Você está aqui: Página Inicial / Política / PT ataca Eduardo Campos: "tolo" e "beneficiário da boa vontade do PT"

Política

Eleições 2014

PT ataca Eduardo Campos: "tolo" e "beneficiário da boa vontade do PT"

por Redação — publicado 07/01/2014 19h35
No Facebook, partido atribui crescimento político do governador de Pernambuco a programas federais
José Cruz/Agência Brasil
Marina Silva e Eduardo Campos

Marina Silva e Eduardo Campos em outubro de 2012, ao afirmarem aliança eleitoral para 2014

Em sua página oficial no Facebook, o PT fez nesta terça-feira um duro ataque ao governador de Pernambuco (PSB), Eduardo Campos, ex-aliado do governo federal e provável candidato a presidente em outubro. Em um texto não assinado, o partido da presidenta Dilma Rousseff afirma que o pessebista sofre de "desespero eleitoral" e é um "tolo". A ex-senadora Marina Silva, outra ex-aliada e agora no PSB de Eduardo, também foi atacada. Segundo o PT, Marina é "vaidosa" e será o "ovo da serpente" do partido.

O texto do PT, intitulado "A balada de Eduardo Campos" (leia a íntegra abaixo), se concentra no fato de que Eduardo Campos alcançou projeção nacional enquanto aliado do Partido dos Trabalhadores. De acordo com o PT, Campos é "beneficiário singular da boa vontade dos governos do PT", "resultado de uma série de medidas" tomadas pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e por Dilma e "cresceu, politicamente, graças à expansão" de programas federais. "Campos poderia ser grato a tudo isso e, mais à frente, com maturidade e honestidade política, tornar-se o sucessor de um projeto político voltado para o coletivo, e não para o próprio umbigo", afirma o partido, aparentemente ecoando a tese de que Campos poderia ser o herdeiro político do PT a partir de 2018. Figuras importantes do partido, como o prefeito de São Bernardo do Campo (SP), Luiz Marinho, falaram publicamente sobre isso recentemente.

O PT afirma ainda que Campos "vendeu a alma à oposição", é um político "sem projeto, sem conteúdo" e "sem compostura política" e lançou sua candidatura com o estímulo dos "cães de guarda da mídia". "[Campos] acreditou na mesma mídia que, até então, o tratava como um playboy mimado pelo 'lulo-petismo', essa expressão também infantilóide criada sob encomenda nas redações da imprensa brasileira". A rixa do PT vai também para o lado pessoal. O partido diz que o avô de Campos, o ex-governador de Pernambuco Miguel Arraes, "faz bem em já não estar entre nós" pois "morreria de desgosto".

Os ataques do PT atingem também Marina Silva. Segundo o PT, a ex-senadora é um "ovo da serpente" levado a Campos para o "ninho pernambucano". Para o PT, Marina é um "fenômeno da política nacional que, curiosamente, despreza a política fazendo o que de pior se faz em política: praticando o adesismo puro e simples". Ainda segundo o partido, Marina é "vaidosa", está certa de ter sido "escolhida" e, por isso, se tornou, "uma pedra no sapato do governador de Pernambuco, do PSB e da triste mídia reacionária que em torno da dupla pensou em montar uma cidadela."

Confira abaixo a íntegra do texto publicado pelo PT

A BALADA DE EDUARDO CAMPOS
Por um momento, desses que enchem os incautos de certezas, o governador Eduardo Campos, de Pernambuco, achou que era, enfim, o escolhido.

Beneficiário singular da boa vontade dos governos do PT, de quem se colocou, desde o governo Lula, como aliado preferencial, Campos transformou sua perspectiva de poder em desespero eleitoral, no fim do ano passado.

Estimulado pelos cães de guarda da mídia, decidiu que era hora de se apresentar como candidato a presidente da República – sem projeto, sem conteúdo e, agora se sabe, sem compostura política.

O velho Miguel Arraes, avô de Eduardo Campos, faz bem em já não estar entre nós, porque, ainda estivesse, morreria de desgosto. 

E não se trata sequer da questão ideológica, já que a travessia da esquerda para a direita é uma espécie de doença infantil entre certa categoria de políticos brasileiros, um sarampo do oportunismo nacional. Não é isso. 

Ao descartar a aliança com o PT e vender a alma à oposição em troca de uma probabilidade distante – a de ser presidente da República –, Campos rifou não apenas sua credibilidade política, mas se mostrou, antes de tudo, um tolo. 

Acreditou na mesma mídia que, até então, o tratava como um playboy mimado pelo “lulo-petismo”, essa expressão também infantilóide criada sob encomenda nas redações da imprensa brasileira.

Em meio ao entusiasmo, Campos foi levado a colocar dentro de seu ninho pernambucano o ovo da serpente chamado Marina Silva, este fenômeno da política nacional que, curiosamente, despreza a política fazendo o que de pior se faz em política: praticando o adesismo puro e simples. 

Vaidosa e certa, como Campos, de que é a escolhida, Marina virou uma pedra no sapato do governador de Pernambuco, do PSB e da triste mídia reacionária que em torno da dupla pensou em montar uma cidadela. 

Como até os tubarões de Boa Viagem sabem que o objetivo de Marina é se viabilizar como cabeça da chapa presidencial pretendia pelo PSB, é bem capaz que o governador esteja pensando com frequência na enrascada em que se meteu.

Eduardo Campos é o resultado de uma série de medidas que incluem a disposição de Lula em levar para Pernambuco a Refinaria Abreu e Lima, em parceria com a Venezuela, depois de uma luta de mais de 50 anos. Sem falar nas obras da transposição do Rio São Francisco e a Transnordestina. Ou do Estaleiro Atlântico Sul, fonte de empregos e prestígio que Campos usou tão bem em suas estratégias eleitorais

Pernambuco recebeu 30 bilhões de reais do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC, do qual a presidenta Dilma Rousseff foi a principal idealizadora e gestora.

O estado também ganhou sete escolas técnicas federais, além de cinco campi da Universidade Federal Rural construídos para melhorar a vida do estudante do interior.

Eduardo Campos cresceu, politicamente, graças à expansão de programas como Projovem, Samu, Bolsa Família, Luz para Todos, Enem, ProUni e Sisu. Sem falar no Pronasci, que contribuiu para a diminuição da criminalidade no estado, por muito tempo um dos mais violentos do País.

Campos poderia ser grato a tudo isso e, mais à frente, com maturidade e honestidade política, tornar-se o sucessor de um projeto político voltado para o coletivo, e não para o próprio umbigo.

Arrisca-se, agora, a ser lembrado por ter mantido entre seus quadros um secretário de Segurança Pública, Wilson Damázio, que defendeu estupradores com o argumento de que as meninas pobres do Recife, obrigadas a fazer sexo oral com marginais da Polícia Militar, assim agiam por não resistirem ao charme da farda.

“Quem conhece Damázio, sabe que ele não tem esses valores”, lamentou Eduardo Campos. 

Quem achava que conhecia o governador do PSB, ao que tudo indica, ainda vai ter muito o que lamentar