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Política

Falta de controle

'Ninguém fiscaliza as operadoras de petróleo'

por Gabriel Bonis publicado 18/11/2011 16h48, última modificação 18/11/2011 17h10
Após vazamento de óleo na Bacia de Campos, analista afirma que o mundo não aprendeu com o Golfo do México e não aplica melhorias essenciais nos sistemas de segurança

As operadoras de petróleo e as empresas responsáveis pela construção das plataformas no oceano são, na prática, as únicas responsáveis por fiscalizar a segurança do empreendimento. A garantia de que seguem as normas internacionais é delas mesmo, já que as organizações existentes não são capacitadas para verificar de fato as condições das operações em alto mar. É o que diz Ildo Luís Sauer, doutor em Engenharia Nuclear e professor da Universidade de São Paulo, ao comentar o vazamento de óleo em um poço no Campo de Frade, na Bacia de Campo (RJ), operado pela multinacional Chevron.

A Agência Nacional de Petróleo (ANP) apontou uma falha técnica na perfuração do poço como a causa do vazamento, controlado após dez dias com a conclusão do primeiro estágio de vedação. No entanto, os dados sobre a quantidade de barris lançada no oceano ainda são desencontrados.

A empresa, investigada pela Polícia Federal sobre o caso e também por uma suposta perfuração 500 metros além do previsto, aponta um volume de vazamento de cerca de 65 barris. Por outro lado, a ANP estima em 220 a 330 barris por dia - enquanto a ONG SkyTruth, especialista em interpretação de fotos de satélite com fins ambientais, diz que cerca de 15 mil barris de óleo (2.384.809 litros) foram despejados no mar.

A falta de transparência da Chevron vai render à empresa uma multa por ter informado à ANP o mesmo volume de óleo vazado por três dias, algo impossível de ocorrer. Um problema que, para Sauer, decorre da insuficiência da fiscalização dos órgãos de controle. "O Ibama e a ANP, responsáveis pela vistoria técnica e ambiental, respectivamente, precisam reformular os seus procedimentos."

Segundo o especialista, o vazamento de petróleo no Golfo do México em 2010 evidenciou a necessidade de aprimorar os métodos de segurança, algo que ainda não está sendo realizado. “O mundo todo precisa aprofundar os procedimentos de garantia de qualidade, certificação e verificação prévia e independente de todas as responsabilidades envolvidas na cadeia do petróleo, desde o pessoal técnico, equipamentos e sistemas de operação cuja falha possa resultar em casos graves.”

Sauer destaca que, para evitar um incidente igual ao ocorrido nos EUA, a revisão das medidas de segurança deve ser implementada mesmo com os impactos sobre os custos e investimentos. "Esses procedimentos já são utilizados mundialmente em usinas nucleares, para minimizar as possibilidades de falhas". De acordo com ele, os riscos podem ser diminuídos com o desenvolvimento de uma cultura e procedimentos de gestão.

Apesar de não descartar a possibilidade de novos acidentes como este durante a exploração do pré-sal, o especialista aponta que a Petrobrás tem feito investimentos bilionários em segurança, meio-ambiente e saúde na última década, com desempenho considerável. “Quem não acompanha (essas evoluções da Petrobras) isso é o governo, por meio dos ministérios de Minas e Energia e do Meio Ambiente”, diz.

A Polícia Federal informou que vai intimar nesta sexta-feira 18 ao menos seis diretores da Chevron para explicar os motivos do vazamento. “Não há qualquer dúvida de que o crime ocorreu. O derramamento é oriundo da atividade de perfuração. O que me interessa agora é delimitar responsabilidades”, disse o delegado Fábio Scliar.

Depois do incidente, a ANP e o Ibama anunciaram que vão autuar a Chevron após o controle total do vazamento, para definir uma multa proporcional ao dano ambiental causado.

Com informações Agência Brasil.

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