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Política

Entrevista - Guilherme Mussi

"Não vamos fazer um Datena light", diz presidente do PP-SP

por Ingrid Matuoka publicado 30/07/2015 11h44
Para Guilherme Mussi, o apresentador tem "credibilidade incontestável" e pode fazer frente a qualquer candidato à prefeitura de São Paulo
Reprodução
Guilherme Mussi, José Luiz Datena e Delegado Olim

Guilherme Mussi, José Luiz Datena e Delegado Olim na reunião que selou a candidatura do apresentador para a Prefeitura de São Paulo

José Luiz Datena, apresentador do programa policial Brasil Urgente, da TV Bandeirantes, é o candidato à prefeitura de São Paulo pelo Partido Progressista. Para o cargo de vice-prefeito foi indicado Antonio Assunção de Olim, o delegado Olim, deputado estadual e presidente da Comissão de Segurança Pública e Assuntos Penitenciários, que "trabalha pelo fortalecimento da polícia". A candidatura de ambos foi endossada inclusive por Otávio Mesquita que manifestou em vídeo: "o novo tá chegando. Chega de político antigo". 

Em entrevista à CartaCapital, o deputado federal e presidente estadual do PP, Guilherme Mussi, afirmou que a legenda não vai tentar suavizar a imagem de Datena e que o candidato pode fazer frente a Haddad, Marta e Russomano, candidatos de outras siglas já anunciados para concorrer à prefeitura.

CartaCapital: A filiação de Datena está confirmada e ele vai ser candidato à prefeitura de SP pelo PP em 2016?

Guilherme Mussi: Está confirmada. Acertamos na terça-feira, falta combinar a data para anunciar a pré-candidatura.

CC: A candidatura será própria ou há espaço para alianças?
GM: A chapa única está fechada, mas há espaço para alianças. Podemos discutir com outros partidos que queiram coligar conosco desde que o Datena esteja de acordo. Mas a chapa vai ser única. É o Datena para prefeitura e o delegado Olim como vice.

CC: Por que o PP viu nele uma figura que pode disputar as eleições?
GM: Ele conhece bem a cidade, é um grande comunicador, e há muito tempo vem criticando a classe política, os políticos como todo, e acho que ele sentiu que estava na hora de sair do corner e entrar no ringue. Ser prefeito de São Paulo envolve o time que você monta, e tem também toda a credibilidade incontestável dele. É difícil, não sei se posso dar um diagnóstico, mas vai dar uma mexida no cenário eleitoral. E com certeza o Datena pode fazer frente com qualquer um desses nomes [Fernando Haddad, Marta Suplicy e Celso Russomano] que já foram colocados.

CC: O PSB e o PSDB também queriam Datena como candidato que, no entanto, escolheu o PP. O que une o Datena ao PP?
GM: O Datena tem amizade pessoal com o delegado Olim, deputado estadual do nosso partido, cotado para ser o vice do Datena, então acho que isso ajudou muito a ter uma liberdade. E foi uma conversa mais franca, deixei claro que ele teria toda a autonomia para fazer da forma que ele quisesse. Em hipótese alguma vamos tentar esculpir o Datena, fazer um Datena light, ou tentar algum tipo de coisa para mudar a imagem dele. Talvez ele tenha sentido isso em outros partidos, que teria que tirar o pé, e foi usado um pouco como moeda para troca, segundo ele, parece que ficou um pouco chateado e encontrou a segurança [no PP] principalmente pela amizade que tem com o delegado Olim.

CC: Em suas redes sociais há menções ao nascimento de um novo PP. Que mudança é essa?
GM: Mudou o comando do partido que comandava a legenda há 30 anos em São Paulo. O dr. Paulo [Maluf] em dado momento contribuiu para que progressos fossem feitos, mas o partido precisava passar por uma oxigenação. Vamos resgatar pessoas que tenham credibilidade, que são lideranças importantes, mas que se afastaram por divergências com o antigo comando e que ainda podem nos ajudar a formar um partido forte para a gente poder contribuir para reestruturar o partido em âmbito nacional. Vamos começar a rever algumas alianças, queremos ter uma proximidade maior com o governo do estado e vamos montar um partido forte para tentar disputar cabeça de chapa em 2018, um governador, por exemplo. 

CC: E como o Datena pode colaborar nessa questão?
GM: O Datena vem como uma novidade, é uma pessoa que tem credibilidade, lógico que vão discordar, mas ele se encaixa perfeitamente nesse projeto de pessoas com posicionamento, pessoas que não são criadas na política, mas que realmente querem entrar para transformar. Acho que foi uma atitude corajosa dele. Depois de anunciar a pré-candidatura, vamos começamos a construir uma chapa e discutir com outros candidatos e partidos que queiram se coligar conosco, mas não encabeçando a chapa, porque a pedido dele, a chapa será fechada e ele que vai tocar isso aí na verdade. Eu sou presidente estadual, então vou procurar deixar isso mais nas mãos do delegado Olim e do Datena, porque eles se entendem bem. I
sso vai ficar mais no comando municipal da legenda junto com os candidatos, mas é claro que a gente vai fazer a nossa parte para ajudar.

José Luiz Datena
José Luiz Datena disputará a prefeitura pelo PP

CC: O senhor venceu o Maluf na disputa interna e ele se pronunciou em apoio à candidatura do Haddad. Isso afeta internamente o partido?
GM: Não, de forma alguma. Se ele quiser dar o apoio pessoal dele ao Haddad, sorte do Haddad. Agora, não como partido. Ele não levará o tempo do partido para a campanha do Haddad, só o seu apoio pessoal.

CC: O Datena já fez várias falas contra a corrupção. E ao mesmo tempo, o PP é o partido que tem mais filiados investigados na Operação Lava Jato. Isso pode ser um problema para a candidatura?
GM: Investigados. Agora, a pessoa precisa ser indiciada e julgada e condenada. Então todos os partidos, o PT, o PMDB, PSDB, têm pessoas acusadas desde que pisaram no poder. Todos os partidos têm pessoas com nomes envolvidos. E o Datena não está comandando um partido, ele está passando por um processo legal de filiação para ser candidato. Ele sentiu essa segurança pelo partido estar sob meu comando e, na capital, sob o comando do delegado Olim; sentiu em nós essa segurança. Por isso ele topou vir. Se for um problema para a candidatura dele, vai ser um problema para a de todos.

CC: O PP ainda mantém pessoas ligadas ao partido na prefeitura de SP. Com a candidatura, eles entregam esses cargos?
GM: Isso foi um acordo feito com o antigo comando do partido, já deixei claro que nós não temos interesse algum em nomear ou pedir para retirar qualquer espaço que há na COHAB [a Companhia Metropolitana de Habitação], enfim, cargos. Vou deixar claro ao prefeito que nós não nos responsabilizamos e não indicamos quem quer que seja filiado do PP que está lá, isso é de total responsabilidade do prefeito e de pessoas que já comandaram o PP no passado. Nós não respondemos por ninguém que esteja em qualquer área da prefeitura de São Paulo.