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O adeus a Abdias Nascimento

por Redação Carta Capital — publicado 25/05/2011 14h10, última modificação 25/05/2011 17h18
Movimentos sociais se despedem do ativista e precursor da luta contra a desigualdade racial, que faleceu na segunda-feira, aos 97 anos devido a complicações da diabetes

Abdias Nascimento, ex-senador e precursor do movimento negro no Brasil, morreu na segunda-feira 23 aos 97 anos. Ele estava internado havia dois meses no Hospital dos Servidores do Estado, no centro do Rio, devido a complicações da diabetes. Abdias foi um dos primeiros brasileiros a se manifestar contra a desigualdade racial já nos anos 30.

O velório ocorre a partir das 18h da próxima quinta-feira 26, na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, na Cinelândia. Na sexta- feira 27, seu corpo será cremado. Depois, realizando um desejo de Abdias, as cinzas serão levadas para a Serra da Barriga em Alagoas, região do extinto Quilombo dos Palmares.

Abdias iniciou seu ativismo quando, em 1936, foi preso por protestar contra a exigência de uma boate da capital paulista para que os negros entrassem pela porta dos fundos. Em 1944, fundou o Teatro Experimental do Negro no Rio de Janeiro, marco na luta pela cidadania do artista negro. Nos anos 80, ingressou na carreira política. Foi deputado federal e, em 1991, foi eleito senador pelo PDT.
Diversas homenagens foram feitas em razão de seu falecimento: “Nossos sentimentos pelo passamento do velho guerreiro.Eia Abdias. Para nós do MNU foi um luxo conviver contigo, beber das suas obras. Ouvir suas explosões.” Escreveu oMovimento Negro Unificado também se manifestou sobre o episódio
A Secretaria e o Coletivo Nacional de Combate ao Racismo do PT também se manifestou sobre o episódio:“Abdias marcou sua trajetória em defesa da cidadania, da igualdade de direitos e o respeito à diversidade”.
Abdias que foi jornalista durante vários anos foi homenageado também pela Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira-RJ). “Ele foi, durante muito tempo, uma das principais – se não uma das únicas – vozes de combate ao racismo. Deixa de legado a necessidade de se dar continuidade à proposta de corrigir desigualdades com base na raça e na cor e também prosseguir com as ações e os sonhos que ele teve, de uma sociedade mais justa e mais igualitária” disse Angélica Basthi, do Cojira-RJ.
Vera Gomes, da Secretaria Nacional de Combate ao Racismo escreveu sua mensagem em forma de poema. “Muitas vezes pensastes que diante de tantas dificuldades era impossível seguir. Muitas vezes diante dos muros imensos do racismo pensastes que seríamos derrotados..... porém, seguiste firme, forte, determinado, e o teu pensamento negro venceu inundando nossos corações e mentes. Seguiremos, seguiremos firmes e fiéis contigo seguiremos”.

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