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Nos 30 anos do fim do regime militar, atos querem derrubar o governo

por Redação — publicado 15/03/2015 09h33, última modificação 15/03/2015 13h30
Protestos devem acontecer em diversas cidades brasileiras com apoio de partidos como Solidariedade, PSDB e DEM
Tomaz Silva/ Agência Brasil
Protesto corrupção

Em ato na quarta-feira 11, manifestantes protestam contra a corrupção no centro do Rio de Janeiro

No dia 15 de março de 1985, o agora ex-senador José Sarney (PMDB-MA) tomou posse no Palácio do Planalto como presidente da República interino. Sarney era candidato a vice-presidente na chapa de Tancredo Neves, que estava doente e acabou nunca tomando posse. Ainda que fosse um apoiador da ditadura, Sarney foi primeiro presidente civil desde o golpe de 1964, e sua posse marcou o fim do regime de exceção. Exatamente 30 anos depois, grupos realizam neste domingo 15 manifestações em diversas cidades do País pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff (PT), sendo que alguns deles são abertamente defensores de uma nova “intervenção militar”.

Os atos foram convocados por diversos grupos, como o Vem Pra Rua, o Movimento Brasil Livre e o Revoltados Online, entre outros. Estes três especificamente têm, juntos, mais de um milhão de seguidores apenas no Facebook. Mas boa parte da mobilização tem sido feita pelo Whatsapp, um aplicativo de conversa simultânea que também funciona como rede social. Os atos divulgados por eles estão marcados para começar por volta das 15h em várias regiões do Brasil, em cerca de 200 cidades, segundo os organizadores.

Ao contrário do que acontece em protestos contra o reajuste desde 2013, a manifestação pró-impeachment não se movimentará pela cidade. A estratégia de ficar parado já foi, inclusive, usada nos atos anteriores.

O protesto terá apoio dos partidos Solidariedade, PSDB e DEM. Em São Paulo, por exemplo, a Força Sindical, entidade ligada ao partido de Paulinho da Força (SDD-SP), será a responsável pelos carros de som da manifestação. “Estamos convencidos de que a presidente Dilma não tem mais condição de tocar o Brasil”, afirmou na sexta-feira 13 o parlamentar, que também é presidente do partido. Além disso, a legenda anunciou que vai coletar assinaturas para apresentar o pedido de impeachment também no Congresso. O objetivo é conseguir 1 milhão de apoiadores e juntar a pareceres jurídicos que serão entregues ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), responsável por dar andamento ou não ao processo.

O PSDB vai apoiar o protesto sem referendar os pedidos de impeachment. O senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) admitiu que não quer a saída da petista do cargo, mas, sim, vê-la “sangrar”. A ideia de impeachment também está sendo rejeitada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. “Não adianta nada tirar a presidente", afirmou ele. "Se exauriu o modelo de presidencialismo de coalizão, que na verdade é um presidencialismo de cooptação. O sistema político está esgotado", disse. Apesar disso, o senador Aécio Neves deixou no ar a possibilidade de ir pessoalmente ao ato. “Sou um cara de rompantes...quem sabe?”, ironizou ao jornal Folha de S.Paulo.

Por conta dos protestos, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo pediu à Federação Paulista de Futebol (FPF) que mudasse o horário do jogo entre Palmeiras e XV de Piracicaba. A organização atendeu ao pedido e a partida, que seria realizada às 16h no Allianz Parque, foi transferida para às 11h. A alteração no horário do jogo gerou boatos de que a Rede Globo poderia não televisionar as partidos para cobrir apenas a manifestação. Mas, em resposta a CartaCapital, a assessoria de imprensa da emissora carioca negou a informação.

Para o governo, a tese de impeachment é equivalente a um golpe, como afirmou o ministro Miguel Rossetto em entrevista a CartaCapital. Nas palavras de Dilma Rousseff, o impeachment configuraria "rompimento da ordem democrática" e é exemplo do clima de "terceiro turno" das eleições.

Enquanto critica seus críticos, o governo se move para estancar a crise no Congresso. Durante a semana, foram confirmados os nomes dos ministros Gilberto Kassab (PSD), Eliseu Padilha (PMDB) e Aldo Rebelo (PCdoB) para compor o núcleo político do governo, até então sob controle petista. A sinalização de Dilma para abertura de diálogo com os partidos da base deu resultados no Congresso, com o governo conseguindo fazer valer sua posição a respeito da correção da tabela de Imposto de Renda. "Eu considero que é uma semana vitoriosa para o país e para o governo. É uma mudança de clima, é uma mudança do comportamento político da base do governo aqui no Congresso Nacional", disse o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE).