar no fundo do poço. Responsável por uma equivocada estratégia baseada em mentiras, manipulações e arrogância empresarial, o executivo da quarta maior petroleira privada do mundo perdeu-se entre desculpas e desenganos até ser avisado, ainda durante a audiência pública da qual participava, do tamanho da encrenca em que se metera. Daquele dia em diante, e por tempo indeterminado, a Chevron estava proibida de explorar petróleo no Brasil.

 

A decisão da Agência Nacional do Petróleo (ANP) foi anunciada no início da noite da quarta 23, exatos 15 dias depois de um vazamento de óleo ter começado a manchar as águas do Oceano Atlântico, a 120 quilômetros da costa de Macaé (RJ), um desastre ambiental ainda em andamento e cuja dimensão não foi calculada com exatidão. Fala-se em 3 mil barris, ou 476,9 mil litros de óleo, mas o vazamento continuava (na noite de quinta-feira a companhia informou que ele havia parado, mas o comunicado ainda carecia de comprovação). A reação tardia da ANP, assim como a hesitação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em enfrentar o caso, escancarou as deficiências da fiscalização das concessões de exploração e a inexistência de um plano de contingência estatal capaz de garantir efetividade em um acidente como o ocorrido na Bacia de Campos, na área chamada Campo de Frade.

“Peço sinceras desculpas à população e ao governo brasileiro”, disse Buck em ensaiada contrição. Antes, em confuso preâmbulo a uma maçante apresentação via PowerPoint, o executivo chegou a afirmar que parte do trabalho da Chevron era ajudar o Brasil a se tornar uma “superpotência”. O uso de um termo obsoleto da Guerra Fria, embora ainda caro à autoestima dos Estados Unidos, serviu apenas para revelar o deslocamento de Buck da realidade que o cercava, justo quando ele ainda acreditava poder contar de novo com a calmaria dos primeiros dias. “Provavelmente não terei todas as respostas hoje”, avisou logo cedo, até porque, sabia ele, havia muito mais do que óleo derramado nessa história.

*Leia a matéria completa na Edição 674 de CartaCapital, já nas bancas.

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