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Política

Privatização Tucana

'Não será uma reedição da CPI do Banestado'

por Redação Carta Capital — publicado 22/12/2011 15h23, última modificação 23/12/2011 10h08
Os fatos descobertos por Amaury Ribeiro Jr., disse o deputado, vão permitir agora elucidar dúvidas até hoje não respondidas sobre as privatizações

O deputado Protógenes Queiróz (PCdoB-SP) afirmou nesta quinta-feira 22, em entrevista à Rádio Câmara, que, caso seja mesmo oficializada, a partir de 2012, a CPI da Privataria não será uma mera reedição da CPI do Banestado.

A comissão, se for instalada, deverá investigar supostas irregularidades no processo de privatizações de empresas estatais durante o governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).

“Várias pessoas tentam sustentar que a CPI da Privataria seria uma reedição da CPI do Banestado. É um ledo engano”, afirmou Prótegenes.

Segundo o deputado, a CPI proposta por ele, e já encaminhada à presidência da Câmara, é baseada em documentos públicos, obtidos pelo jornalista Amaury Ribeiro Jr. e publicadas no livro A Privataria Tucana. Entretanto, não foram citados em nenhuma outra investigação na Casa.

Ex-delegado da Polícia Federal, Protógenes coordenou parte das investigações que se desdobraram no caso Banestado, que ele classifica como um esquema de “drenagem de dinheiro” público via Foz do Iguaçu.

Segundo ele, apesar da identificação do esquema, até hoje não se sabe a origem dos recursos desviados – se eram, por exemplo, de obras públicas ou das privatizações.

“A CPI tinha como objeto (investigar) o Banestado, e não a grande lavanderia do País. O Banestado já era material explosivo, e havia pressões de toda ordem, porque a investigação atingiria as privatizações, os desvios de recursos de uma forma ou de outra”.

 

Os fatos novos descobertos por Amaury Ribeiro Jr., disse o ex-delegado, vão permitir agora elucidar algumas dúvidas até hoje não respondidas, mesmo com a CPI. O clima, segundo ele, também é outro.

Na entrevista, o deputado disse se questionar, por exemplo, como é que Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-tesoureiro de José Serra, entrou numa diretoria de um banco público, o Banco do Brasil, e saiu de lá milionário. “Os operadores fizeram coisas que os operadores marginais, como os doleiros, não conheciam. Eles enganam até sua própria estrutura. Vamos estar atentos para revelar a verdade.”

Protógenes disse também que a atual CPI será suprapartidária, e lembrou que ela conta com a assinatura de parlamentares da oposição.

O deputado classificou o livro como um “documento histórico”.

A CPI é justificada, segundo ele, porque “os fatos são gravíssimos” e de uma extensão que ainda não é possível mensurar. “Justificaria uma investigações também do Ministério Público Federal e da própria Justiça brasileira”.

“O dinheiro das privatizações sumiu. E seria aplicado em saúde, educação, na segurança publica”, disse o ex-delegado, para quem a CPI poderá ajudar a identificar erros de um passado recente, punir os responsáveis e recuperar os prejuízos.