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Política

Orgulho Hétero

Movimento LGBT pede que Kassab vete lei

por Redação Carta Capital — publicado 03/08/2011 10h57, última modificação 06/06/2015 18h16
Em Carta Aberta ao prefeito paulistano, diversas associações se manifestaram para que projeto que institui dia do orgulho hétero, aprovado pela Assembléia Municipal, não entre em vigor

Pouco depois da aprovação do dia do Orgulho Heterossexual pela Câmara Municipal de São Paulo, 237 associações do movimento LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais) se uniram para pedir ao prefeito Gilberto Kassab que não sancione a, contra os supostos privilégios da comunidade gay em São Paulo.

Em carta aberta, a Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), apoiada por outras instituições menores, criticou a defesa da moral e bons costumes destacada pelo projeto de Apolinário. O vereador afirma que os casais gays têm um comportamento indiscreto e “preferem fazer estardalhaços em locais públicos, na internet, nos meios de comunicação e até em panfletos com objetivo de divulgar o homossexualismo”. O argumento se trata de uma generalização. “Quantas pessoas LGBT mais serão agredidas diante da mensagem, dada pelo próprio poder público, que somente a heterossexualidade faz de alguém uma pessoa moral e boa cidadã?”, diz a carta.

O Orgulho Gay surgiu na revolução de Stonewall em 1969, ocorrida no dia 28 de junho em Nova York, quando o movimento pediu direitos iguais em um estado que se dizia civil e democrático. Desde então, o conceito tem sido utilizado pelo movimento com a intenção de afirmar que os homossexuais não são inferiores ou doentes, como muitos consideravam na época. “O orgulho gay, portanto, é um conceito que vem a dar algo àqueles que nunca o tiveram antes”, diz a Carta. O que se contrapõe a idéia do orgulho heterossexual, que afirma algo já é consagrado na sociedade.

Apolinário, da bancada evangélica, reage às recentes conquistas do movimento, como o reconhecimento da união estável entre casais homossexuais. A parada Gay na Avenida Paulista, em São Paulo, seria outro privilégio, uma vez que demais manifestações foram proibidas na avenida, inclusive a marcha para Jesus.

Em um dos artigos, a lei institui que o Executivo deve empreender esforços para divulgar a data, envolvendo a prefeitura em um julgamento moral. O documento ressaltou também que a heterofobia é mito, uma vez que, caso gays discriminassem os héteros, obrigatoriamente teriam que se afastar da maioria dos familiares e amigos.

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